Estábulos reais de Versalhes apresentam novo espetáculo do mestre do teatro equestre Bartabas

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Pioneiro de uma expressão artística inédita, combinando equitação, circo, música, dança e teatro, o diretor e cavaleiro francês Bartabas criou um novo tipo de performance cênica: o teatro equestre, gênero que inaugurou na França com a Companhia Zingaro em 1984. Desde 2003, no entanto, ele dirige também a Academia Hípica de Versalhes, que reabre ao público neste verão francês com o espetáculo “La Voie de l'écuyer, Opus 2021". Bartabas brinca com a cumplicidade entre as amazonas e seus cavalos, num espetáculo construído em uma sucessão de cenas curtas, alternando diferentes disciplinas equestres, como esgrima, adestramento, acrobacias e canto. Com trilha de Johann Sebastian Bach (1685-1750), as primeiras passagens das cavaleiras e alunas da academia no picadeiro são introduzidas por trechos de textos de grandes nomes da arte equestre europeia. Laure Guillaume, coordenadora da escola-teatro da Hípica de Versalhes e fiel escudeira de Bartabas há 18 anos, relata que o manejo dos animais é feito de forma gradual. "Aqui os cavalos chegam como potros muito novinhos, então os tocamos bastante para se sentirem em confiança, deixamos que eles tomem posse do espaço. Nós os habituamos a saírem juntos em liberdade, deixamos que eles brinquem sozinhos e depois voltem para junto de nós, para que depois, pouco a pouco, eles se sintam confiantes no manejo com o público. Em geral os colocamos em cena depois de um ano e meio, dois anos", conta. Uma das cenas mais encantadoras e selvagens do espetáculo é quando os jovens animais são liberados sem comandos, correias ou rédeas, e evoluem sozinhos no meio do picadeiro dos estábulos reais de Versalhes, fazendo charme para a plateia, completamente hipnotizada pelos animais. "É realmente necessário que os cavalos se sintam em confiança, porque senão depois eles ficam com medo em frente ao público e não vão se divertir. O mais bonito é quando estão confiantes e também se divertem", diz Laure Guillaume. Em cena, nove amazonas manipulam cerca de 35 animais de diferentes raças, com destaques para os lusitanos de olhos azuis, uma tradição de Versalhes, a raça de cavalo preferida de Luís 14. Entre as intrépidas cavaleiras, mulheres como Salomé Belbacha-Lardy, de 22 anos, que abandonou a carreira de advogada para viver sua paixão, entre o teatro e os cavalos. "Faço parte do grupo desde julho de 2020 e antes disso eu estudava Direito, sou formada em Direito. Foi uma mudança radical de vida", relata. "Conheço a academia equestre de Versalhes desde pequenininha, porque nasci na região parisiense e vinha ver os espetáculos. Era uma coisa que sempre me interessou, fiz dez anos de balé clássico, eu já montava a cavalos e competia há pouco tempo", explica. "Estava me inscrevendo no mestrado de Direito quando a academia colocou um anúncio procurando cavaleiras para espetáculos. Minha mãe me incentivou a me inscrever, eu fui sem acreditar muito, mas fui aprovada nas audições e depois tive que escolher entre o Direito e minha paixão, e escolhi estar aqui", afirma a jovem amazona, responsável por Kodály, um lusitano raça pura, com nome que homenageia o compositor húngaro Zoltán Kodály. Todos os animais recebem nomes de personalidades da filosofia, do teatro e das artes, e basta uma visita às estrebarias reais depois do espetáculo para conhecer "Molière", "Voltaire", "Gauguin", dependendo de quem já tenha sido escovado ou jantado sua porção de feno preparada carinhosamente por sua amazona. Salomé explica um pouco mais sobre a rotina com os cavalos. "Normalmente, temos quatro animais cada uma. Um “tema”, com o qual geralmente fazemos a cena do carrossel; um “Isabelle” com o qual fazemos a cena dos braços, e também a cena final, além da esgrima a cavalo; um pequeno pônei “Soraya”, que na verdade são os ancestrais dos “Lusitanos”, e depois temos ou um potrinho ou um “Przewalski”. Eu tenho esse magnífico cavalo negro do final, então temos um grupo de quatro cavalos cada", relata Salomé. A cumplicidade com os animais é essencial, segundo a jovem atriz e cavaleira. "É a Laure [Guillaume, coordenadora] quem nos atribui cada cavalo, ela fica atenta para que a dupla cavalo e mulher esteja bem e equilibrada, e que todas as duplas estejam em harmonia. Este é o caso, acredito, para a maioria de nós", afirma. O espetáculo “La Voie de l´écuyer” fica em cartaz na Hípica de Versalhes até 29 de agosto de 2021. Durante o Festival de Outono de Paris, Bartabas apresentará também a nova criação, um trabalho "minimalista" que tem encantado a crítica francesa, um duo do mestre do teatro equestre com seu cavalo "Tsar". Em outubro, a Cia Zingaro volta a botar o pé na estrada depois da estreia em Paris de "Cabaré do Exílio", em Aubervilliers, na periferia da capital francesa.

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