A Semana na Imprensa - Em tempos de Covid-19, devemos ter medo do ar-condicionado?

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A revista francesa Le Point desta semana dedicou o seu assunto de capa ao ar que respiramos. Em tempos de pandemia de Covid-19, a publicação traz uma série de reportagens sobre a maneira como os vírus circulam no ar e os riscos do ar-condicionado. O assunto se tornou ainda mais importante após a divulgação de um alerta, feito por centenas de pesquisadores em uma carta aberta enviada no início de julho à Organização Mundial da Saúde (OMS). Os especialistas chamavam a atenção para o fato de que o vírus da Covid-19 poderia ser transmitido pela inalação de gotículas respiratórias microscópicas, em forma de aerosol, inclusive a uma distância de mais de dois metros. A afirmação é preocupante, já que desde o início da pandemia boa parte da comunidade científica defendia que a propagação da doença era possível apenas por meio de um contato próximo com o portador do vírus. Mas se esse alerta dos pesquisadores for confirmado, isso quer dizer que o distanciamento físico de um ou dois metros sugerido atualmente não seria suficiente e que, por exemplo, um motorista de ônibus poderia ser contaminado por um passageiro que espirra na última fileira do veículo. “É preciso guardar em mente que as gotículas menores que emitimos ficam suspensas no ar durante horas ou até dias”, explica à revista Le Point o microbiologista Raymond Tellier, da Universidade McGill, no Canadá. Além disso, alguns pesquisadores defendem que o vírus transmitido sob forma aerosol seria ainda mais nocivo, já que penetraria mais facilmente nos pulmões e desenvolveria formas mais severas da Covid-19. Essa forma de contaminação é mais rara, atingindo menos de 10% dos infectados, e o assunto ainda divide a comunidade científica, explica a reportagem. Mas traz novamente à tona o debate sobre a importância de arejar os espaços fechados. No entanto, nem sempre isso é possível, principalmente em prédios modernos, muitas vezes equipados com janelas vedadas e cuja única ventilação vem apenas do sistema de ar-condicionado. Risco fraco, mas existente Em um relatório datando do final de junho, o Centro europeu de prevenção e controle de doenças afirmou que o risco de contaminação pela Covid-19 por meio de aerosol distribuído pelos tubos de ventilação artificial é muito fraco. “Isso significa que não são necessários procedimentos especiais de limpeza ou de substituição dos aparelhos, além das normas indicadas pelos fabricantes”, insiste a entidade. Porém, pondera a reportagem, o próprio Centro afirma que a propagação de Covid-19 em partículas aerosol é possível se o ar for apenas reciclado, e não renovado. Esse, aliás, foi o contexto apontado como responsável por algumas contaminações em massa no início da pandemia, como no caso do Diamond Princess, lembra a revista, em alusão ao navio de cruzeiro ancorado no Japão, no qual 700 dos 3.000 passageiros foram infectados. Segundo pesquisadores da Universidade de Oregon, a causa principal teria sido o sistema de ventilação da embarcação. Outra questão levantada pela reportagem é a da qualidade do ar dentro dos aviões. Segundo a construtora Airbus, o ar respirado em suas aeronaves é renovado a cada dois ou três minutos. Metade desse ar vem do exterior e a outra metade é capturada na parte de baixo dos assentos, antes de ser filtrado e reintroduzido na cabine pelos orifícios de ventilação situados no teto. “Essa circulação de ar de cima para baixo limita a contaminação horizontal entre as fileiras”, aponta a revista. Porém, pesquisadores ouvidos pela reportagem alertam: o Covid-19 é muito pequeno para ser filtrado. Para que funcione, o uso de ultravioletas em complemento do filtro seria a única solução para matar o vírus, afirma Isabella Annesi-Maesano, diretora do departamento de epidemiologia e doenças alérgicas e respiratórias do Inserm (Instituto nacional de saúde e pesquisa médica). Mas para quem não pretende viajar de avião e, mesmo assim, não consegue viver sem ar-condicionado, a reportagem dá algumas dicas, como direcionar o fluxo de ar em posição vertical, para cima, limitando os riscos de transmissão em mais de um metro. Já no caso dos ventiladores, a principal recomendação é simplesmente evitar usá-los em uma sala fechada quando mais de uma pessoa estiver no recinto. Mas a maneira mais eficaz para limitar os riscos de infecção, conclui a reportagem da revista Le Point, é passar menos tempo possível em locais mal ventilados ou cheios de gente. Além, é claro, de usar uma máscara de proteção o tempo todo.

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