A Semana na Imprensa - Revistas francesas destacam eleição de Erika Hilton, militante trans e antirracismo que “triunfou” em São Paulo

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A eleição da vereadora brasileira Erika Hilton esteve em destaque na imprensa francesa nos últimos dias. Eleita em São Paulo, a militante negra e transexual foi tema de reportagens nas revistas L’Obs e Têtu. A L’Obs ressalta que, com apenas 27 anos, Erika foi "o sucesso" desse pleito. “Concorrendo pelo partido de esquerda PSOL, com seu corpo delgado e seu corte de cabelo afro, a transexual entrou para o ranking dos dez vereadores mais votados do país, em uma lista na qual os nove primeiros eram homens”, conta a revista. A eleição da primeira trans negra como vereadora na capital econômica do país é um sinal de avanço no cenário brasileiro, ressalta a revista em seu site. “O Brasil é um país racista, homofóbico e transfóbico e eu reúno tudo isso”, aponta Erika na matéria publicada pela L’Obs. A revista francesa Têtu, referência mundial entre as publicações da comunidade LGBTQIA+, também deu destaque à eleição da brasileira. Com o título “Erika Hilton, figura do militantismo trans e antirracista, eleita com triunfo em São Paulo”, a reportagem insiste que o país é “um dos mais transfóbicos do mundo” e que, em 2019, 124 pessoas trans foram assassinadas no Brasil. Têtu lembra em seu site que Erika cresceu em uma favela, criada em uma família pobre, morou na rua e foi trabalhadora do sexo durante anos. A revista conta como a jovem voltou a estudar e, em seguida, se engajou na militância para defender as pessoas negras e LGBTQIA+.“ Um percurso que seria impossível na França”, avalia a reportagem. “Em 2018, no momento em que Jair Bolsonaro chegou ao poder, ela foi eleita deputada estadual em São Paulo para um mandato coletivo junto com outras mulheres de esquerda”, relata a revista. “Com a extrema direita no poder, ela recebeu várias ameaças de morte”, detalha Têtu. “Dois anos depois, 294 candidatos travestis e transexuais lançaram suas candidaturas às eleições municipais de 2020 e 30 foram eleitos”, contabiliza a reportagem. Em entrevista às agência de notícias, reproduzida pelas duas revistas francesas, a vereadora eleita afirma que os resultados desse pleito foram um “tapa na cara do sistema”. Mas para Erika Hilton, o processo ainda é lento. “Foram 388 anos de escravidão consentida e são quase 140 anos de uma falsa abolição. Ainda estamos em construção, ainda estamos lutando pela nossa humanidade", martelou a jovem política. Ambas as revistas apontam as semelhanças entre seu perfil e o de outra vereadora: Marielle Franco, negra, lésbica, vinda de uma comunidade e assassinada em 2018. "Tenho orgulho de ser comparada a ela”, admite Erika. “Mas temo que minha história termine do mesmo jeito", diz a jovem representante municipal.

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