Saúde - Recordista de casos na primeira onda de Covid-19 , leste da França agora registra menos contágios

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O leste da França foi a área mais atingida pela Covid-19 durante a primeira onda epidêmica no país. De março a maio, mais de 3.400 pessoas morreram nos hospitais da região. Curiosamente, a circulação do vírus agora é menor – as cidades de Estrasburgo e Nancy, por exemplo, têm uma taxa de contaminação um pouco acima de 50 pessoas para cada 100.000 – o que indica que a circulação do vírus, por enquanto, está relativamente sob controle. A título de comparação, em Marselha, onde a situação é crítica, essa taxa ultrapassa 200. Em Nancy, no leste, poucos leitos estão ocupados nas unidades de terapia intensiva dedicadas à Covid-19 e as hospitalizações aumentam paulatinamente, mas ainda são raras, explica o infectologista francês Christian Rabaud, presidente da Comissão Médica do Hospital da cidade. Para ele, o fato de a região estar sendo, por enquanto, relativamente poupada na segunda onda de contágios, permanece um mistério. Uma das hipóteses estaria relacionada ao movimento da população durante as férias de verão no hemisfério norte, em julho e agosto. “Os lugares onde o vírus voltou a circular são, essencialmente, destino de férias de jovens, que não desenvolvem formas graves da doença. Ele circulou entre jovens, que transmitiram a Covid entre eles. Em seguida, os jovens voltaram para suas cidades", explica o infectologista. Segundo Rabaud, como a maioria da população francesa vive nas grandes metrópoles, o vírus se propagou principalmente em cidades como Paris e Marselha, ou em estações balneárias, como Nice. “Marselha reúne os dois: é um lugar para passar as férias e uma metrópole, e isso é explosivo”, resume. Por outro lado, a região leste não é um lugar onde tradicionalmente os franceses passam as férias, frisa, e já tem uma taxa de contaminação de cerca de 10%. Em teoria, a população está parcialmente protegida do SARS-Cov-2, apesar de ainda estar distante da chamada imunidade coletiva, estimada pelos cientistas entre 60 e 70% da população se os anticorpos conseguirem proteger o organismo de uma nova infecção – uma hipótese que ainda está sendo estudada. “É um conjunto de fatores que faz com que o leste seja menos atingido ou esteja, pelo menos, ‘atrasado’ em relação a outras regiões mais afetadas do país. Mas talvez não seja o caso daqui 15 dias ou um mês”, declara. Ele acredita que a atividade epidêmica moderada não seja apenas fruto de uma conscientização coletiva da população e da adoção das medidas de proteção. Segunda onda e reorganização do hospital Segundo Rabaud, no auge da epidemia, todos os esforços das equipes estavam voltados para um único objetivo: receber todos os pacientes graves e salvar o máximo de pessoas possível. Exames, cirurgias e outros procedimentos foram suspensos. “Foi complicado, cansativo, exaustivo, pesado, mas em termos de organização, foi relativamente simples, já que só fazíamos isso e todos nossos recursos humanos e financeiros eram dedicados, mais do que antes e sem limite, para enfrentar a Covid”, explicou à RFI Brasil. Os meses entre março e maio, diz, foram fisicamente complicados mas, após a quarentena, em junho, foi preciso deixar a Covid de lado e reorganizar o hospital para atender pacientes com doenças crônicas, como o diabetes por exemplo. “Tivemos que reabrir setores e reinserir novamente as equipes especializadas, com seu know-how específico, para atender esses doentes”, destaca. Para Rabaud, essa reorganização foi complexa: quando a primeira onda chegou ao fim, houve cortes nos recursos atribuídos aos hospitais franceses, o que gerou tensão entre as equipes. Com a chegada de novos pacientes contaminados pela Covid-19, a carga de trabalho agora se acumula. “Temos um novo problema: continuamos a gerenciar todos os outros doentes além dos casos de Covid”, explica. Ele diz que atualmente existe uma “concorrência” na atribuição dos leitos e lembra que o sistema hospitalar francês já estava sobrecarregado mesmo antes da crise. Evitar um novo confinamento Depois de seis meses de epidemia, o objetivo agora é evitar um novo confinamento da população. Ele acredita que as respostas devem ser pontuais, como na Espanha ou algumas cidades francesas, com bares fechando mais cedo, por exemplo, ou reuniões públicas e privadas com um número de pessoas limitado. De acordo com o infectologista, o R0, a taxa de reprodução do vírus, ainda está sob controle relativo na França, contrariamente a fevereiro, quando ultrapassava 2. O R0 indica, em média, quantas pessoas podem ser contaminadas por um caso positivo. Além disso, lembra, a população hoje sabe como e tem meios de se proteger. “Se formos obrigados a confinar novamente, isso será a prova de que gerenciamos tudo muito mal no país”, afirma.

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