#113 Trombose e covid na UTI

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Bom dia, boa tarde, boa noite! Bem vindo a mais um podcast do Medicina do Conhecimento! Nosso podcast #113. Ciência e informação a qualquer momento, em todo lugar. Eu sou Pablo Gusman, o Anestesiador. E como compartilhar é multiplicar, vamos falar eventos trombóticos e UTI. Estamos vivendo um momento ímpar na pandemia de COVID 19. Vimos que nossas unidades estão desmobilizando leitos, pois parece que estamos reduzindo as internações de pacientes mais graves. Um desafio ainda permanece. Pacientes com COVID-19 sofrem uma alta incidência de eventos tromboembólicos, associados a uma forma distinta de coagulopatia observada em pacientes com COVID 19 e que podem ser diagnosticados por ultrassom à beira do leito. Felizmente, no entanto, um estudo recente também descobriu que essa incidência não estaria associada a um risco aumentado de morte. Apesar de ser um estudo observacional realizado no Montefiore Medical Center de New York, os autores investigaram a incidência cumulativa de eventos tromboembólicos na população de pacientes internados durante e por causa da pandemia, usando ultrassom point-of-care para rastrear e diagnosticar trombose venosa profunda de membros inferiores. Foram incluídos 107 pacientes adultos (idade média de 60 anos; sendo 58% do sexo masculino), todos com diagnóstico confirmado de COVID-19 e internados nas UTIs da instituição entre abril e maio de 2020. A maioria dos pacientes eram hispânicos (55%) e 30% negros. A comorbidade mais comum foi hipertensão, seguida por diabetes e doença renal crônica. Todos os pacientes sobreviventes foram examinados no acompanhamento aos sete e 14 dias após a alta. Todos os participantes foram submetidos a um exame de ultrassonografia à beira do leito no dia 1 de sua internação na UTI. O acompanhamento foi realizado em 62% após sete dias, e 41% tiveram um exame de acompanhamento em 14 dias de pós-alta. Noventa por cento dos pacientes recebem profilaxia de TVP seguindo protocolos institucionais no momento da admissão na forma de heparina subcutânea, enoxaparina ou inibidores diretos da trombina. O estudo descobriu que os pacientes que experimentaram um evento tromboembólico tinham níveis de dímero D significativamente mais elevados do que outros pacientes que não sofreram tal evento. Nenhuma outra diferença significativa foi observada entre os grupos em outros valores laboratoriais, incluindo níveis de pico de ferritina, proteína C reativa, procalcitonina ou fibrinogênio. 12 pacientes (30%) falharam na anticoagulação terapêutica, conforme demonstrado pela ocorrência de eventos tromboembólicos apesar de estarem em anticoagulação em dose completa. A incidência cumulativa de qualquer evento tromboembólico foi estimada em 36% em 30 dias e 46,1% em 60 dias após a admissão hospitalar. Os pesquisadores também descobriram que por 60 dias, 21% dos pacientes haviam sofrido uma TVP da extremidade inferior, enquanto 10% tinham uma TVP da extremidade superior. No entanto, a ocorrência de um evento tromboembólico não foi associada a um maior risco de morte (razão de risco, 1,08; P = 0,81). Em conclusão ao estudo, os pacientes com COVID-19 na UTI têm uma alta incidência cumulativa de eventos tromboembólicos, e uma porcentagem muito alta desses pacientes falhou na prevenção de fenomenos tromboembolicos mesmo com terapia de anticoagulação, mas isso não esteve associado a uma mortalidade maior”. A ultrassonografia point of care foi uma excelente ferramenta para ajudar na triagem e diagnóstico de TVP durante a pandemia. Apesar do estudo não demonstrar correlação entre trombose e mortalidade, os pacientes acometidos com COVID 19 possuem multiplos fatores de risco que podem levá-los ao óbito. Vale também ressaltar que a anticoagulação pode não ser uma estratégia totalmente eficaz e que o rastreio de complicações trombóticas deve fazer parte da estratégia durante a internação. O que você pensa sobre o assunto? Comente nas nossas redes sociais. Afinal, compartilhar é multiplicar.

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