Portugal: surfistas brasileiros participam de competição de ondas gigantes em Nazaré

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Com previsões de ondas gigantescas sendo aguardadas entre os dias 7 e 13 de dezembro e o WSL Nazaré Tow Surfing Challenge, competição organizada pela Liga Mundial de Surfe, que deve acontecer em breve, os surfistas brasileiros já estão se preparando para mais um grande desafio na famosa Praia do Norte, em Nazaré. Luciana Quaresma, correspondente da RFI em Portugal Rodrigo Koxa, atual detentor do recorde mundial da maior onda surfada na história, é um dos brasileiros que participará do campeonato e está treinando em Nazaré. Ele conquistou o título em 2017, ao surfar uma onda de quase 25 metros, na mítica praia portuguesa que é considerada o “maracanã do big surfe”, também conhecido como tow-in. A boa notícia, conta, é que no dia 11 de dezembro, no sábado seguinte, a previsão é de ondas de 50 e 60 pés (cerca de 18 metros), com vento terral, liso, e sol - a configuração perfeita para a competição. "Lá de cima, a visão é quase como de um drone. Dá para entender toda a dinâmica que acontece no mar, a movimentação dos jet skis, a entrada na onda de tow-in (modalidade que o surfista é rebocado por um jet-ski). E da água a gente consegue ouvir a galera gritando. Numa onda bem surfada eu já cheguei a terminar a onda e olhar pra galera e comemoro com a torcida como se fosse um gol! A galera retribui! É realmente demais!”, explicou o brasileiro que tem o nome no Guinness World Records com a onda surfada na Praia do Norte. Koxa, que bateu o antigo recorde conquistado pelo americano Garret McNamara por 61 centímetros, e já está na sua nona temporada na Praia do Norte, considera que Nazaré é um dos maiores palcos para o surfe de ondas grandes. “A Nazaré é a bola da vez! É a onda que todos os big riders. buscam. Qualquer big rider que já viajou o mundo inteiro, quando coloca o pé, consegue se superar", diz. "Todo mundo arrumando jet ski, pranchas, conectando parcerias, alinhando equipe, back up, spotter… Essa é a nossa realidade. Isso é o que a gente vive aqui, é a vida como ela é. A onda gigante tem que ser respeitada, a gente sabe que lá fora, quando o bicho pega, temos que ter tudo alinhado, exatamente como foi planejado. Qualquer erro pode ser um erro fatal!”, afirma. Segurança aquática Esta é a sexta temporada em Nazaré do paranaense conhecido como Alemão de Maresias, um dos pilotos de segurança aquática mais reconhecidos do mundo. O experiente surfista e piloto de tow-in será o responsável pela segurança de mais uma edição do Nazaré Tow Surfing Challenge. “Essa previsão que esta se formando nos gráficos aqui pra Nazaré, sem dúvida é uma ondulação muito boa. A expectativa é que tenham grandes ondas nas próximas semanas", diz. "Já se tornou parte do calendário e da rotina dos surfistas de ondas grandes: buscar esta experiência de surfar a onda de Nazaré, para brasileiros que se destacam sempre como, por exemplo, o recordista mundial, Rodrigo Koxa, o grande campeão aqui da Nazaré o Lucas Chumbo, a Maya Gabeira e eu como piloto, dando suporte pra eles. É um grupo muito forte e estão todos na expectativa para que corra tudo bem e que a gente traga o melhore resultado para o Brasil", completa. Para Alemão, cada temporada é sempre uma nova experiência. "Estou estou junto com a equipe do Garret Mcnamara trabalhando no projeto do “100 foot wave” e já vamos para a terceira temporada. Minha função é basicamente pilotar e fazer a segurança deles. Também posso surfar, mas minha obrigação principal é mesmo a segurança. Estou também no evento do Nazaré Tow Surfing Challenge onde serei um dos diretores de segurança dentro da água”, explica. À espera das "bombas" de Nazaré O surfista de São Bernardo do Campo, Marcelo Luna, que viu sua vida transformada pelo surfe, também está à espera das tão aguardadas “bombas” do Canhão da Nazaré, produzidas por um dos maiores canhões submarinos da Europa através de um buraco gigante no fundo do mar: são 227 quilómetros de extensão e 5000m de profundidade. Aos 36 anos, Luna que teve sua estreia na Praia do Norte em 2016 e desde então foi indicado por três anos consecutivos (2017, 2018 e 2019) ao Big Wave Awards, o Oscar das ondas gigantes. Ele diz estar 100% preparado para o que vier. “Como atleta que sou, há dois anos venho me preparando. A preparação física agora é só manter e fazer aquilo que um atleta faz e conhece: treinar, academia, alongar, deixar o corpo em dia, fazer mesmo a manutenção como gosto de dizer. A gente sempre fica na expectativa", conta. "A previsão diz que vai ser gigante e já dá aquele frio na barriga. O swell é muto grande, ou seja, a corrente marítima que está vindo é gigante. Os números são bem poderosos, mas ainda tem muito vento então a gente está na expectativa de que vá melhorar e a torcida sempre é pra que melhore, claro!", diz. Coragem, treino e infraestrutura Para surfar ondas gigantes, além de coragem e muito treino, é necessário uma grande infraestrutura. Nesta temporada, Luna conta com um time de experientes portugueses que conhece as ondas da Praia do Norte como poucos. “O surfe de ondas gigantes, ele não funciona sozinho. É cmo uma Fórmula 1 do surf", compara. "A gente precisa de mecânicos, de dois pilotos, de um spotter, de olhos fora, de binóculos, de uma grande estrutura mesmo de equipe. Eu estou muito feliz de trabalhar com dois portugueses este ano, dois homens do mar, literalmente", ressalta. Um deles é Jorge Leal, diz Marcelo Luna, responsável por todas as imagens das primeiras temporadas em Nazaré. "Ele pilota também e tem sido meu piloto. Também tem o Nuno “Stru” Figueiredo que é o recordista de kitesurfing da maior onda surfada no mundo, aqui em Nazaré, com quem tenho tido uma troca muito grande. Quero ajudar a elevar o nível deles também para entrarem em um outro patamar e estamos esperando por essa oportunidade. Para superar aquilo que eu já surfei, o mar tem que ser muito grande então estamos esperando por isso e vamos correr este risco juntos, mas muito preparados", resume.

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