O Mundo Agora - Washington, Pequim e Moscou buscam enfraquecimento e fragmentação da UE

4:45
 
Compartilhar
 

Manage episode 267691773 series 1169787
Por France Médias Monde descoberto pelo Player FM e nossa comunidade - Os direitos autorais são de propriedade do editor, não do Player FM, e o áudio é transmitido diretamente de seus servidores. Toque no botão Assinar para acompanhar as atualizações no Player FM, ou copie a feed URL em outros aplicativos de podcast.
De tanto falar de economia, todo mundo esqueceu que tudo começou pela política. No começo dos anos 1950, com o Velho Continente destruído pela Segunda Guerra Mundial, a prioridade era: “guerra nunca mais”. Na Europa democrática ocidental, a ideia inicial foi controlar coletivamente os principais recursos bélicos básicos dos Estados nacionais. Foi assim que nasceu a Comunidade europeia do carvão e do aço. O passo seguinte foi a proposta de constituir um exército europeu supranacional. Anátema para os franceses que não queriam saber de perder a sua plena soberania nacional para uma Europa federal. E ainda por cima, supervisionada pela Aliança Atlântica, comandada pelos Estados Unidos. Só que eram as tropas e o poderio nuclear americanos que garantiam a segurança do continente diante da ameaça soviética. A França torpedeou o projeto. Para manter a ilusão de independência de suas forças armadas, ela preferiu que os americanos se responsabilizassem pela defesa coletiva da Europa ocidental. A Europa política morreu em Paris, em 1954. A partir de então, os europeístas convictos decidiram manter o rumo da integração passando pela economia. Em 1957, o Tratado de Roma institui a Comunidade Econômica Europeia e o mercado comum. Aos trancos e barrancos, de crise em crise, a CEE acabou desenvolvendo uma organização sui generis: a União Europeia – uma união aduaneira com políticas econômicas comuns e importantes transferências de soberania econômica e regulatória. Mas esse crescimento da maior “potência civil” do planeta só foi possível à sombra do guarda-chuva militar americano. Sem ter que arcar com pesados custos de defesa, a Europa ocidental, próspera e democrática, virou uma das áreas mais agradáveis para se morar no mundo. Apesar da Guerra Fria, nunca os europeus viveram tão longo período de paz entre seus Estados nacionais. A tal ponto que muita gente estava convencida que bastavam “pequenos passos” tecnocráticos para aportar no Nirvana de uma Europa federal. Esgotamento do modelo de produção requer mudanças A queda do Muro de Berlim, o desparecimento da União Soviética e a integração dos países do Leste europeu acabaram desestabilizando a União. O esgotamento do modelo de produção e consumo de massa – arcabouço do sucesso econômico europeu – e a urgência ambiental, impõem mudanças radicais. Pior ainda, Washington não está mais a fim de bancar a defesa da Europa sem pesadas contrapartidas. Outro desafio estratégico é também a emergência da potência econômica e militar chinesa. E com ela, a de uma nova Guerra Fria – que pode virar “quente” – entre os dois gigantes rivais, Estados Unidos e China. Além do mais, a Rússia de Putin, apesar de uma economia e demografia em frangalhos, ainda tem ambições de se transformar no manda-chuva político do Velho Continente. A Europa está cada vez mais parecida com o salame no meio do sanduíche. Washington, Pequim e Moscou fazem tudo para enfraquecer e fragmentar a União Europeia. Todos preferem negociar e pressionar Estados nacionais divididos em vez de uma Europa unida e forte. Ricos vão ter que pagar a conta Inventar uma economia vibrante e inovadora, dotar-se de uma força militar conjunta crível e de uma política externa comum robusta e salvar as condições dos regimes democráticos e sociais no continente, são as condições mínimas para sair do buraco. Aceitar um começo de Europa federal – tanto do ponto de vista da defesa quanto da economia – é o grande desafio da Cúpula dos chefes de Estado europeus em Bruxelas. São € 750 bilhões para relançar a economia do continente abalada pelo coronavírus. O objetivo é subsidiar ou emprestar dinheiro para os países mais pobres ou impactados. Mas os ricos vão ter que pagar a conta. Pela a primeira vez, a poderosa Alemanha está topando compartilhar essa dívida comum. Outros, como os Países Baixos ou a Áustria não querem nem saber. Se houver acordo é mais um balão de oxigênio. Senão, a União Europeia pode perfeitamente se desmanchar.

238 episódios