Fotografia brasileira engajada e de resistência é destaque em exposição em Paris

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Novembro é tradicionalmente o mês da fotografia na França, com muitas exposições, encontros e debates em torno da imagem. É também a volta em formato presencial, desde o início da pandemia, da feira Paris Photo, uma das maiores do calendário internacional. A fotografia brasileira engajada tem destaque em uma exposição no bairro do Marais, na capital francesa. Por Patricia Moribe As plataformas Iandê e a Photo Doc apresentam os quatro vencedores do Open Call Rituais Fotográficos/Rituais de Resisência, um concurso lançado no último Encontros de Arles, outro evento importante no cenário internacional. Quinze curadores brasileiros apresentaram o trabalho de dois fotógrafos. Ana Mendes foi o principal destaque, com “Pseudo Indígenas”, com curadoria de Marcela Bonfim. Tendo o registro de povos e comunidades tradicionais do Brasil como norteador de seu trabalho, ela apresenta em Paris imagens dos Akroá Gamella, do Maranhão, e dos Guarani e Kaiowá, do Mato Grosso do Sul. As fotografias sofrem intervenções, com palavras ditas por pessoas públicas, como políticos, juízes ou ministros, “que demonstram o racismo estrutural que o Brasil vive, questionando a identidade de uma população indígena”, explicou a artista. O trabalho de Ana Mendes também foi vencedor da categoria documental do 7° Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger, realizado pela Fundação Cultural do Estado da Bahia. O prêmio especial do júri foi para Ilana Bar, com “Transparências de lar”, que há anos vem fotografando a própria família. “As fotos falam de intimidade, de humanidade”, conta Ilana, que começou fazendo experimentações até chegar a um vasto e rico ensaio. “Ele foi se criando de maneira orgânica, no dia a dia, através do contato com os personagens, que são a minha família, que olham para mim, que faço parte da história”. A curadoria foi de Sinara Sandri. Edgar Kanayko, da etnia Xakriabá, foi outro dos quatro finalistas. Além de fotógrafo, ele também é mestre em antropologia. Ele trabalha com a etnofotografia, que é um dos meios de se registrar os aspectos principais da cultura e da vida de um povo, no caso o indígena. O trabalho de Kanayko foi apresentado pelo curador Milton Guran. Já Rodrigo Zeferino concorreu com seu olhar sobre a cidade de Ipatinga, no Vale do Aço mineiro. O projeto “O Grande Vizinho”, realizado entre 2016 e 2018, retrata a convivência entre cidade e usina, planejadas para coexistir lado a lado, frente a frente. A curadoria foi de Eugênio Sávio. O comitê de seleção francês foi composto por Gláucia Nogueira, curadora e co-fundadora da Iandé, Charlotte Flossaut, da Photo Doc, Sophie Artaud, diretora cultural do projeto, Julia de Bierre, curadora e fundadora da galeria Huit Arles, e Christine Barthe, responsável pela unidade patrimonial fotográfica do Museu do Quai Branly. A exposição pode ser visitada até o dia 20 de novembro, na galeria Basia Embiricos, em Paris.

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