A Semana na Imprensa - E se Joe Biden fosse para os EUA o que o papa João XXIII representou para a Igreja Católica?

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A disputa entre o republicano Donald Trump e o democrata Joe Biden na eleição presidencial de 3 de novembro nos Estados Unidos empolga a imprensa francesa. A revista L'Express traz uma reflexão: e se Biden, que fará 78 anos em 20 de novembro, em vez de um velho senil, como aponta Trump, for o homem providencial que a América precisa neste momento de crise e polarização, como foi o papa João XXIII para a Igreja Católica na década de 1960? A comparação é feita por Bertrand Badré, ex-presidente do Banco Mundial. O francês, ex-dirigente de bancos e criador de um fundo de investimentos voltado para o desenvolvimento sustentável, sediado em Washington, comentou a atual campanha para a revista francesa. "Ninguém esperava nada de João XXIII, que foi eleito papa aos 77 anos [idade de Biden]. Mas nos quatro anos de seu pontificado [1958-1963], ele transformou profundamente a Igreja, com um conjunto de reformas modernizantes do Concílio Vaticano II", recorda Badré. Canonizado em 2014, João XXIII foi aclamado e elogiado internacionalmente como o "Papa bom" ou o "Papa da bondade". A vantagem de dez pontos percentuais de Biden nas pesquisas de intenção de voto mostra que o democrata conseguiu seduzir o eleitorado centrista por suas posições pragmáticas e moderadas sobre temas como imigração e meio ambiente, diz a L'Express. "Ele conseguiu reconquistar mulheres e afroamericanos, pouco mobilizados na eleição de 2016." Segundo uma pesquisa do Instituto de Política da Harvard Kennedy School, Biden também conta com a simpatia de eleitores jovens: 63% dos americanos com menos de 30 anos estão dispostos a votar no democrata, contra 47% há quatro anos. Por outro lado, ele não tem conseguido convencer os hispânicos nem eleitores brancos, com baixo grau de educação, afetados por dificuldades econômicas em regiões industriais. Essa parcela do eleitorado continua sensível ao discurso de Trump, analisa à revista Célia Belin, pesquisadora do Brookings Institution, em Washington, e autora do livro Democratas na América (Des démocrates en Amérique, editora Fayard, 2020). Se vencer a eleição, Biden se tornará o presidente mais velho dos Estados Unidos ao assumir o cargo. E é para esse eleitorado atingido pelo desemprego, mas também às classes médias empobrecidas, que ele quer dedicar seu plano de recuperação da economia. Suas prioridades são restabelecer o seguro-saúde aos milhões de americanos que perderam esse benefício criado durante o governo de Barack Obama e reverter os cortes de impostos concedidos por Trump aos mais ricos e às empresas. "Mas mesmo em caso de vitória, uma incerteza permanece: a margem de manobra de Biden", assinala a publicação francesa. Se ele vencer com ampla vantagem, mantendo a Câmara dos Representantes e conquistando o Senado, seus primeiros cem dias de governo poderiam permitir que ele apagasse o "parêntese de Trump" e começasse um retorno à normalidade. Resta saber se ele terá a energia para tirar os Estados Unidos de uma crise sem precedentes: sanitária, econômica, social, racial e moral, conclui a revista L'Express.

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