Em directo da redacção - Marisa Matias: a candidata que "não quer deixar ninguém para trás"

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A candidata do Bloco de Esquerda às presidenciais portuguesas garante que "a prioridade é ter um programa claro de resposta à crise". Nas próximas semanas, Marisa Matias compromete-se em "dar voz às pessoas que têm sido invisíveis no contexto da crise pandémica". RFI: Há condições para manter a campanha e para garantir que os portugueses votem em segurança no próximo dia 24 de Janeiro ? Marisa Matias: Não podemos suspender a democracia. Todos os sectores da sociedade estão a enfrentar dificuldades muito grandes. No caso da campanha, as dificuldades acrescem-se, mas temos que nos adaptar, cumprindo as normas sanitárias, respeitando as recomendações das autoridades de saúde. Estes são tempos difíceis para toda a gente, o que não significa que se deva suspender a democracia das eleições. Temos que nos adaptar e fazê-lo da melhor maneira possível. Caso seja eleita Presidente da República, qual vai ser a sua prioridade ? A prioridade maior é ter um programa claro de resposta à crise. Esse programa passa por vários eixos que estão num quadro de influência de um Presidente ou de uma Presidente da República, mas é não deixar ninguém para trás através do reforço dos serviços públicos, através do combate às condições de trabalho precárias, através de colocar a agenda para a igualdade e a agenda do combate às alterações climáticas no centro da política e garantindo uma comunicação e uma presença mais regular junto das comunidades portuguesas, garantindo e salvaguardando os direitos das comunidades portuguesas que estão a ser ameaçados, não só os direitos democráticos, mas os próprios acessos à aprendizagem da língua e outros, muitos, que compete ao Presidente ou à Presidente no exercício das suas funções. Ser mesmo Presidente de todos os portugueses. Quanto às relações externas, qual é o papel que o ou a Presidente da República pode ter no reforço das relações com os países afro-lusófonos? É um papel fundamental porque estamos a falar do maior representante do país em relação ao exterior, em relação a todo o contexto externo e, desse ponto de vista, é de facto um papel importante na forma como define as relações diplomáticas e esse desempenho deve ser feito do fundo respeito pelos direitos humanos e pela defesa dos povos. Não apenas para dentro, mas para fora e isso determina o comportamento das relações diplomáticas da parte da Presidente. Eu gostava mesmo de ver uma relação mais entre iguais no que toca aos países da CPLP, desde logo creio que ainda há muita desigualdade no tratamento e nós precisamos de fazer um caminho para que não seja assim. A seu ver, o chefe de Estado pode garantir o sucesso da presidência portuguesa do Conselho da União Europeia? Esse é um papel, e bem, que é mais da responsabilidade do governo. É o governo português que assume a presidência do Conselho e portanto é o governo que é responsável pelo exercício desta presidência nestes seis meses. A obrigação do Presidente, neste caso, é a de ter cooperação institucional que permita que esta presidência decorra nas melhores condições e que seja um elemento que ajude ao sucesso do exercício dessas funções. Com base nas últimas sondagens - nas quais surge em quarta posição, com 6,4% das intenções de voto - a hipótese de desistir da candidatura e alinhar-se à candidatura de Ana Gomes está em cima da mesa? Não. Estas sondagens estão em linha com as sondagens de há cinco anos por esta altura, em que também aparecia em quarto lugar ou às vezes quinto. Comparativamente com outras candidaturas, como era o caso da candidatura de Maria de Belém, [eu] aparecia nesta altura com um terço ou um quarto das intenções de voto. Eu não comento sondagens, o que quero é que esta campanha decorra nas melhores condições para que as pessoas possam exercer o seu direito de voto no dia 24 e aí expressar livremento a sua escolha. Neste momento, o que tenho que ter é a capacidade de, dentro de um contexto muito limitado como é aquele que estamos a viver, dar voz às pessoas. O mais importante neste momento é mesmo ao longo destas semanas de campanha dar voz às pessoas que têm estado sempre tão invisíveis no contexto da crise pandémica. Esse é o trabalho que é preciso fazer e garantir que essas pessoas podem ter esse espaço, que ninguém é deixado para trás e depois aguardar pela eleição, no dia 24. Marisa Matias, 44 anos, socióloga e eurodeputada eleita pelo Bloco de Esquerda desde 2009, partido de que é dirigente, integra a Mesa Nacional e a Comissão Política. Em 2016 foi candidata às presidenciais, tendo ficado em terceiro lugar, com 10,12% dos votos, o melhor resultado de sempre de um candidato presidencial do Bloco de Esquerda.

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