Fé e Crença | Ampulheta 40

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Meu nome é Giancarlo Marx e hoje eu vou falar sobre o tema: Fé e Crença.

“- Chapolim, você acredita nos defuntos?

– Não, são muito mentirosos.

– Não, não, não. O que eu quero dizer é se acredita que existam os mortos.

– Mas é claro! O que você acha, por acaso, que jogam nas covas dos cemitérios?”

Se você se lembrou (e talvez até riu) desse diálogo nonsense do Chapolim no episódio A Mansão dos Fantasmas, sinto muito, mas acabou de entregar a idade. Assim como eu, eu sei. Mas essa piada de tiozão também pode ser muito útil para fazermos uma distinção definitiva entre duas palavras que costumam ser confundidas como se fossem sinônimas: fé e crença.

Vamos começar de trás pra frente. O que é a crença? E no que ela difere da fé?

Um bom ponto de partida é o que Tiago nos escreveu no capítulo 2, verso 19 de sua epístola:

“Você crê que existe um só Deus? Muito bem! Até mesmo os demônios crêem — e tremem!”

A crença é uma convicção. Uma informação reconhecida como verdadeira. Nada mais.

Se perguntarmos às pessoas nas ruas de São Paulo se elas crêem em Deus é bem provável que verifiquemos uma parcela muito grande de “believers”. Pessoas que não são ateus. Que acreditam em alguma forma de divindade.

Se restringirmos um pouco mais a questão, por exemplo, perguntando se as pessoas crêem no Deus da bíblia. Ainda assim, é bem capaz que mais da metade dos entrevistados responda positivamente.

Mas assim como defende o autor da epístola, a fé que não converte em ações é “morta”.

Isso não significa que a pessoa deixou de acreditar em Deus. Ela ainda acredita. Porém se esta crença nada produz, ela não poderia sequer ser chamada de fé. Afinal, a ação é o distintivo da fé.

O autor da carta aos Hebreus afirma que a fé é o fundamento daquilo que se espera. Ou seja, um alicerce forte para aquilo que ainda não se materializou. Isso pode ser interpretado como se ele estivesse se referindo à fé como uma convicção firme naquilo que está por vir. Mas é mais do que isso.

A fé é, antes, o conjunto de elementos sólidos sobre os quais edificamos aquilo que ainda não vemos. Como se fosse a fundação de uma casa mesmo, ainda sem paredes, portas, janelas, telhado… Mas que já suporta (potencialmente) todas estas coisas que ainda não são visíveis.

A fé compreende os ensinos de Jesus, dos apóstolos, profetas, dos poetas, etc. Também a tradição da igreja oral, escrita, musicada, etc. A todo esse arcabouço sobre o qual está sendo edificada a igreja de Cristo, chamamos de fé.

Deste modo a leitura de Hebreus 11:6 ganha mais profundidade.

“Sem fé é impossível agradar a Deus. (até aqui tudo bem) Quem deseja se aproximar de Deus deve crer que ele existe (ou seja, deve crer) e que recompensa aqueles que o buscam (ou seja, deve agir).”

Isso significa que crer é apenas o primeiro passo para a fé. E na verdade nem há muito mérito nisso. Nós cremos simplesmente porque a misericórdia de Deus nos alcançou. Isso não nos faz melhores que ninguém. Por outro lado, pode nos fazer piores.

Jesus contou uma parábola que ilustra bem essa distinção e, assim como o autor da carta aos hebreus, nela Jesus se referiu à fé prática como o alicerce de uma edificação. O texto bem conhecido está lá em Mateus 7:24-27

“Quem ouve minhas palavras e as pratica é tão sábio como a pessoa que constrói sua casa sobre uma rocha firme. Quando vierem as chuvas e as inundações, e os ventos castigarem a casa, ela não cairá, pois foi construída sobre rocha firme.

Mas quem ouve meu ensino e não o pratica é tão tolo como a pessoa que constrói sua casa sobre a areia. Quando vierem as chuvas e as inundações e os ventos castigarem a casa, ela cairá com grande estrondo.”

O texto é claro em dizer que ambos os personagens ouviram as palavras de Jesus. E eu poderia apostar que, tanto o sábio quanto o tolo da parábola foram à igreja, cantaram os louvores de olhos fechados, ouviram o sermão atentamente, deram o dízimo, receberam a bênção apostólica com as palmas das mãos viradas pros céus e no final do culto até saíram juntos pra rachar uma pizza. Ambos são crentes. Ambos se assentaram pra ouvir a voz de Jesus. Mas só um deles edificou sobre o firme fundamento da fé. Porque só um deles converteu sua crença em fé por meio de uma aplicação prática do ensino de Jesus.

E agora? Talvez isso nos leve a repensar se aquilo que costumamos chamar de “crise de fé” não esteja mais pra uma mera “crença vacilante”. Uma crise de crença. E talvez muitas das vezes que consideramos que estamos “fortes na fé”, na verdade é bem possível que estejamos apenas “inertemente convictos”. Sem ação. Anestesiados e orgulhosos.

Que Deus nos livre da incredulidade. Mas também da crença em uma fé morta.

Um forte abraço e até o próximo Ampulheta.

PARTICIPANTES:
Giancarlo Marx

COISAS ÚTEIS:
– Duração: 06m48s
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CITADOS NO PROGRAMA:
Vídeo do Chapolim usado no programa
Tiago 2:19
Hebreus 11:6
Mateus 7:24-27

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