Saúde - Evolução do tratamento da Covid-19 aumenta chances de sobrevivência

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A epidemia do coronavírus está longe de acabar e a produção de uma vacina eficaz para toda a população ainda não é dada como certa pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e os pesquisadores. Mas também há boas notícias: os tratamentos disponíveis nos hospitais evoluíram desde o início da epidemia e salvam cada vez mais vidas. Essa é uma das conclusões dos infectologistas franceses que participaram da 21ª Jornada Nacional de Infectologia de 9 a 11 de setembro, em Poitiers, no centro-oeste da França. Diferentes estudos publicados em revistas científicas também confirmam a eficácia do uso dos corticoides, como a dexametasona e outras moléculas, por exemplo, que podem ser utilizados em dosagens diferentes. Em setembro, a OMS (Organização Mundial da Saúde) recomendou o uso sistemático desses potentes anti-inflamatórios em pacientes atingidos por formas graves da Covid-19, que correspondem a aproximadamente 5% dos contaminados. “Procuramos adiar o máximo possível a entubação do paciente”, diz o infectologista Alexandre Schwarzbold, da Sociedade Brasileira de Infectologia. De acordo com ele, no Brasil os corticoides também são utilizados em casos graves. “Mas temos que ter cuidado no momento do uso do corticoide”, frisa. O medicamento é evitado nos casos mais leves e há rigor na sua administração, lembra. O pneumologista francês Jean-Marc Naccache, que atua nos hospitais parisienses Saint-Joseph e Foch, também lembrou que no início da epidemia os médicos tinham reticências, mas hoje existe a prova de que os corticoides ajudam a melhorar o estado dos pacientes graves. A chamada tempestade inflamatória, que pode gerar formas graves da Covid-19 e começa em torno do oitavo dia de infecção, é a grande preocupação dos médicos. Nessa segunda fase, o sistema imunológico do paciente, estimulado pelo vírus, se volta contra si mesmo, expondo o doente a complicações. “Em formas mais severas, acompanhada de uma pneumonia e outros sinais preocupantes, como a necessidade de oxigênio, os corticoides são indicados”, reitera Naccache. Anticoagulantes Além disso, o uso de anticoagulantes também se mostrou eficaz em vários casos. “Percebemos rapidamente que os anticoagulantes que usamos eram prescritos em uma dose mais baixa do que a necessária no caso da Covid-19. O que fizemos foi aumentar essa dose”, explica. No Brasil, o uso desses remédios que tornam o sangue mais fluido também foi adotado. “Temos tido cada vez evidências do fenômeno trombótico do coronavírus. Ele causa lesão no epitélio, gerando trombose nos pequenos vasos. Isso justifica o uso do anticoagulante. Estão saindo estudos clínicos bem feitos, mas não temos de fato respostas na literatura médica”, diz o infectologista brasileiro. Ele explica que, em função da natureza da doença, os remédios têm sido usado mesmo em pacientes com formas mais moderadas. Fisioterapia Hoje os médicos também sabem melhor como realizar a oxigenoterapia e a fisioterapia nos doentes, frisa o pneumologista francês. No Brasil, sem medicamentos, o que se tem tentado em casos graves é uma manobra de fisioterapia respiratória, explica Alexandre Schwarzbold. "Os pacientes ficam deitados em decúbito, com o ventre para baixo, durante duas ou três horas, três vezes por dia”, explica. “Tem se revelado uma manobra muito eficaz na resposta ventilatória”, conta. O pneumologista francês lembra também que, com a segunda onda de contaminações, será possível dar continuidade aos protocolos de estudo iniciados antes do confinamento. Um deles, chamado “OutCov” lançado por sua equipe, visa testar remédios em ambulatório que evitem a hospitalização. A molécula que será testada é um poderoso antibiótico, a azitromicina. Como os outros profissionais da saúde franceses, ele teme atualmente superlotação das unidades de terapia intensiva, que poderiam levar a um novo confinamento generalizado no país. Para ele, as medidas adotadas pelo governo para conter a propagação sem paralisar a economia por enquanto não se mostraram eficazes. “O aumento cotidiano do número de pacientes nos hospitais nos mostram que as medidas adotadas são insuficientes”, declara. Novas pistas de tratamento Outras pistas terapêuticas também estão sendo avaliadas pelos pesquisadores: uma delas é a utilização do Interferon, proteína da família das citoquinas, naturalmente produzidas pelas células do sistema de defesa do organismo e que ajudam a combater as infecções. O Interferon 1 administrado em forma de medicamento poderia bloquear a inflamação provocada pelo coronavírus, como explica o o geneticista e imunologista Frédéric Rieux-Laucat, do Instituto francês Imagine, que participou da pesquisa, que deve ser retomada com a chegada de novos pacientes aos hospitais. O pneumologista francês também é cético em relação à vacina. Ele não acredita que um produto estará disponível nos próximos meses. “Espero que as pessoas que fazem os anúncios tenham argumentos suficientes para fazê-lo”, reitera. Segundo ele, o surgimento de pacientes que pegaram a Covid-19 duas vezes, em sua opinião, como é o caso de um doente tratado em um dos hospitais onde atua, mostra que a produção de uma imunização eficaz pode ser bem mais complexa do que parece. O infectologista brasileiro é mais otimista e acredita que as formas de Covid-19 mais grave pode gerar anticorpos eficazes. Segundo ele, ainda é cedo para tirar conclusões sobre a imunidade em torno do SARS-Cov-2. “O que nos interessa são os anticorpos neutralizantes e esses são produzidos de algum modo, resta saber quais pacientes terão mais chances de desenvolver esses anticorpos e quais não vão ter”, conclui.

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