Brasil-Mundo - Indústria do papel também vive desafio do fim do plástico, nota executivo brasileiro na Itália

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A redução do plástico em prol de soluções mais sustentáveis inclui também a indústria do papel. Na multinacional alemã Körber Tissue do município de Lucca, na Itália, quem está por trás desse desafio é um brasileiro. Gina Marques, correspondente da RFI O paulistano Oswaldo Cruz Junior é diretor-executivo da área que produz aparelhos para a fabricação dos papéis chamados “tissue”, como papel higiênico, toalhas de cozinha, lenços de papel, papel facial, guardanapos. “O papel é um produto sustentável porque parte de uma matéria-prima que vem do eucalipto, uma árvore plantada especificamente para fazer celulose. Mas o principal vilão é o plástico que vai na embalagem, que faz o pacotinho que a gente vê no supermercado, faz a embalagem maior onde vão aqueles pacotinhos”, explica. “As mesmas máquinas que faziam pacotes com plástico podem fazer pacotes com papel, com adaptações quase insignificantes. Os grandes sacos podem ser substituídos por cartão, papel cartão, e por aí vai. Esse é um foco bastante importante”, aponta, ressaltando ainda que a cola utilizada no final de um rolo já é quase 100% à base de água. Trajetória começou no Brasil Cruz Junior tem 55 anos e nasceu no bairro da Penha, em São Paulo. Depois de se formar em engenharia na universidade Mackenzie, iniciou na empresa como vendedor. “Comecei em maio de 1994, nessa empresa no Brasil, onde nós temos também uma filial. Naquela época, eu vendia máquinas também pela América do Sul”, relembra. A empresa, que antes pertencia ao grupo italiano Fabio Perini, tinha acabado de ser comprada pela Körber. Treze anos depois, o paulistano foi promovido à presidência da companhia no Brasil, cuja sede fica em Joinville (SC). “Em 2007 quando fui presidente, a empresa passava um momento de crise bastante difícil, havia muita incerteza. Se pensava até em encerrar as atividades no Brasil. Mas acabamos dando a volta por cima, como todos os brasileiros fazem. A gente sacode a poeira e dá a volta por cima”, frisa. Em 2017, foi surpreendido pela proposta de ir à Itália para ser o diretor-executivo da empresa. “Naquela ocasião, eu tinha 50 anos. Para ser sincero, não é um convite que se espera quando se tem 50 anos”, reconhece. “Quando eu tinha 40 anos, talvez ambicionasse essa promoção. Com 50, me pegou um pouco de surpresa.” Região italiana tem tradição na produção de papel A cidade de Lucca é, hoje, mundialmente conhecida pela fabricação do papel. A tradição é antiga e está ligada à riqueza da água nesta parte da Itália. Em 1307 foi criada, em Lucca, a Corporação dos Papeleiros. “Hoje, muitos se enganam em pensar que não há lugar em países desenvolvidos para a produção de manufatura, para indústria de bens de capital. Pensam que é necessário migrar para países de baixo custo. Não é assim”, constata o brasileiro. “Por exemplo, a Toscana é uma região de produção de papel. Além disso, conta com a qualidade e formação de pessoal, educação, é rica em fornecedores. Portanto, é uma região adequada para fazer investimentos em fabricação de equipamentos.” Segundo Cruz Junior, a pandemia não afetou a produção da fábrica – pelo contrário, a demanda por produtos como papel higiênico cresceu 30% no começo do surto, em março do ano passado. A ruptura de estoques nos supermercados ficará marcada como uma das imagens desta crise sanitária. “Hoje a nossa empresa funciona praticamente com a metade dos empregados trabalhando fisicamente aqui dentro, cerca de 600 pessoas, e a outra metade em casa. Não afetamos em nada a nossa performance, estamos trabalhando o ano todo, como se trabalhava antes”, observa.

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