Esportes - Goleiro Navas foi o herói da classificação do PSG contra o Barcelona na Liga dos Campeões

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Nem Neymar, nem Mbappé. Após dois jogos contra o Barcelona, o grande herói da classificação do PSG para as quartas-de final da Liga dos Campeões da Europa foi o goleiro Keylor Navas. Foi ele quem garantiu o empate de 1 a 1 no jogo da última quarta-feira (10), resultado que fez o time parisiense eliminar o famoso rival e seguir adiante na competição. Navas fez grandes e importantes defesas durante a partida, e principalmente, defendeu o pênalti batido por Lionel Messi no finalzinho do primeiro tempo, que poderia ter mudado completamente o resultado e a dinâmica da partida. Ao final do jogo, em entrevista ao canal RMC Sport, Navas falou do momento que o consagrou e por que dedicou a defesa ao seu companheiro de PSG, o goleiro Sergio Rico. "Sempre é difícil, principalmente de frente com Messi porque ele bate bem. Mas graças a Deus, estive muito concentrado e pude fazer a defesa e me encheu de alegria. Dedico esse pênalti para Sergio e sua família que estão passando um momento difícil, e também à minha família. Estou contente", disse. No dia seguinte, as manchetes da imprensa esportiva francesa elogiaram a performance do goleiro costa-riquenho, tratado como grande responsável pela classificação, ofuscando em parte o feito do jovem atacante Kylian Mbappé, autor de três gols na vitória de 4 a 1 do PSG no Camp Nou, três semanas antes. Neymar, ausente nos dois jogos por causa de uma contusão, viu das arquibancadas brilhar a estrela de um goleiro discreto, mas saudado como um dos melhores do mundo atualmente. Para Le Figaro, Keylor Navas, discreto, trabalhador e decisivo é o "anti-herói" que salvou o Paris Saint-Germain. Navas é o verdadeiro "Messias", estampou o jornal esportivo de referência na França, L’Équipe. A nota atribuída ao melhor jogador em campo foi 9, justificada por uma noite em que realizou um total de nove defesas, sendo a principal delas o pênalti. A performance de Navas afastou o fantasma de uma segunda "remontada" do clube catalão, quatro anos depois da histórica derrota de 6 a 1 do PSG no Camp Nou. L’Équipe questiona se a contratação de Keylor Navas em 2019 por "apenas" €15 milhões não seria de fato a melhor aquisição do QSI, o Fundo de investimento do Catar, proprietário do PSG desde 2011. No programa Rádio Foot Internacional, comandado por Annie Gasnier, o jornalista e consultor Dominique Séverac, não tem dúvidas de que Navas veio suprir uma lacuna no PSG que nenhum outro goleiro contratado nos últimos anos soube ocupar até o momento. "O PSG, em sua história moderna, desde o início da ‘era Catar’, nunca teve um goleiro dessa dimensão. Nem Sirigu, nem Kevin Trapp, nem Alphonse Areola, nem Gianluigi Buffon, que eles contrataram como uma espécie de marca, para exercer um papel de líder. Ele têm enfim um goleiro de alto nível. Para mim, Navas faz parte, junto com Oblak e Manuel Neuer, dos quatro melhores do mundo. E com ele muda tudo porque finalmente você pode passar uma etapa. É um goleiro que faz a equipe ganhar. O PSG nunca teve isso antes", disse. Goleiro "excepcional" De estilo discreto dentro e fora de campo, Keylor Navas chegou ao PSG vindo do Real Madrid, pelo qual ergueu três troféus da Liga dos Campeões. Com a contratação do belga Courtois, o time merengue facilitou a saída de um goleiro que se mostra cada vez mais indispensável para o progresso do Paris Saint-Germain e de suas ambições. Patrick Julliard, consultor esportivo da RFI, exalta as principais qualidades do costa-riquenho um dia depois da atuação brilhante contra o Barcelona: "Keylor Navas é excepcional. Me pergunto por que o Real Madrid forçou sua saída do clube. Ele é extraordinário, sua atuação é sem falhas", diz. "Ele tem todos os fundamentos básicos de um goleiro: não erra. Na saída de bola, ele é bom, ganha os duelos frente a frente com os atacantes. Quando um goleiro se impõe, ele intimida um atacante adversário. E debaixo do gol ele tem uma boa envergadura, mesmo não sendo muito alto. Ele é extraordinário", ressaltou. Apesar dos elogios ao melhor jogador em campo e de sua contribuição indiscutível para a classificação do PSG, os observadores esportivos não deixaram de criticar o nível do PSG durante a partida, quando foi totalmente dominado pelo time catalão no Parc des Princes. Sem conseguir tocar a bola, o time parisiense abriu o placar com um pênalti inusitado cometido pela defesa catalã no atacante Mauro Icardi. Mbappé marcou, mas depois não conseguiu mostrar todo seu talento como no jogo de ida. O PSG foi pressionado, deu liberdade a Messi, que marcou um golaço de fora da área, antes de perder o pênalti. A fraca e decepcionanente atuação do PSG dentro de casa, segundo Dominique Séverac, mostra que o time parisiense tem duas faces, e por isso deixa o torcedor confuso sobre o verdadeiro potencial desta equipe. "Existiu uma anomalia, não sei se é no jogo de ida ou de volta. Só sabemos que algo não vai bem. Não sabemos se (o PSG) corresponde mais à equipe do primeiro jogo, que superou um desafio dificílimo. Vale lembrar que o Barcelona saiu na frente com um gol de pênalti e Neymar não estava lá", observa o consultor. "O PSG nunca tinha se classificado sem Neymar. Ele não estava lá contra o Real Madrid, contra o Manchester United. É a primeira vez que o PSG se classifica sem o Neymar. Os jogadores dão a volta por cima no primeiro jogo e marcam quatro gols depois do pênalti do Barça. Mbappé fascina a Europa com os três gols. Só coisas positivas. E no jogo de volta, não reconhecemos o mesmo time. Não entendemos o que aconteceu", lamenta. Trauma ficou no passado Apesar do desempenho abaixo do esperado no jogo de volta, muito diferente do nível que encantou a Europa no Camp Nou, os jogadores do PSG comemoram o final feliz, que contribuiu para superar um dos maiores traumas da história do clube. Questionado ao final da partida pela emissora RMC Sport se a classificação o fez esquecer a famosa "remontada" do 6 a 1, o zagueiro e capitão Marquinhos, desconversou: "Estamos contentes. No futebol, tudo vai muito rápido. Um dia fazemos um ótimo jogo e três semanas depois, um jogo ruim. Mas esse era o objetivo, fazer um bom jogo, garantir o resultado aqui em casa. E conseguimos. O futebol é como uma luta de boxe, com bons e maus momentos. Mas conseguimos aproveitar nossa oportunidade", ressaltou. O voltante Marco Verrati também fez questão de valorizar o resultado final e recorreu à história para ilustrar a conquista do time parisiense: "O jogo de hoje foi mais difícil. Sabíamos que eles viriam aqui para recuperar a desvantagem de gols. Nós tivemos que nos defender e partir para o contra-ataque e buscar espaços. Nós corremos muito e nem sempre estivemos com a bola para ir ao ataque. Foi duro, mas estamos felizes. Confesso que antes de vir aqui lembrei que há 14 anos o Barcelona não deixava a competição nas oitavas de final, enquanto há 26 anos, o PSG era eliminado pelo Barça. E isso diz tudo." Já o treinador argentino Mauricio Pochettino elogiou o grupo e o resultado final depois de duas partidas muito diferentes tecnicamente, mas com o sabor de uma conquista inesquecível. "5 a 2 depois de 180 minutos, só posso estar muito feliz com essa classificação. É um grande dia para mim, principalmente porque estou aqui há apenas dois meses. Mas, paradoxalmente, sentimos um pessimismo se instalar na equipe, e isso não nos ajudou. Mas essa equipe demonstrou toda a sua força e lá aconteceu esse ‘estalo’ do ponto de vista mental. Por isso, estou feliz pela classificação às quartas", declarou Pochettino. Um sorteio no próximo dia 19 de março vai definir o adversário do PSG e os outros confrontos das quartas-de-final da Liga dos Campeões. O time parisiense vai poder contar com a volta de Neymar, com a certeza de que se depender da boa fase e das qualidades de seu goleiro, pode ainda ir muito longe na competição, e quem sabe, como na temporada passada, disputar uma nova final. "É preciso estar unido e o clube tem objetivos claros. Temos que ficar unidos e é o que vai nos ajudar a melhorar e alcançar o que desejamos", afirmou Navas.

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