A Semana na Imprensa - Eficácia da vacina contra Covid-19 em pessoas com mais de 85 anos é pouco conhecida

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A revista francesa L’Express traz esta semana uma matéria alertando que os efeitos e a eficácia da vacina contra a Covid-19 ainda são pouco conhecidos em idosos com mais de 85 anos. A França, como os outros países da União Europeia, começa neste domingo (27) a vacinação com o imunizante dos laboratórios Pfizer e BioNTech. A primeira fase da campanha no país vai atender aos residentes de casas de repouso e profissionais que trabalham nestes lares. A estratégia foi escolhida, segundo a autoridade de saúde francesa, por conta da alta vulnerabilidade da população idosa à Covid-19. Para Odile Launay, infectologista e especialista em vacinas que falou à reportagem do semanário L’Express, a escolha poderia ser discutida, mas é muito compreensível. Segundo a médica, são as pessoas que pagaram mais caro a esse vírus em termos de taxa de mortalidade. Ela defende que “os residentes de asilos acumulam um risco dobrado: o da idade e o da vida em coletividade. E percebemos que, apesar de todas as medidas tomadas dentro, o vírus continua a circular dentro das casas de repouso. É preciso agir”. A reportagem, no entanto, lembra que apesar da mesma decisão ter sido tomada em diferentes países, ela levanta questões. “Sobretudo porque entre todas as coisas desconhecidas em torno das vacinas contra a Covid-19, a eficácia destas injeções em pessoas com mais de 80 anos –justamente as que moram em asilos - não é conhecida. Se a capacidade dessas novas vacinas de proteger os idosos até 75 anos foi bem avaliada, as populações mais velhas ficaram de fora dos testes clínicos”, aponta a L’Express. De fato, o teste em massa do imunizante da Pfizer e da BioNtech não inclui nenhuma pessoa com mais de 85 anos entre os mais de 36 mil participantes. E apenas 1.559 testados tinham entre 75 e 85 anos. Os testes de fase 3 da vacina Moderna também deixaram de fora a população com mais de 85 anos. A imunologista Brigitte Autran explica que é muito difícil fazer testes clínicos nas populações em fases extremas da vida. “Seja entre bebês ou entre as populações da chamada quarta idade, pois são grupos de grande fragilidade”, explica ela, que é membro do Comitê Vacina Covid-19 na França. “Se queremos demonstrar que uma vacina funciona, testamos em pessoas que têm um bom sistema imunitário. Porque se tentamos testar nas piores condições, teremos mais dificuldade em mostrar sua eficácia”, justifica Michel Cogné, professor da Universidade de Limoges. E este é todo o paradoxo da situação atual, destaca a revista francesa. As vacinas serão aplicadas prioritariamente naqueles em que elas foram menos testadas. Sistema imunológico mais fraco De acordo com os especialistas consultados pela reportagem, o sistema imunitário humano começa a envelhecer entre 60 e 65 anos e, a partir de então, passa a responder de maneira menos eficaz às doenças. Sendo assim, o imunologista Michel Cogné diz que é esperado que uma vacina funcione menos em uma pessoa de 90 anos que em alguém de 30 anos. “Quanto mais envelhecemos, mais dificilmente desenvolvemos respostas aos novos agentes infecciosos”, concorda Brigitte Autran. Nos Estados Unidos, uma especialista do CDC (agência sanitária norte-americana) contrariou publicamente a decisão de vacinar os mais velhos, dizendo que é sabido que a vacina será menos eficaz nessa população. Não foi o que aconteceu com a vacina desenvolvida contra o vírus da varicela-zoster, também conhecida como herpes zoster ou cobreiro. A vacina recentemente se provou tão eficaz para os jovens como para os adultos. Uma esperança, finalmente A presidente do Comitê de Vacina Covid-19 na França, Marie-Paule Kieny, pede que a imunização atenda a uma população mais ampla o quanto antes no país. “A mortalidade em casas de repouso é maior do que entre as pessoas que moram em suas casas. Corremos o risco de ter uma mortalidade inexplicada que pode ser colocada indevidamente na conta da vacina”, alerta Kieny. Outra possibilidade, seria dar prioridade à imunização das pessoas que convivem com idosos. No entanto, esta não é uma opção por enquanto, afirma a L’Express, já que ainda não é certo se a vacina evita, além do desenvolvimento da Covid-19, também a transmissão do coronavírus. Apesar de todas as dúvidas, a esperança existe. “Nosso arsenal contra a Covid não para de ser reforçado, principalmente para os mais frágeis. Finalmente.”, conclui a reportagem.

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