Meio Ambiente - Conheça os adeptos do low tech, que fabricam as próprias máquinas e equipamentos

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Ser escravo da tecnologia ou fazer dela uma aliada? A reflexão inspira livros, filmes e, para muita gente, se transforma em medidas bem concretas para dependerem menos dos produtos eletrônicos encontrados nas lojas. Os adeptos da low tech não apenas se opõem ao consumo desmedido e se revoltam contra a era dos produtos programados para estragar – para eles, fabricar as próprias máquinas e equipamentos é também uma maneira de reconquistar toda a criatividade e a autonomia do ser humano face à industrialização. Na França, o hábito do "faça você mesmo” é tão enraizado na cultura que tem até um nome: bricolage. O bricoleur típico aprendeu desde a infância a consertar os brinquedos e a criar novos, uma habilidade que hoje lhes permitem contornar a dependência da tecnologia. No campo, essa capacidade se torna valiosa. A compra e a manutenção de maquinário agrícola representa uma fatia considerável das despesas de qualquer agricultor. Na França, uma cooperativa de produtores decidiu baixar essa conta fazendo os equipamentos com as próprias mãos. "Com a autoconstrução, fabricamos um material mais adaptado, por quatro vezes menos”, resume um dos instrutores do Atelier Paysan, Vincent Bratzlawsky. Quem sabe fazer, sabe consertar Vincent alega que, para vender mais, uma indústria oferece um produto que agrada ao maior número possível de clientes – mas o resultado final não contenta ninguém completamente. As necessidades mudam em função do tipo de plantação e do uso do solo que se deseja fazer, aponta Erwan Humbert, instalado a 30 km de Paris. "Hoje eu ofereci a minha propriedade para receber na região um curso do Atelier Paysan, que possibilita aos agricultores tomarem o controle da mecanização da produção e terem ferramentas bem adaptadas ao que eles gostariam de fazer, em vez de se adequar ao que existe no mercado”, explica o produtor de legumes. Com frequência, para confeccionar as máquinas, eles reciclam equipamentos estragados e abandonados. Os mecanismos são simples e o acabamento, rudimentar. Mas para Bratzlawsky, isso é um mero detalhe. "Esse hábito faz com que a gente tenha mais autonomia, afinal uma máquina que sabemos fabricar, saberemos também manter e consertar. Não somos mais dependentes dos fornecedores”, afirma. "Os produtores vêm para aprender a trabalhar o aço, soldar, cortar e perfurar. Em 80% das vezes, quando eles vêm aqui, eles querem pensar coletivamente numa máquina nova, que todos vão querer fazer e ter.” Bricoleur influencer No país, há diversas iniciativas de promoção da low tech, como essa. Do outro lado da França, perto de Lyon, Barnabé Chaillot se tornou um exemplo de como as tecnologias podem servir para divulgar invenções do homem. Foi numa famosa plataforma de vídeos online que ele se tornou uma espécie de bricoleur influenciador. O canal dele tem mais de 217 mil inscritos e um dos seus vídeos, em que ele ensina a fazer um aquecedor de água, já foi vistos mais de 2,4 milhões de vezes. A aventura começou quase como uma brincadeira: o francês se arriscou a fabricar o próprio gerador de energia eólica. "Eu queria me ver livre das fornecedoras de energia, ou pelo menos depender o mínimo possível delas, produzindo eu mesmo uma parte da minha luz”, alega Chaillot. A experiência não deu certo, como mostram os diversos protótipos que agora decoram como troféus o pátio da sua casa. Mas o interesse pelo canal estimulou o bricoleur a desvendar outros caminhos, como a energia solar. "Com os 2.500 Watts de fotovoltaicos instalados no telhado, produzimos entre 2.500 e 2.700 Kw/h por ano, o que significa quase um terço do consumo na nossa casa”, revela. "Foi uma instalação muito eficiente, que eu mesmo fabriquei e coloquei tudo à disposição. Fiz quatro vídeos que são muito acessados." A sua criação existe semelhante no mercado, porém a preços exorbitantes. Na sequência, Chaillot ensinou aos seus seguidores a fazer a própria bicicleta elétrica à energia solar (700 mil visualizações), um fogão com baixo consumo de energia ou um forno a lenha (ambos acessados mais de 1 milhão de vezes). "É um jogo para mim. É claro que eu poderia decidir ir no supermercado ou numa loja e comprar um produto pronto. Mas eu também posso decidir fazer eu mesmo”, ressalta ele.

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