Deslocamentos provocados por desastres do clima são quase o dobro dos causados por conflitos

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Mais de 20 milhões de pessoas são obrigadas a deixar suas casas todos os anos em decorrência de desastres provocados pelas mudanças climáticas, segundo a Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR). Relatório do Painel Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas (IPCC), divulgado em agosto deste ano, revela que o aquecimento global é pior e mais rápido do que se temia, com riscos de desastres "sem precedentes" para a humanidade. “A mudança climática é real e as atividades humanas são sua principal causa”, diz Fernando Godinho, oficial de comunicação e porta-voz do ACNUR no Brasil. Ele acrescenta que a emergência climática é a crise que podemos chamar de definidora do nosso tempo, e que os deslocamentos forçados são uma de suas principais consequências. “Populações inteiras no mundo hoje já sofrem os impactos da crise climática, entretanto pessoas em situação de vulnerabilidade, vivendo em países mais frágeis e afetados por conflitos, são afetadas de maneira desproporcional. Muitas das pessoas refugiadas, deslocadas internas e apátridas, estão na linha de frente da emergência climática, vivem em pontos críticos, sem recursos para se adaptar a um ambiente cada vez mais hostil”, diz Godinho. Segundo o porta-voz do ACNUR, os deslocamentos provocados pelas mudanças climáticas são quase o dobro dos causados por conflitos e violência. Secas e enchentes El Salvador, Guatemala, Honduras, Costa Rica e Panamá são países na América Central que estão bastante sujeitos a secas e chuvas torrenciais, o que coloca as populações em risco. Já na região do Sahel e na Somália, no continente arfricano, os habitantes estão vivenciando longos períodos de seca, o que provoca insegurança alimentar e deslocamento crescente. Alyona Synenko, porta-voz regional do Comitê Internacional da Cruz Vermelha na África, explica que as pessoas vivendo em países afetados por conflitos ou violência estão mais vulneráveis aos efeitos dos choques climáticos. “Então, por exemplo, se tomarmos o Sul do Sudão ou a Somália, onde as pessoas sofreram deslocamentos múltiplos e muitas vezes perderam sua fonte de renda, é mais difícil para elas estarem preparadas e devidamente equipadas para o impacto de enchentes ou secas”, disse. Os países afetados por conflitos e violência também estão menos equipados para apoiar a população quando os desastres climáticos acontecem. Por isso, organizações como a Cruz Vermelha trabalham para entender os impactos das mudanças climáticas na vida de pessoas que vivem nessas regiões, além de procurar alternativas para construir resiliência, como melhor resistência a secas e formas alternativas de agricultura. Segundo Synenko, uma coisa é certa: diante das já inevitáveis consequências das mudanças climáticas, é preciso melhor equipar os habitantes de regiões de risco para sobreviver a elas.

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