Maior onda de greves dos últimos 30 anos muda paisagem social da Europa

4:15
 
Compartilhar
 

Manage episode 338608020 series 2509072
Por France Médias Monde and RFI Brasil descoberto pelo Player FM e nossa comunidade - Os direitos autorais são de propriedade do editor, não do Player FM, e o áudio é transmitido diretamente de seus servidores. Toque no botão Assinar para acompanhar as atualizações no Player FM, ou copie a feed URL em outros aplicativos de podcast.
Quem viaja para ou pela Europa neste conturbado verão de 2022 está se acostumando com uma palavra para descrever aeroportos: caos. Este caos significa desordem: falta de apoio adequado em terra, voos cancelados, malas atrasadas ou perdidas. Por Flavio Aguiar, analista político Mas existe uma ordem profunda por detrás da aparente desordem. Desde o começo do ano o setor aeroviário vem sendo palco de duas constantes: greves, uma atrás da outra, em diversos aeroportos e em muitas companhias aéreas; e falta de pessoal. Somente na Alemanha estima-se que há sete mil trabalhadores a menos no setor. Uma das razões desta escassez é a prolongada pandemia da Covid-19, que afastou e continua afastando muita gente de seus postos de trabalho. As greves neste setor se espalharam por todo o continente, atingindo em momentos e graus diferentes a Inglaterra, Portugal, Espanha, França, Bélgica, Itália, Alemanha, países da Escandinávia. Dois casos dramáticos: em julho, na Alemanha, cerca de mil voos da Lufthansa foram cancelados nos aeroportos de Munique e Frankfurt devido a uma greve de pilotos; e a Scandinavian Airlines, com sede em Estocolmo, na Suécia, pediu falência depois de uma greve de seus mil pilotos, também em julho. Paralisações em outros setores A onda de greves não se resume ao setor aéreo. Desde o começo do ano paralisações e protestos atingiram o setor portuário da Alemanha e da Holanda, os trabalhadores em plataformas oceânicas de extração de petróleo na Noruega, professores e trabalhadores da educação na Itália, metalúrgicos na Alemanha, trabalhadores e vendedores na Torre Eiffel, em Paris, e até mesmo um setor não muito afeito a estes movimentos. Em junho, diplomatas franceses cruzaram os braços, numa iniciativa que atingiu as representações da França de Tóquio a Washington! Mais recentemente, em agosto, as greves se multiplicaram no setor ferroviário e de transporte urbano no Reino Unido, paralisando em grande parte a capital, Londres. Também houve e há greves nos Correios, nas telecomunicações, nos serviços de coleta de lixo, nos portos, nas usinas de eletricidade e nas fornecedoras de água, em paralisações tidas como as mais intensas e extensas dos últimos 30 ou 40 anos, conforme o setor. Com o fim do verão, espera-se que os movimentos grevistas se estendam para a educação e a saúde. Altas taxas de inflação De um modo geral, culpa-se a elevada inflação. Turbinada pelos aumentos dos custos da energia em consequência da guerra na Ucrânia, as altas taxas elevam o preço dos transportes e dos fertilizantes no setor agrícola, impactando no custo dos alimentos. Estimada em média em 9% no continente europeu, o índice chega a 10,1% na Inglaterra, podendo ir para 13% anuais a partir de outubro. Mas há quem fale também na falta de pessoal, o que piora as condições de trabalho, decido às grandes privatizações britânicas nos setores de transporte, abastecimento de água e fornecimento de energia, e até no Brexit, que complicou as relações comerciais e alfandegárias com a União Europeia. Esta retomada da atividade sindical é também a mais vigorosa desde que, entre 1984 e 1985, a então primeira-ministra britânica, Margareth Thatcher, a “Dama de Ferro”, literalmente sufocou o sindicato dos mineiros com uma feroz política repressiva que inibiu o movimento sindical inglês durante décadas. Tanto na Inglaterra quanto na Europa Continental, os movimentos sindicais desde o começo de 2022 parecem ser apenas o prelúdio do que pode acontecer no futuro, modificando completamente a paisagem social europeia.

148 episódios