Ciência - Biólogo português Luís Ceríaco em busca de novas espécies em Angola

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Por France Médias Monde and RFI Português descoberto pelo Player FM e nossa comunidade - Os direitos autorais são de propriedade do editor, não do Player FM, e o áudio é transmitido diretamente de seus servidores. Toque no botão Assinar para acompanhar as atualizações no Player FM, ou copie a feed URL em outros aplicativos de podcast.
Luís Ceríaco, biólogo e investigador português vai documentar toda a biodiversidade existente na Serra da Neve, em Angola, e recebeu recentemente uma bolsa da National Geography para o ajudar a cumprir esse propósito. Em entrevista à RFI, o investigador português falou sobre o trabalho que já começou a desenvolver num dos locais mais misteriosos do continente africano e que contempla várias espécies ainda desconhecidas. "Eu tenho feito trabalhos na Serra da Neve, uma montanha no sul de Angola, desde 2016. Já fizemos lá algumas expedições preliminares para conhecer o terreno e perceber o estado de conservação dessas áreas e também para sondar se existiriam lá espécies que ainda não estão conhecidas para a ciência", começou por dizer. Luís Ceríaco recebeu uma bolsa da National Geography e vai voltar ao terreno em breve com uma equipa multidisciplinar "para fazer um levantamento da fauna e da flora dessa região". O trabalho de campo deverá começar no início do próximo ano. "Esperamos encontrar várias espécies que não se conheçam de todo para a ciência. É muito provável que isso venha a acontecer. Nós, nos últimos anos, já descobrimos 2 espécies novas de répteis e anfíbios nessa montanha e é provável que pequenos mamíferos, plantas ou até mesmo alguns insectos se venham a revelar novos para a ciência", explicou Luís Ceríaco, salientando, porém, que também podem existir outras espécies conhecidas pela ciência, mas que ainda não foram devidamente estudadas e documentadas. Questionado pela RFI acerca dos riscos da profissão, o biólogo português respondeu, retratando a essência das suas funções diárias. "Os trabalhos em contexto de campo acarretam sempre muitos riscos, sejam em África, na América do Sul, na Ásia ou até mesmo na Europa. Estando no campo, estamos longe de hospitais e outras instituições que nos possam ajudar. Estamos um pouco por nossa conta. No contexto africano, temos de ter alguma atenção aos animais selvagens e aos animais de grande porte. Por vezes, estamos a 12 horas do hospital mais próximo sem cobertura de telefone", explicou. Luís Ceríaco não tem medo de correr estes riscos por amor à sua profissão. O desejo de contribuir para o conhecimento de mais espécies é a sua motivação. Actualmente, existem 2 milhões de espécies conhecidas e 8 milhões ainda por descobrir. "Eu e os biólogos reconhecemos que estamos numa crise brutal do planeta. A biodiversidade está bastante ameaçada, não só por causa das alterações climáticas, mas por muitas outras acções causadas pela crescente população humana. Estamos a assistir a um desaparecimento em massa da biodiversidade. Sabemos também que da biodiversidade global nós conhecemos pouco mais de 1/5. Temos mais ou menos 2 milhões de espécies conhecidas e a nossa estimativa é que faltem descobrir e descrever 8 milhões", salientou. O biólogo português deixou ainda uma importante reflexão sobre a biodiversidade: "A biodiversidade é como uma biblioteca, só sabemos o que lá está quando lemos cada um dos livros, mas o que neste momento estamos a vivenciar todos os dias é uma grande crise, ou seja, estas espécies estão a desaparecer, estes livros estão a arder, às vezes sem os conhecermos, daí ser importante fazermos todos os esforços para conhecer a biodiversidade mesmo que isso comporte riscos".

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