Saúde - Covid-19: empresa francesa testa remédio no Brasil contra insuficiência respiratória

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A perspectiva de uma vacina contra a Covid-19 aos poucos se concretiza, mas tudo indica que a Humanidade terá que conviver com a doença por tempo indeterminado. O SARS-Cov-2 se adaptou ao homem e, mesmo se a imunização for eficaz, tratamentos vão continuar sendo necessários para prevenir o agravamento da doença em caso de contaminação. A empresa francesa de biotecnologia Biophytis aposta em um remédio que visa impedir a síndrome de insuficiência respiratória aguda em pacientes hospitalizados com formas graves, que ainda não necessitam de intubação. O medicamento, que está na fase 3 de testes, atua na função neuromuscular e se chama Sarconeous (BIO101). Desde 2006, a molécula vem sendo desenvolvida para lutar contra outras patologias que provocam distrofias musculares, como a Sarcopenia, que atinge pessoas idosas. Durante o estudo, os cientistas lançaram a hipótese de que o Sarconeous (BIO101) poderia ser eficaz contra o SARS-Cov-2. Atualmente, ele está sendo testado em hospitais universitários de Campinas, Belo Horizonte e São Paulo, mas também em outros países, incluindo o hospital Pitié-Salpetrière, na França. “Ele age em todos os músculos. Não somente nos esqueléticos, mas também naqueles que permitem controlar a respiração, através da ativação de um sistema hormonal, chamado renina-angiotensina”, explica o doutor e engenheiro em biotecnologia Stanilas Veillet, presidente da Biophytis. Esse sistema também é afetado pelo envelhecimento, favorecendo o ataque do SARS-Cov-2. O vírus, explica, ataca o sistema renina-angiotensina, provocando a insuficiência respiratória aguda observada em pacientes mais idosos ou que sofrem de doenças como Hipertensão Arterial, Insuficiência Renal ou Obesidade. O medicamento que está sendo testado visa justamente reativar esse sistema, afetado pelo vírus, e estimular a função respiratória. O objetivo é tratar os pacientes hospitalizados com Covid-19, com sintomas graves, antes que eles necessitem da ventilação mecânica. Esse procedimento de urgência, que desliga o sistema autônomo, aumenta o risco de morte. “O medicamento candidato está realmente desenhado para reativar esse sistema e tentar evitar a internação na UTI. Ele pode ser usado associado a uma oxigenação mais leve ou a um futuro antiviral”, diz Stanislas Veillet. O Sarconeous (B101) também pode administrado ao mesmo tempo que anti-inflamatórios, como a dexametasona. Compensar a queda da angiotensina O coronavírus utiliza uma proteína em sua superfície conhecida como spike para penetrar nas células, que se encaixa em uma enzima presente no epitélio pulmonar. Esse receptor é conhecido como ACE2 , que regula a proidução de Angiotensina 1-7 e algumas funções cardiovasculares, renais e pulmonares. A angiotensina 1-7, em baixa quantidade no organismo, ressalta Stanilas Veillet, provoca insuficiência respiratória. A molécula em estudo visa justamente compensar a queda do hormônio provocada pela infecção do SARS-Cov-2 em pacientes graves. Ele lembra que a inflamação exagerada não é o único mecanismo que favorece o agravamento do quadro de um paciente contaminado. “A tempestade de citocinas é um dos elementos que provoca a falência respiratória, mas não é o único”, reitera Veillet. Desta forma, associar um remédio que ativa a renina-angiotensina a outros que controlam a inflamação poderia evitar o pior nos casos graves de Covid-19. Por enquanto, o Sarconeous é a única molécula mais avançada contra a doença que estimula a função respiratória que está sendo testada no mundo. “Vários médicos cardiologistas e pneumologistas no Brasil, como a professora da USP (Universidade de São Paulo), Ludhmila Abrahao Hajjar, principal pesquisadora do teste clínico da Biophytis no Brasil, ficaram muito interessados, além de profissionais na Bélgica, Reino Unido e Estados Unidos”, diz Veillet. Para dar continuidade aos testes clínicos, agora será necessário recrutar 50 pacientes até o final do ano e incluir outros 260 participantes no estudo até o primeiro trimestre de 2021. “Em seguida avaliaremos os resultados que envolvem a segurança e a atividade do produto”, completa. Após essa etapa, uma comissão independente do ensaio analisará o resultado dos testes do produto em relação ao placebo dado a 50% dos pacientes. Por enquanto, não houve efeitos colaterais graves. A expectativa agora é prosseguir a pesquisa para que uma autorização possa ser feita de maneira urgente, em razão da crise sanitária, em 2021. Para Veillet, mesmo com a chegada da vacina, a descoberta de novos tratamentos continuará sendo fundamental na luta contra a Covid-19. “Vamos continuar buscando antivirais e produtos como o nosso, para tratar melhor os pacientes que chegam ao hospital e podem morrer por conta dessa infecção. ”

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