Livro revela dificuldades de brasileiras durante a pandemia da Covid-19 em Portugal

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“Gênero e imigração: retrato das brasileiras em Portugal durante a pandemia da Covid-19” é lançado neste domingo (8), na Casa do Brasil de Lisboa. O livro foi escrito por 15 brasileiras que moram no país e relatam a experiência que tiveram como voluntárias na Rede Solidária da plataforma Geni, uma iniciativa sem fins lucrativos, que trabalha na promoção do empoderamento e na garantia dos direitos das mulheres. Fábia Belém, correspondente da RFI em Lisboa Organizadora do livro e fundadora da plataforma, Ana Paula Costa conta que a publicação reúne temas que estiveram presentes nas vivências de muitas mulheres brasileiras durante os primeiros meses da pandemia em Portugal: saúde mental, racismo, acesso aos serviços, maternidade, sororidade e redes sociais. De março a junho de 2020, a Rede Solidária deu assistência psicológica, ajuda financeira e apoio social a cerca de 200 brasileiras imigrantes. “Vimos que as mulheres brasileiras ficaram muito ansiosas e preocupadas com a situação, com o que iria acontecer com elas e com as suas famílias, tanto aqui, em Portugal, como no Brasil”, lembra Costa. Especialistas em marketing, estudantes de mestrado e doutorado, cientistas políticas e psicólogas - brasileiras que já residiam em Portugal há cinco ou dez anos integraram a rede de apoio. Elas se dividiram em três grupos: um de psicólogas, um de mulheres responsáveis por doações e um terceiro encarregado do apoio social. "Preciso trabalhar e não tenho com quem deixar a minha filha. Alguém pode me ajudar?", relata Ana Paula ao falar sobre os pedidos de ajuda que o grupo recebia por meio de formulários online. Entre elas, a maioria estava em situação irregular. “Havia mulheres que tinham chegado em Portugal há um ou dois meses”, recorda-se a organizadora do livro, publicado pela editora In-Finita. Também recorreram à Rede Solidária muitas mulheres que perderam o emprego ou cujo marido ou companheiro havia perdido a renda durante a pandemia. O fechamento de milhares de postos de trabalho no país, principalmente no setor de restaurantes e turismo, empurrou muitas brasileiras para o desemprego. “Com isso, não tinham como pagar o aluguel, nem como comprar comida”, relembra Costa. Lições Neste contexto difícil, a demanda maior era por assistência psicológica. “Mas tem mulheres que dividiam casa ou quarto. Como se faz atendimento online, sem a menor privacidade? O livro vai contando essas nuances”, diz a organizadora da obra. As 15 escritoras do livro ouviram os mais variados relatos sobre os problemas financeiros enfrentados pelas compatriotas durante a pandemia. A Rede Solidária "não tinha como resolver a questão do trabalho, mas conseguia, por exemplo, pagar o aluguel ou o gás do mês", conta Costa. Quando o trabalho da Rede Solidária foi concluído, o grupo sentiu a necessidade de registrar essas memórias. “Nos demos conta do quanto esse momento foi único," revela a fundadora da plataforma Geni. “Nós podemos ser solidárias umas com as outras, e podemos, de fato, criar coisas muito bonitas mesmo a partir de experiências difíceis.”

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