PRA QUEM PERDEU ALGUÉM - Episódio 512 – Fabio Flores

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Por Precisava Ouvir Isso and Fabio Flores - Especialista em Inteligência Sócio Emocional descoberto pelo Player FM e nossa comunidade - Os direitos autorais são de propriedade do editor, não do Player FM, e o áudio é transmitido diretamente de seus servidores. Toque no botão Assinar para acompanhar as atualizações no Player FM, ou copie a feed URL em outros aplicativos de podcast.
Uma das dores mais cortantes que a gente pode sentir é a dor de perder quem a gente ama pra morte. A sensação é de que perdemos uma parte da gente. E dói tanto porque de fato a gente perde uma parte da gente. Uma parte imaterial. Um jeito de ser e de estar que a gente só vivia com aquela pessoa. O luto além de sentir e ressentir a perda do outro parte primeiro de uma perda da gente. Assim como sofre alguém que teve um membro amputado, sofre quem perdeu alguém que ama. Uma parte do coração foi amputada também. O primeiro passo para sobreviver ao luto é dar espaço para a tristeza. É preciso permitir que esse sentimento tão temido encontre espaço na gente. É bem comum as pessoas tentarem fugir da tristeza como estratégia de superação. Mas essa fuga é como varrer a poeira pra baixo do tapete da sua alma. Ela não desaparece e vai te machucar bem mais e por mais tempo. Será sempre uma ferida não curada e aberta a todo tipo de infecção sempre que o seu emocional estiver mais vulnerável. É estranho como a gente tenta fugir da tristeza achando que ela é algo ruim. Ela pode até ser desconfortável, mas está bem longe de ser um sentimento ruim. Quase sempre ela é um convite pra gente voltar pra dentro da gente. Quase sempre o nosso olhar está voltado pra fora. Está voltado pra tudo aquilo que o espelho reflete ou a selfie registra. Quase sempre nossa atenção está no que acontece no mundo exterior. Nas dinâmicas da política, da economia, da vida de nossos amigos e inimigos, das redes sociais... a gente aceita quase todos os convites pra fugir do encontro com a gente mesmo. Do mergulho dentro da nossa alma... do diálogo com os nossos sonhos e com os nossos medos. Do acolhimento aos sentimentos e pensamentos menos confortáveis. A tristeza é como se fosse uma intimação... uma condução coercitiva ao nosso mundo interior. É um raro encontro entre quem somos com quem pensamos que somos. É um mergulho invertido... Quando mergulhamos no mar, num rio ou numa psicina primeiro a gente respira fundo e toma um fôlego pra depois ver o que está lá embaixo. Na tristeza primeiro a gente vê o que está bem lá no fundo da nossa alma pra depois receber o fôlego que a gente precisa pra seguir a diante. Pra compreender porque a gente deve continuar seguindo em frente. É preciso ter coragem pra esse mergulho...

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