Revista de Imprensa - Manchetes de olhos virados para as estrelas

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Hoje algumas manchetes estão viradas para o espaço, para onde foi o astronauta francês Thomas Pesquet que vai passar seis meses em órbita na estação espacial internacional. Um feito que merece algumas manchetes, nomeadamente a do Libération que coloca em primeira pagina um retrato do astronauta com um jogo de palavras, "o mestre descola", o jornal adoptando um tom muito lírico no seu editorial ao escrever "podemos alegrar-nos de ver que a inventividade humana serve para outra coisa que fazer a guerra". Também pensativo, o editorialista do conservador Le Figaro escreve "lá em cima, já não há americanos, russos, japoneses, nem franceses. Há apenas um homem contemplando a sua infinita pequenez no universo". Noutro aspecto, a situação do Myanmar, cerca de 3 meses depois do golpe militar, é também mencionada em alguns jornais, nomeadamente no Libération publicando um inquérito segundo o qual "Bruxelas formou e equipou milhares de agentes das forças da ordem birmanesas acusadas de exacções desde o golpe de Estado. A ambição do programa Mypol, entretanto suspenso, era de ensinar práticas que respeitassem melhor os Direitos Humanos", conta Libération que ao citar um defensor dos Direitos Humanos conclui que "a União Europeia acreditou num conto de fadas". O Myanmar também é mencionado no L'Humanité."As operárias birmanesas pagam caro pelo golpe de Estado" escreve o jornal comunista referindo que "por estarem em primeira linha do movimento de desobediência civil, 200 mil trabalhadoras do sector têxtil foram despedidas desde o golpe do dia 1 de Fevereiro", o que leva um advogado e activista citado pelo jornal a considerar que "as pessoas vão doravante ter de lutar para sobreviver". O diário católico La Croix, quanto a si, recorda que a situação no Myanmar vai ser abordada amanhã numa cimeira dos países da ASEAN com a participação do general Min Aung Hlaing, chefe dos golpistas, cuja presença provoca uma polémica. "Os militares birmaneses são terroristas e convidar o general Min, chefe dos terroristas, não faz sentido" diz um exilado politico birmanês baseado em Londres citado pelo jornal. Na actualidade africana, Le Monde evoca o Chade, em dia de exéquias de Idriss Déby e em particular a posição da França que via no falecido Presidente o seu principal aliado na luta contra o terrorismo no Sahel. Ao constatar "a preeminência do aspecto securitário na relação entre Paris e N'Djamena", o vespertino considera que "a política da França, reduzida a esta componente, faz-lhe correr o risco de afastá-la das populações e em particular das jovens gerações". Mais abaixo, na mesma página, o vespertino evoca desta vez o relatório no final do mês passado dando conta da responsabilidade francesa no genocídio ruandês há 27 anos. Ao indicar que "os advogados das vítimas estão a esmiuçar o relatório Duclert", Le monde dá conta das dificuldades atravessadas nestes últimos anos pelos representantes das vítimas e evoca em particular uma carta enviada em 2019 aos juízes questionando "a sua recusa em procurar a verdade junto dos próximos colaboradores do Presidente francês da época". A este respeito, o vespertino recorda que tem sido "difícil chegar a conclusões definitivas, nomeadamente devido ao aspecto informal da tomada de decisões e também por causa da destruição voluntária de determinados arquivos". Noutro aspecto, Le Figaro entrevista o especialista de questões africanas Antoine Glaser sobre a política do actual Presidente francês no continente. Segundo este analista, "Macron quer apagar a Françafrica", mas ele não está a conseguir: "não se muda facilmente um sistema político, militar e financeiro que existiu durante cinquenta anos". Ao referir que a "Françafrica se concentra agora na África do Oeste", Antoine Glaser considera que "Emmanuel Macron é obrigado a fazer realpolitik porque o continente se mundializou", referindo-se nomeadamente à concorrência de outras potências como a China ou a Rússia em África. E precisamente a propósito da Françafrica, Libération foca o seu olhar sobre o cinema africano e a mudança dos critérios de atribuição de subsídios da Organização Internacional da Francofonia (OIF). "Diminuição dos valores, impossibilidade de recorrer a eles mais do que 5 vezes, estas mudanças fizeram reagir um colectivo de realizadores africanos que denunciam a subsistência da Françafrica, enquanto o organismo financiador usa como pretexto a crise a sanitária", conta Libération antes de citar Alain Gomis, cineasta franco-senegalês, para quem "seria necessário conseguir criar soluções de financiamento em África".

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