“Estudar idiomas mudou minha vida”, diz brasileiro poliglota que virou notícia no Japão

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Desde 1998 instalado na Ásia, Júlio César Pereira da Silva, se destacou na TV japonesa por falar mais de 14 idiomas e atualmente integra a Associação Internacional de Hiperpoliglotas. Juliana Sayuri, correspondente da RFI no Japão “Gengotaku” quer dizer aficionado por idiomas, em japonês. É assim que se define no YouTube o brasileiro Júlio César Pereira da Silva, 48, radicado desde 1998 no Japão. Nascido em Santos (SP), Júlio cresceu na baixada fluminense. Negro e de origem humilde, como ele diz, foi o estudo de idiomas que lhe abriu as portas para o mundo: interessou-se pela língua japonesa aos 12 anos, durante os primeiros passos no judô. Depois apaixonou-se pelo inglês, impactado por filmes e música, o que também lhe atraiu para aprender guitarra. Aos 16 mergulhou na literatura alemã, por influência de um amigo do colégio descendente de alemães. Assim, na adolescência, já tinha aprendido, por conta própria, noções básicas de três idiomas. “Aí não parei mais”, conta Júlio, que depois cursou letras na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “Um idioma puxa o outro”, diz. Na faculdade, fez diversos cursos, inclusive um instrumental de hebraico e um intensivo de polonês. Especializou-se em japonês e, aos 21, conquistou uma bolsa disputada e fez a primeira viagem internacional ao Japão. Foi, em suas palavras, “a realização de um sonho”. “Primeiro, estudando inglês, tive acesso a outros idiomas, o mais forte deles é o japonês. E, graças ao estudo de japonês, ganhei uma bolsa e vim para o Japão – o que normalmente seria impossível para uma pessoa da minha classe social. Então, o estudo de idiomas literalmente mudou a minha vida.” Apple, táxi e TV Júlio estudou em Okinawa e Osaka, onde fez mestrado em sociolinguística e língua japonesa. Já trabalhou como tradutor, intérprete e atendente multilíngue da americana Apple no Japão, entre outras ocupações. Casou-se e teve dois filhos no arquipélago asiático, onde se tornou conhecido como “Pere-chan”, um apelido a partir de seu sobrenome, Pereira. Foi assim que ele ganhou destaque na mídia japonesa. Entre 2017 e 2018, trabalhando como taxista em Osaka, “Pere-chan” virou notícia no jornal Mainichi por suas habilidades linguísticas. Depois deu entrevistas para NHK, MBS e TV Yomiuri, entre outros veículos. Além de português, japonês e alemão, Júlio domina inglês e espanhol, consegue se comunicar em mandarim, coreano, francês, holandês e italiano, arranha cantonês, polonês, russo, hebraico e sueco e agora está estudando árabe, grego, irlandês, indonésio e tâmil, uma língua do sul da Índia. Em 2019, participou de uma conferência internacional de poliglotas realizada em Fukuoka. Aikidô e YouTube Em 2020, entretanto, após o início da pandemia de covid-19, enfrentou um período de desemprego apesar de suas qualificações profissionais, o que quase o fez desistir de continuar no Japão. Depois de um tempo, Júlio conseguiu um novo emprego e atualmente trabalha em uma companhia francesa instalada no Japão – no dia a dia do trabalho, precisa conversar em japonês, inglês e francês e, às vezes, realiza reuniões em espanhol. Além da paixão pelo estudo de idiomas, tem como hobbies o aikidô (arte marcial japonesa), a guitarra e o perfil “Gengotaku” no YouTube, com cerca de 65 mil seguidores. Lá, compartilha dicas de estudos, dicionários e livros, lives e aulas de kanji, os caracteres da língua japonesa derivados do chinês. Recentemente, Júlio se filiou à Associação Internacional de Hiperpoliglotas (Hypia) e lançou um curso online de japonês em uma plataforma para criadores de conteúdo. Ele não vê, por enquanto, possibilidade de voltar ao Brasil. Para o futuro, imagina continuar estudando e gostaria de conseguir se comunicar em 20 línguas, em diferentes níveis de fluência, até seu 50o aniversário, em 2024.

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