“Fábrica do Samba”: projeto em Lisboa apresenta clássicos do gênero musical

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A melodia de clássicos do samba brasileiro agora anima, aos sábados, as tardes lisboetas. O projeto Fábrica do Samba reúne músicos experientes, sob o comando do compositor e cavaquinista Tércio Borges. Conhecido como o “embaixador do samba em Portugal”, o músico vive no país há duas décadas e é um dos responsáveis pelo espaço que o ritmo tem ganhado nos últimos anos. Caroline Ribeiro, correspondente da RFI em Lisboa Com a Fábrica do Samba, Borges junta dez músicos na roda, brasileiros e portugueses. Mistura que, garante, dá mais do que certo. “Eu desafio qualquer pessoa a entrar no grupo, assistir e dizer aquele é o português. Eu garanto que não vai saber quem é”, afirma. “Esse projeto é como se fosse botar um pouquinho do Rio de Janeiro, das rodas que eu participava, que eu tocava, aqui em Lisboa, mas fazendo samba mesmo, com as músicas, os compositores. Você tem Paulinho da Viola, tem Candeia, Monarco. Você tem pessoas que são do samba e eu acho isso legal, importante”, explica Tércio Borges à RFI. Se for para adivinhar pelo vocal, ninguém diz mesmo que a cantora principal é portuguesa. Susana Ayash interpreta sambas tradicionais praticamente sem o sotaque de nascença. O motivo, explica, é a influência de grandes nomes da MPB. “Quando eu era muito pequenina, tinha uns 3 ou 4 anos, em casa com minhas tias, meu avós, só ouvia MPB. Simone, Maria Bethânia, Gal Costa, já comecei a aprender a cantar com os discos delas. Rita Lee também.” Depois de se formar em música, Susana continuou cantando MPB e Bossa Nova. “Por acaso, descobri Cartola, Noel Rosa, e fiquei absolutamente apaixonada. Comecei a ouvir, a querer muito fazer aquele samba de raiz antigo, mas queria fazer com a qualidade dos músicos que se encontram num disco do Cartola, no Rio de Janeiro. Achei que não encontraria aquilo em Portugal." Mas o samba foi ao encontro dela. Susana acabou assistindo a uma apresentação de Tércio Borges com Zeca Pagodinho em Lisboa. “Eu fiquei doida, pensei: ‘afinal é possível fazer samba com exímios músicos em Portugal’. Depois, ela entrou em contato com músicos da roda de Tércio para dizer que queria uma chance. "Deu certo!” A parceria segue firme e forte. A Fábrica do Samba acontece todos os sábados no Bartô, famoso espaço cultural lisboeta, que tem Borges na gerência. O evento é mais uma iniciativa para reativar o setor musical, duramente afetado pela pandemia de Covid-19. “A pandemia foi péssima para tudo, pior ainda para quem perdeu seus parentes, até perdi amigos. Mas o pós-pandemia é uma oportunidade para todo mundo se reinventar. Criar, tentar fazer alguma coisa. Parece que a gente estava amarrado e agora não está mais. Se a gente estava amarrado e reclamava que não fazia nada, por que agora que não fazemos alguma coisa? É um pouco por aí”, diz Borges.

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