Brasil-Mundo - Ex-rapper Túlio Dek inaugura instalação em Lisboa que denuncia incêndios florestais

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O ex-rapper e agora artista plástico Túlio Dek, radicado na Europa há 8 anos, se prepara para lançar dois trabalhos pioneiros em Portugal. Uma tela de 10 metros de comprimento, alusiva à obra mais importante da história da arte do país, e uma grande intervenção urbana em um ponto turístico de Lisboa, que chama a atenção para as queimadas de florestas tropicais como a Amazônia. Caroline Ribeiro, correspondente em Lisboa É no Jardim do Torel, popular mirante da capital portuguesa, que Túlio Dek monta o cenário de uma floresta devastada por incêndios. A partir deste domingo (25), os visitantes vão caminhar entre 500 restos de troncos de árvores, que foram doados pelo município e vieram de regiões afetadas por incêndios em Portugal. A instalação “Beyond the trees” fica a céu aberto, para quem quiser ver, mas Túlio fez uma parceria com a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa para que os alunos possam realizar trabalhos de campo no local. “São seis mil alunos. Se 10% conseguirem passar para os seus filhos a importância da preservação do meio ambiente, e o que eles sentiram no momento em que eles entraram naquela instalação, em ver uma floresta devastada, eu já estaria contribuindo para o mundo. Por isso, haverá também sacos de sementes para a pessoa entrar, visualizar, sentir e agir”, explica Túlio Dek em entrevista à RFI. O projeto é resultado de "muita reflexão" que Dek diz ter feito sobre o mundo atual. Focado nas artes plásticas desde que deixou o Brasil, ele agora quer não apenas esculpir ou pintar, mas sim compartilhar uma mensagem. “Eu comecei a sentir esse peso em mim como artista. Decidi que vou continuar pintando as telas, esculpindo, fazendo as exposições que sempre fiz, mas eu quero estar sempre vinculado a projetos institucionais que ajudem o mundo. Hoje, estou fazendo sobre a natureza. Amanhã posso fazer sobre a violência contra as mulheres, sobre o preconceito, então eu consegui trazer minha arte para esse ângulo”, conta. Túlio diz estar sendo recebido de braços abertos. A instalação com os troncos é apoiada pelo governo português e pela prefeitura de Lisboa e será a primeira do gênero no país. Além disso, o artista também foi convidado pela direção do Museu Nacional de Arte Antiga, o mais visitado de Portugal, para um trabalho que envolve os Painéis de São Vicente, quadro do século XV, do pintor Nuno Gonçalves, que mostra os vários estratos da sociedade portuguesa na época. A obra é tida como a mais importante da história da arte do país e está sendo restaurada. “Na minha tela, estou colocando coisas que acho que as pessoas vão demorar para entender. Assim como os Painéis de São Vicente, muito misterioso, estou tentando trazer um pouco desse mistério para dentro da minha tela. Jamais teria a prepotência de querer replicar o que foi feito. O que eu faço é chegar aqui, fico ali durante horas observando os painéis, e as imagens que vão vindo na minha cabeça, as frases, os temas, vou tentando imprimir na tela o que estou construindo. Entre eles, o principal, é o que se sucede com Portugal depois dos Painéis de São Vicente." O museu ofereceu ao brasileiro o espaço para pintar uma tela de 10 metros de comprimento. Trabalho que o artista realiza dentro da sala da restauração da obra. “Pulei da cama”, diz Dek sobre o momento em que soube do convite. “É uma obra para mim importantíssima, que traz vários mistérios, que consegue um feito incrível, que é colocar todas as classes [sociais] dentro de um mesmo painel. Estou tentando fazer isso através dos pictogramas e informações que vou passando na tela. É um sonho estar aqui nesse lugar.” Conversão da música para as artes plásticas abriu horizontes Dek não esconde a satisfação pela realização profissional que conseguiu atingir longe da música. “Eu fui muito privilegiado porque pude desfrutar da música muito novo. Graças a Deus, acabei entendendo que não gosto de protagonizar nada. Não queria mais estar em cima do palco, ir para programa de televisão. Com a arte, consegui que as minhas telas e esculturas fossem as protagonistas.” O artista conta que a música pode até surgir “naturalmente”, como o trabalho feito em parceria com a cabo-verdiana Mayra Andrade, em 2018, mas diz que a carreira na área está “praticamente fechada”. “Não tenho interesse nenhum em fazer música. Eu não vejo a minha vida senão fazendo isso que você me viu fazendo agora. Quero pintar, esculpir e fazer projetos institucionais com os quais eu possa melhorar o planeta”, diz. A forma como a tela de Túlio Dek será exposta aos visitantes do Museu Nacional de Arte Antiga ainda será definida. Já a instalação com os troncos de árvores vai ficar no Jardim do Torel até 25 de novembro.

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