Ciência - O tratamento e reciclagem dos resíduos em Moçambique com AMOR

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Em Moçambique, foi anunciado há alguns dias que o país vai exportar anualmente 600 toneladas de resíduos recicláveis para a sua transformação por empresas parceiras em África e na Ásia, no âmbito do Mecanismo de Recuperação de Moçambique. Segundo a legislação moçambicana, o pelouro da gestão dos resíduos está colocado sob a responsabilidade das autoridades locais, mas o Observatório do Meio Rural refere que em Moçambique "a prestação de serviços para a gestão de resíduos sólidos é, geralmente, limitada às áreas formalmente urbanizadas. Cerca de 70% da população urbana vive em assentamentos informais em que a gestão de resíduos sólidos é pobre", estimando-se que "as autoridades municipais facilitam a recolha de 61% dos resíduos gerados". O resultado desta situação, são lixeiras com resíduos a decompor-se a céu aberto, ou então lixo queimado junto das habitações, com efeitos negativos para a poluição do ar e a saúde pública, ao constituir o terreno para surtos epidémicos. No ano passado, a cidade da Beira instalou centros de tratamento de resíduos, no intuito de incentivar o desenvolvimento sustentável das zonas onde foram colocadas as vítimas do ciclone Idai, que varreu a região em 2019. O lixo é recolhido, tratado e transformado localmente ou então exportado para sua utilização na indústria. A Associação Moçambicana de Reciclagem (AMOR), organização ambientalista criada em 2009 presente em Maputo, Vilankulos, Beira e igualmente em Pemba, tem participado neste processo. Em entrevista à RFI, Alfredo Zunguzi, gestor de projectos na AMOR na cidade da Beira, falou da actividade desta associação e do impacto que tem tanto a nível ambiental, como a nível social. "A AMOR tem treinado os catadores organizados em associações. Em Maputo, existe uma associação de mulheres catadoras que foi formada pela AMOR e recebe assistência, isso acontece igualmente em Vilankulos e, na Beira, está-se igualmente a fazer essa assistência", explica o gestor de projectos que estima a 1.500 o número de pessoas ligadas à associação envolvidas na recolha de lixo. "As pessoas têm beneficiado alguma coisa através dessa actividade. Estima-se que em média, os catadores conseguem mensalmente uma renda de 3.000 Meticais (40 Euros). Através dessa actividade de recolha de resíduos em diferentes zonas, conseguem ter a sua renda e sustentar as suas famílias", refere Alfredo Zugunzi ao referir que o impacto social desta actividade "tem sido positivo porque as pessoas têm ganhado mais consciência ambiental, têm percebido que as suas acções para com o meio ambiente implicam consequências, nesse caso para as suas próprias vidas". Ao evocar o contexto vivenciado pelo seu país em matéria de gestão de resíduos, o activista ambiental considera que "de uma forma geral, a situação ainda é desafiadora. Contudo desde o surgimento da AMOR, muitos actores locais começaram a entrar nesse sector da gestão de resíduos quer na componente de reciclagem, quer na componente de educação ambiental. Já há um movimento que se nota principalmente nas grandes cidades, com educação ambiental nas escolas, nas comunidades. É um trabalho que a AMOR já vem desenvolvendo há mais de dez anos. Outros actores surgiram nesse período e podemos dizer que foi um ganho porque muitos já abraçaram a causa", conclui Alfredo Zunguzi.

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