A Semana na Imprensa - Sucesso da vacina da Pfizer revela trajetória de perseverança de uma imigrante

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A revista francesa Le Point desta semana traz uma longa entrevista com a cientista Katalin Kariko, que dedicou sua vida acadêmica ao RNA mensageiro, método revolucionário usado pela vacina da Pfizer-BioNTech contra a Covid-19. Nascida na Hungria, ela conta as dificuldades que encontrou como imigrante e também como pesquisadora dedicada a um tema no qual poucos acreditavam. “Graças a essa mulher obstinada, que chegou nos Estados Unidos aos 30 anos, temos a esperança de poder sair de casa e respirar normalmente nas ruas”, lança a revista na introdução da entrevista. “Após 40 anos de esforços, suas pesquisas sobre o RNA mensageiro permitiram a criação da primeira vacina eficaz contra a Covid-19”, continua o texto. Mesmo se antes, “ela teve que fugir do comunismo”, escreve a revista. Katalin Kariko tem 66 anos e se interessou pelo RNA mensageiro na Hungria, quando ainda era jovem cientista. No entanto, as instituições em seu país não tinham meios financeiros para avançar na pesquisa e os grandes laboratórios não se interessavam pelo assunto. Por essa razão, ela migrou para os Estados Unidos. A chegada na América não foi fácil e cientista conta que, quando deixou seu país, não podia levar dinheiro e escondeu US$ 90 dentro de um urso de pelúcia de sua filha. Ao desembarcar no novo país, viveu o que vivem muitos estrangeiros. “Meu marido era engenheiro e aqui trabalhou como porteiro ou fazendo faxina. Na Hungria eu tinha um apartamento confortável e minha máquina de lavar. Aqui, eu lavava as roupas em um porão, durante a noite”, conta. No começo trabalhou em instituições de menos prestígio, antes de ser contratada pela Universidade da Pensilvânia. Ela diz que só chegou onde está por causa de sua perseverança em continuar pesquisando sobre o RNA mensageiro, quando ninguém acreditava em suas ideias. “Nunca fiquei esperando que alguém me dissesse que meu trabalho era importante”, explica a cientista. Agora, com o sucesso de suas pesquisas, que ganharam repercussão mundial após terem permitido o desenvolvimento acelerado das vacinas da Pfizer-BioNTech e da Moderna, “muitos veem nela um futuro Prêmio Nobel”, diz a revista Le Point. Mas Katalin Kariko é modesta e ao mesmo tempo desconfiada das grandes honrarias. A pesquisadora insiste que não é a única responsável pelo sucesso da vacina da Pfizer-BioNTech e diz que o imunizante é fruto de um trabalho de equipe. Além disso, ela acredita que “os ganhadores do Nobel acabam perdendo sua capacidade de pesquisa, pois passam o tempo dando entrevistas, repetindo coisas que já sabem e não avançam em busca de novas descobertas. Espero que isso não aconteça comigo, com ou sem prêmio Nobel”, ironiza. Ela deixou de ser pesquisadora dentro de uma universidade ao entrar para a startup BioNTech, onde se tornou vice-presidente em 2013. Mesmo assim, nunca pensou em abandonar as pesquisas científicas. “Já ganhei dinheiro suficiente para ficar em casa sem fazer nada, mas não vou parar nunca de trabalhar. Acredito que ainda posso contribuir com minha pedra no edifício da pesquisa”. Por essa razão, continua em contato com estudiosos do mundo inteiro. Principalmente se, como ela mesma diz, “isso pode ajudar a tornar o mundo melhor”. Sobre o futuro, Katalin Kariko é otimista. Ela explica que as variantes do coronavírus não poderão resistir às vacinas feitas a partir do método RNA mensageiro. Além disso, segundo ela, nossa vida vai voltar ao normal e, apesar da falta de vacina em alguns países, até o meio do ano o mundo terá vencido o vírus da Covid-19.

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