Economia - Com plano de reabertura e vacinação, França se prepara para retomada do turismo

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O anúncio da reabertura progressiva da França anima o setor do turismo no país mais visitado do mundo. Na medida em que vacinação contra o coronavírus avança na Europa, hotéis, restaurantes, museus e outras atrações devem voltar a abrir as portas no fim de junho, quando as restrições de horários de deslocamento e funcionamento deverão ser derrubadas. O plano do presidente Emmanuel Macron prevê quatro etapas, que serão atingidas se os números de contaminações e mortes continuarem a baixar. A última é planejada para 30 de junho, início do verão europeu, com a reabertura quase completa do país – apenas boates e casas de espetáculos permaneceriam fechados. O calendário e as perspectivas foram comemoradas por Roland Héguy, presidente da maior entidade representante da hotelaria francesa, UMIH. Os restaurantes estão fechados há cinco meses em todo o país e as atrações de lazer, desde novembro. "Não se reabre um hotel ou um restaurante em um estalar de dedos. Tem todo um setor que é movimentado, fornecedores de bebidas e alimentos”, afirma. "Nós trabalhamos junto com o governo para planejar tudo isso, com o Ministério da Saúde, da Economia, o gabinete do primeiro-ministro. Haverá um protocolo sanitário reforçado, para receber, num primeiro momento, um limite de 50% da clientela." A reabertura dos cafés e restaurantes, em meados de maio, marcará o começo da esperada retomada, argumenta Héguy. "Há claramente uma vontade dos jovens, e nem tão jovens, de voltar a se encontrar para tomar um drink na rua. Dá para sentir isso há bastante tempo”, observa. Em 2020, o país perdeu € 60 bilhões em receitas do turismo, que representa 7,4% do PIB francês. Passaporte sanitário viabiliza retorno de estrangeiros Os hotéis e pousadas já tiram a poeira dos quartos para receber os turistas. A maioria ainda deve ser franceses, mas a adoção de um passaporte sanitário europeu, debatida no bloco para beneficiar quem já estiver imunizado contra a Covid-19, deve trazer de volta viajantes de países vizinhos, ainda que timidamente. A brasileira Sâmia Duarte e o marido mantêm a pousada Solar de Provence na charmosa região do sul da França. Ela conta que os anúncios de Macron fizeram o telefone disparar. "Temos tido bastante demanda já para maio e junho e as perspectivas para o verão são realmente muito positivas. Já estamos lotados de 10 de julho até metade de setembro”, revela. "Muitos estrangeiros já estão contando que poderão voltar à França neste verão. O nosso público nessa época sempre foi mais de estrangeiros: alemães, belgas, suíços”, indica. A Comissão Europeia e o próprio presidente francês sinalizaram que os americanos, cada vez mais vacinados, voltarão a ser bem-vindos no continente europeu. Atrás apenas dos chineses, tradicionalmente eles são os que mais gastam durante as férias em Paris. Por enquanto, não está prevista a reabertura das fronteiras para turistas brasileiros, por conta da situação da pandemia no país. Ocupação ainda muito abaixo do normal Apesar das perspectivas positivas em relação aos últimos meses, Corinne Menegaux, diretora-geral do Escritório de Turismo de Paris, mantém a cautela. Ela assegura que o setor continuará a precisar de apoio do governo, já que a retomada não será total. “Se reabrirmos e ficarmos com a clientela muito local e sobretudo nacional, como provavelmente deve ser o caso neste verão, e com poucos clientes da Europa, continuaremos ainda muito abaixo da nossa frequentação habitual. Receber 40% dos turistas, em vez dos 100% que costumamos ter no verão, faz com que a cadeia continue sem conseguir suportar essa diferença”, explica. "Os custos fixos são muito altos e o setor só funciona bem quando tem ocupação a 100% na alta temporada”, complementa. Atualmente, cerca da metade dos hotéis parisienses estão abertos, porém com ocupação de apenas 20% no período de um ano. Em tempos normais, o índice é de 75%. Em 2020, a região parisiense recebeu apenas 12 milhões de visitantes, menos de um terço do que no ano anterior. O fim do lockdown apenas na metade deste ano deve fazer com que, em 2021, este número permaneça estável.

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