Neste mundo, como peregrinos e forasteiros… Retiro para o Tempo do Advento – Episódio 4 – Há sinais suficientes…

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Por Alunos da Faculdade de Comunicação e Artes da PUC Minas and Rádio Online PUC Minas descoberto pelo Player FM e nossa comunidade - Os direitos autorais são de propriedade do editor, não do Player FM, e o áudio é transmitido diretamente de seus servidores. Toque no botão Assinar para acompanhar as atualizações no Player FM, ou copie a feed URL em outros aplicativos de podcast.

Naquele tempo disse Jesus a seus discípulos: Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na terra, as nações ficarão angustiadas, com pavor do barulho do mar e das ondas. Os homens vão desmaiar de medo, só em pensar no que vai acontecer ao mundo, porque as forças do céu serão abaladas. Então eles verão o Filho do Homem, vindo numa nuvem com grande poder e glória. Quando estas coisas começarem a acontecer, levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima. Tomai cuidado para que vossos corações não fiquem insensíveis por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida, e esse dia não caia de repente sobre vós; pois esse dia cairá como uma armadilha sobre todos os habitantes de toda a terra. Portanto, ficai atentos e orai a todo momento, a fim de terdes força para escapar de tudo o que deve acontecer e para ficardes em pé diante do Filho do Homem. (Lc 21,25-28.34-36)

Enquanto há esperança, é possível suportar qualquer sofrimento. As promessas de que o amanhã será melhor sempre geram resistência, avigoram o ânimo, avivam as forças. Há, entretanto, um ponto além do qual, baldadas todas as esperanças, nada mais resta senão implorar à vida que tudo se encerre. É quando se constata, em recatada sobriedade: Se a catástrofe final é inevitável, então que venha logo. Pois é melhor um fim trágico do que uma tragédia sem fim.

Ainda que tudo desabe (céu)… Mesmo que não haja mais luz para os nossos olhos (sol) e as nossas noites sejam apenas trevas (lua e estrelas)… Ainda que não exista, tanto quanto alcancem os nossos olhos, mais lugar algum neste mundo onde pudéssemos escapar às tormentas… Mesmo que se turbe nosso olhar nos escuros de tanta dor e, quase sem esperança queiramos nos render… Ainda assim resta-nos a fé de que tais tribulações não serão o último fim.

Tomai cuidado,
diz Jesus, para que vossos corações não fiquem insensíveis… ficai atentos e orai a todo momento… (Lc 21,34). Afinal, Deus, quase sempre, se manifesta a nós na simplicidade das experiências humanas cotidianas, aparentemente inexpressivas e banais: no copo de água fresca que sacia a nossa sede, no pão de cada dia que mata a nossa fome, no abraço afetuoso que expressa a amizade, na delicadeza de um ouvir que alivia a dor da solidão, no perdão sincero que nos permite recomeçar, no plainar do beija-flor, no milagre de cada manhã. Ali, aguarda Deus por
nós, por nossa atenção, solicitude e cuidado: no olhar entristecido dos que sofrem, na silenciosa dor de tantas de suas criaturas, na agonia precoce de tantas vidas.

Somente a voz de um Anjo para nos apontar o essencial: Eu vos anuncio uma grande alegria… Nasceu para vós o salvador, que é o Cristo Senhor. E isto vos servirá de sinal: encontrareis um recém-nascido envolto em faixas e deitado numa manjedoura (Lc 2,10-12). Verdadeiramente, não pode haver nada que seja mais ordinário, comum, simples e trivial do que isso que aqui é indicado como sinal: uma criança, suas fraldas e seu berço.

Frei Prudente Nery – OFMCap.

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