Cultura - Novo espaço de arte contemporânea em Paris marca volta da vida cultural após lockdown

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Depois de meses de lockdown, a vida cultural de Paris começa a respirar de novo, em etapas, com passos cuidadosos, já que o vírus continua à espreita. Nessa primeira leva de relaxamento das restrições sanitárias, a capital francesa ganha um novo endereço para a arte contemporânea, a Bourse de Commerce. Obras efêmeras e discussões contemporâneas fazem o visitante refletir sobre o tempo. Reportagem de Patricia Moribe Por trás disso, ou melhor, na frente, está o bilionário francês François Pinault, 84 anos, que há muito tempo sonhava com um templo todo seu em Paris para exibir nacos de seu ostensivo acervo de milhares de peças. Ele já tinha tentado, sem sucesso, um projeto no espaço que hoje abriga a sala de concertos La Seine Musicale, na île de Seguin, em um subúrbio próximo de Paris. Impedido pela burocracia, Pinault acabou criando dois centros de arte contemporânea em Veneza. Há cinco anos, o bilionário e a prefeitura de Paris anunciaram um acordo para o uso do prédio que foi moradia de vários nobres. O local não poderia ser mais central, bem no coração da capital, no primeiro distrito, a meio caminho entre o Centro Pompidou e o museu do Louvre. Pinault vai poder ocupar o privilegiado endereço pelos próximos 50 anos. Quem o acompanha nessa aventura é o seu arquiteto de predileção, o japonês Tadao Ando, que adaptou os palazzi de Veneza e também assinou o projeto anterior nos arredores de Paris. Ando aproveitou a casca do edifício, ou seja, manteve toda a estrutura e a abóbada, e no interior construiu uma rotunda de concreto. Desta forma, os espaços de exibição respeitam o eixo circular. François Pinault supervisionou e deu o parecer final das várias exposições que compõem “Abertura”, a primeira temporada do novo espaço, como conta Catherine Burgeois, curadora da coleção Pinault. “São espaços bem diferentes. Para a rotunda, a ideia foi propor ao artista Urs Fischer uma adaptação de uma obra sua que já fazia parte do acervo. Tentamos dar uma ideia da coleção, que é engajada com artistas de universos diferentes. No térreo, por exemplo, temos uma monografia de David Hammons. É a primeira vez que esse artista é exibido com tanto destaque na Europa.” Todo formato cabe na Bourse de Commerce: pinturas, vídeos, esculturas. Em uma galeria dedicada à fotografia, a sociedade contemporânea é o foco de artistas como Michel Journiac e Cindy Sherman. Vários artistas evocam através de suas obras a identidade negra, como o próprio Hammons ou o brasileiro Antonio Obá. Obras de estrelas da arte contemporânea, como Jeff Koons e Damien Hirst, se mesclam com descobertas revigorantes. Numa rara entrevista recente à radio France Inter, Pinault diz que conta com uma equipe de curadores espalhados pelo mundo, para ajudá-lo na caça de talentos. Mas a imagem que deve marcar essa “Abertura” é a gigantesca “Rapto das Sabinas”, uma reprodução em cera da obra prima do italiano Giambologna, do século 16, exposta em Florença. Trata-se de uma verdadeira vela gigante, cujo pavio foi acendido na inauguração e vai consumir a escultura aos poucos. Ao redor, outras obras em cera de outros artistas também vão se transformar com o tempo. “O conjunto criou uma espécie de universo em que o público pode deambular. Essa composição já foi apresentada na Mostra de Veneza e dura entre seis e oito meses. Isso tudo será filmado. Portanto, se uma pessoa vier daqui a três meses, ela vai ver uma nova etapa das peças, mas um vídeo vai mostrar como tudo era antes. O desaparecimento é tão belo quanto a forma inicial e podemos apreciar a beleza do passar do tempo”, explica Catherine Bourgeois. O espaço Bourse de Commerce foi inaugurado no último dia 23 de maio e fica no centro de Paris, pelos próximos 50 anos.

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