Sociedade em Foco #65: Mercado financeiro se frustra com a própria ilusão do sonho liberal, afirma especialista

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O Brasil vive mais uma vez um momento de oscilações. As mudanças dos rumos políticos com as eleições de fevereiro na Câmara dos Deputados e no Senado, juntamente com as novas políticas econômicas levantadas pelo Planalto, colocaram em xeque os rumos de diversos âmbitos do País. Somados a esses fatores, os estragos financeiros e sanitários promovidos pela pandemia do novo coronavírus preocupam especialistas.

O doutor em História Econômica pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), José Luiz Portella, analisa o momento. Para ele, a instabilidade tem relação direta com as decisões do governo. “O mercado criou uma fantasia e agora está entrando nessa decepção”, compartilha o professor neste episódio do Sociedade em Foco. Com isso, ele identifica que medidas como a interferência do governo na Petrobras simbolizam o fim do “sonho liberal”, mote usado por Bolsonaro em sua campanha presidencial de 2018 e, consequentemente, de parte do respaldo que ele tinha na população.

“[Bolsonaro] tem certas convicções liberais, desde que elas não atrapalhem seus planos pessoais, e eu acho muito difícil implantar o liberalismo no Brasil de uma hora para outra, com tanta desigualdade”, complementa Portella, que resume os sintomas da crise em duas palavras: inconstância e volatilidade. Esses dois fatores dificultariam a discussão de novas reformas econômicas e de novos investimentos para o País.

Apesar do rombo financeiro, maximizado pelos impactos da pandemia da covid-19, José Luiz Portella prevê um esforço político para novas mudanças, mas que devem esbarrar no teto de gastos. “Vem aí o Bolsa Família robustecido no segundo semestre, porque o problema agora não é pontual, não é a covid-19 só em si, é o que a covid-19 está realizando. Então, nós vamos ter um desemprego alto por muito tempo”, analisa, destacando que o Bolsa Família deve ser utilizado como forma de garantir mais prestígio ao governo.


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