Com Lula ou Bolsonaro, investidores vislumbram potenciais no Brasil após eleições

6:30
 
Compartilhar
 

Manage episode 342491719 series 57993
Por France Médias Monde and RFI Brasil descoberto pelo Player FM e nossa comunidade - Os direitos autorais são de propriedade do editor, não do Player FM, e o áudio é transmitido diretamente de seus servidores. Toque no botão Assinar para acompanhar as atualizações no Player FM, ou copie a feed URL em outros aplicativos de podcast.
As eleições costumam vir acompanhadas de nervosismo nos mercados financeiros – mas, desta vez, os temores quanto ao resultado da votação do próximo domingo (2) parecem já ter sido assimilados. Com Jair Bolsonaro reeleito ou Luiz Inácio Lula da Silva de volta à presidência, os investidores nacionais e estrangeiros vislumbram um momento de oportunidades para voltar os olhos para o Brasil. Diferentemente de 2018, quando havia uma preferência clara pela derrota do Partido dos Trabalhadores, agora os mercados parecem olhar com mais indiferença ao processo eleitoral brasileiro – ainda que a política econômica do atual presidente seja mais alinhada com o que esperam os mercados. “Eu acho que isso já está precificado. O mercado, em geral, vai aceitar bem um ou outro. Se for o Bolsonaro, a gente sabe o que é o governo dele. O próprio Bolsonaro não entende nada de economia, mas o Paulo Guedes, sim, e pretende diminuir a carga tributária e ser um governo com responsabilidade fiscal”, afirma João Peixoto Neto, sócio-diretor da Ouro Preto Investimentos. “Quanto ao Lula, eu espero, e o mercado também, que ele repita os quatro anos do primeiro governo dele, que foi de muita responsabilidade. Não teve nenhum loucura esquerdista.” André Perfeito, economista-chefe da Necton Investimentos, segue na mesma linha. "O mercado financeiro tem que ser o mais frio possível para analisar o fenômeno eleitoral. Falar de ‘candidato preferido’ é mal colocar a questão, no sentido de que dá para ganhar dinheiro nos dois lados”, ressalta. "Mas do ponto de vista do indivíduo, muitos no mercado preferem o presidente Bolsonaro.” Investimentos sustentáveis A percepção sobre o próximo presidente muda conforme a origem – os investidores nacionais tendem a preferir a continuidade. As saídas dos nacionais dos fundos de ações brasileiros ante à perspectiva da volta do PT ao poder já acumula R$ 55 bilhões no ano. Já os estrangeiros veem com bons olhos a volta do petista. Muitos ainda se lembram com nostalgia da época em que os investimentos em títulos e ações no Brasil resultavam em retornos de dois dígitos, nos anos 2000, em pleno boom das commodities. "A impressão que eu tenho, conversando com clientes estrangeiros e, obviamente, com os nacionais, é que tem uma leitura um pouco menos assustada, ressabiada, do estrangeiro em relação à gente. Mas existem questões que são importantes para ambos, especialmente os estrangeiros: entender a dinâmica fiscal do Brasil”, sublinha Perfeito. Apesar da perspectiva de um Estado mais inflado e protecionista, o retorno de Lula significaria a volta do Brasil ao cenário internacional. Bolsonaro se tornou persona non grata no exterior, num contexto em que os aspectos ambientais assumiram protagonismo nas escolhas das grandes companhias e fundos, observa Fernando da Cruz Vasconcellos, diretor da Valuation Consulting, em Londres. "Se tiver disciplina fiscal e continuar fazendo as reformas necessárias – apesar de ser muito difícil, como a gente tem visto –, o Brasil tem um futuro muito promissor em ESG [ambiental, social e governança], que cada vez mais está no centro das atenções dos investidores do mundo inteiro”, avalia. "O Brasil tem potencial de liderança em investimentos sustentáveis." "Meirelles mexe o coração" Além de Lula prometer uma guinada na política ambiental, o recente apoio de Henrique Meirelles à candidatura do petista e os acenos da campanha rumo ao Centrão acentuaram a ideia de que o seu eventual governo tende a ser moderado nas pautas que costumam causar arrepios nos mercados, como descontrole dos gastos e intervencionismo econômico. "O apoio de Meirelles pesa, sim. Meirelles mexe o coração", brinca Perfeito. Outro aspecto que gera otimismo é que o Brasil sinaliza já ter encerrado, num patamar elevado, o ciclo de alta de juros que continua a se espalhar pelo mundo, a exemplo dos Estados Unidos e da Europa, para combater a inflação. A indefinição sobre até quando este processo vai se estender tem levado os aportes à Bolsa do Brasil a crescerem – ultrapassando os R$ 17 bilhões só em agosto e o Ibovespa subiu 8,8%. "O Brasil é a sexta economia do mundo e que mais atraiu investimentos estrangeiros diretos em 2021. Os investidores também estão vendo agora que os mercados acionários estão baratos atualmente no Brasil, os equity markets. Isso atrai tanto brasileiros quanto estrangeiros”, frisa Vasconcellos. "A maior parte desse movimento é liderado por corporações, empresas ou investidores privados, mas com certeza a imagem do presidente pode ter impactos positivos ou negativos nos negócios brasileiros – principalmente nos que vem do exterior.” Ninguém espera uma virada espetacular na economia brasileira, mas a tendência de recuperação anima. O país vem de quase uma década de crise – em 2010, a participação de ações brasileiras nos portfólios internacionais chegava a 2%, índice que despencou para 0,2% hoje. O espaço para recuperação, portanto, é amplo. "O Brasil viveu um processo de ajuste monetário muito grande, com a Selic passando de 2% para 13,5%. Isso já cobrou um preço na Bolsa. Não dá para imaginar quedas muito mais fortes – se tem algum risco, é risco maior é de subir”, diz Perfeito. Oportunidade entre emergentes Com a China desacelerando, a Rússia em guerra e a Europa em plena crise energética, o Brasil figura como um mercado emergente com potencial em 2023, ressalta João Peixoto Neto. "Eu acho que o pessoal está vendo essa oportunidade, de que é melhor colocar as nossas fábricas aqui perto dos Estados Unidos e da Europa, do que ter fábricas na China e correr riscos envolvendo os rumores sobre o Partido Comunista chinês, de invadirem Taiwan e ser um repeteco do que está acontecendo entre e Rússia e a Ucrânia”, compara. “O Brasil tem recursos naturais infindáveis, uma mão de obra relativamente qualificada e não tem problemas estruturais na economia. É a bola da vez pra investimentir, mas qualquer um dos presidentes pode estragar com uma má gestão das finanças públicas”, pondera Peixoto Neto.

324 episódios