Cultura - "Man Ray e a Moda" exibe obra do fotógrafo americano sob ângulo desconhecido do público em Paris

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O fruto das lentes de um dos fotógrafos mais icônicos do século 20 sob um ângulo desconhecido do público. Esse é o objetivo da exposição "Man Ray e a Moda", em cartaz no Museu de Luxemburgo, em Paris. Pioneiro da fotografia de moda, Emmanuel Radnitsky – verdadeiro nome de Man Ray – chegou dos Estados Unidos na capital francesa no início dos anos 1920. A fotografia, que não era considerada uma arte pelo americano, não fazia parte de seus planos. Amigo de Marcel Duchamp, Jean Cocteau e Francis Picabia, seu objetivo era se dedicar à pintura. Para Man Ray, a fotografia era apenas uma forma de sobreviver na Paris dos anos 1920. Não era à toa que ele se autodesignava um "fautographe", uma brincadeira com a palavra "faute" (erro, em francês) e "photographe" (fotógrafo). Para ser reconhecido como um artista, ele criou uma nova estética, levando o dadaísmo e o surrealismo para as revistas Vogue, Vanity Fair, Harper's Bazaar, e conquistando grandes nomes da moda, como Paul Poiret, Gabrielle Chanel e Elsa Schiaparelli. Essa incessante busca para elevar a fotografia a seu conceito de arte também estimulou o americano a desenvolver e aplicar novas estéticas e técnicas em suas fotografias, como a "solarização" e a "reticularização", além da granulação e transposição de imagens – artíficios tão vanguardistas quanto valiosos, que continuam a influenciar o mundo da moda. "Man Ray inspira até hoje os estilistas, como Martin Margiela, por exemplo, atraído por esse lado surrealista de sua obra. Já dentro do universo da fotografia, ele criou astúcias em um tempo onde não havia Photoshop. Essas técnicas continuam sendo utilizadas pelos fotógrafos, mas digitalmente, através de programas. Man Ray fazia isso manualmente: ele foi um pioneiro dos efeitos", avalia a curadora da exposição e historiadora de moda, Catherine Ormen. A conexão entre a cultura de massa e a arte abstrata atravessou as décadas e também continua a encantar o público. Para visitar a exposição no Museu de Luxemburgo, por exemplo, é necessária uma reserva prévia de bilhetes para evitar grandes aglomerações nas salas. Para vários dias da mostra, os horários já estão esgotados. "Acho que o que encanta o público é simplesmente a magia que vem do surrealismo, que perturba a visão ordinária das coisas. É a descoberta de algo estranho. Além disso, a moda é algo que fala a todos, por isso o público dessa exposição é tão diversificado. Essa 'estranheza' nas fotografias de Man Ray não assusta e faz sonhar. Ele escapa da visão de documentarista das roupas para fazer algo que incita o sonho. Ele soube dar essa pincelada onírica às suas fotos", afirma Catherine Ormen. Várias das célebres obras de Man Ray estão expostas no Museu de Luxemburgo, como Preto e Branca, em que a companheira Kiki de Montparnasse posa ao lado de uma máscara; As Lágrimas, clicada para uma publicidade de maquiagem; Mulher com Cabelo Longo, além dos famosos retratos de Gabrielle Chanel e de Lee Miller, modelo e estagiária de quem Man Ray se tornou amante e que, mais tarde, teve uma brilhante carreira como fotógrafa de guerra. Para Emmanuelle de L'Ecotais, historiadora de arte e especialista na obra do americano, através das imagens, o artista conseguiu entrar no inconsciente coletivo. "Há algumas obras que Man Ray criou nos anos 20 que se tornaram ícones, que todo mundo conhece. Elas têm um impacto visual tão grande que até hoje funcionam extremamente bem. Acho que dois aspectos principais atraem o público: a força estética dessas imagens, mas também a profundidade – porque as fotos de Man Ray têm um sentido, não são apenas belas imagens. Há algo por trás do aspecto visual que é sempre muito intrigante e que cria uma espécie de fascinação", diz. Mulher ocupa espaço central na obra de Man Ray A exposição no Museu de Luxemburgo também evidencia o espaço central da mulher na obra de Man Ray. Longe de ser um objeto, como para muitos fotógrafos de moda, as personagens do surrealista americano têm protagonismo e força. Segundo Emmanuelle de L'Ecotais, o artista acompanhou e foi influenciado pela liberação das mulheres. "Ele vive nessa época, os anos 1920 em Paris, quando a situação da mulher está mudando: elas começam a usar calça, a fumar, a cortar os cabelos, têm Gabrielle Chanel como representante. E Man Ray era fascinado pelas mulheres e pela feminilidade. Então, ele tem essa vontade de valorizar a mulher. Em suas fotos, as personagens femininas não são consideradas como um objeto, mas são cultuadas, devido à sua fascinação e a seu amor incondicional." A exposição "Man Ray e a Moda" fica em cartaz no Museu de Luxemburgo, em Paris, até 17 de janeiro de 2021.

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