Irmãos franco-brasileiros desenvolvem projeto inédito de walkie-talkie submarino

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Os irmãos Jonas e Gabriel Beraldo Ramos Guerche, franco-brasileiros que vivem entre Paris e a região da Bretanha, no oeste da França, trabalham em um projeto inédito de um walkie-talkie submarino, ou um "dive-talkie", como preferem chamar o aparelho que tem o objetivo de possibilitar a comunicação debaixo d'água, entre praticantes de mergulho. Jonas e Gabriel começaram a praticar mergulho há cerca de cinco anos. Foi voltando de um curso que a ideia de criar um walkie-talike submarino surgiu, a partir da própria necessidade que os irmãos sentiam, como mergulhadores, de trocar informações debaixo d'água. Para o mergulho de lazer, geralmente a comunicação é feita através de gestos com as mãos. "Até hoje não há um produto para conversarmos durante a prática de mergulho e que seja acessível a todos. Por isso, muitos acidentes acabam ocorrendo", explicou Jonas à RFI. Segundo ele, os aparelhos que existem atualmente no mercado são voltados exclusivamente para profissionais e têm um custo alto. "Ter uma forma de comunicação com voz durante o mergulho ajuda muito durante os cursos. É um mecanismo que oferece mais segurança para as pessoas que estão aprendendo a mergulhar. Além disso, é importante para que o próprio instrutor possa passar informações sobre o ambiente onde a atividade está sendo praticada", ressalta. O aparelho que os irmãos estão elaborando ainda não tem um nome oficial. O funcionamento é basicamente como o de um walkie-talkie, mas para ser usado debaixo d'água. A formação que ambos têm em Física ajudou na concepção do produto. "Não queremos modificar os equipamentos tradicionais que já existem. O objetivo é equipar o regulador - aquela parte do equipamento para a respiração que colocamos na boca - com mecanismos eletrônicos de captação e reprodução de som. Ou seja, vamos poder falar e enviar esse som dentro da água. O som será restituído dentro da boca e, por condução dos ossos, vai voltar para a orelha", detalha Jonas. Finalização do produto em 18 meses Fundadores da start-up 52 Hertz, eles venceram recentemente um concurso organizado pelo Instituto Francês de Pesquisa para a Exploração do Mar (Ifremer, na sigla em francês). Os dois irmãos têm o prazo de um ano e meio para a finalização do produto. Gabriel contou à RFI qual é o maior desafio no desenvolvimento do "dive-talkie". "Esse é um projeto pluridisciplinar. A nossa formação em Física ajudou na elaboração do produto. Mas, além disso, também tem todo o desenvolvimento da nossa empresa, por exemplo, que exige outros conhecimentos. Por isso, temos que dominar tudo o que envolve o projeto, conhecê-lo de A à Z, nos abrir a outras disciplinas, o que pede bastante tempo e implica em dificuldades", diz. Jonas e Gabriel são filhos de uma mãe brasileira e um pai francês. Eles nasceram e vivem na França, mas têm uma relação forte com o Brasil. Por isso, querem que uma parte do projeto seja brasileiro. "Gostaríamos que, depois de finalizado, pudéssemos construir parte do produto no Brasil, como as peças eletrônicas, por exemplo. É importante para a gente, como franco-brasileiros, que a nossa criação tenha um pouco da nossa origem", conclui Gabriel.

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