Ep. 14| Primeiras Moradas do Castelo Interior

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Trechos do Livro:

"...sem comparação é a nossa insensatez quando não procuramos conhecer nosso valor, e concentramos toda a atenção no corpo. Só por alto, porque o temos ouvido dizer e porque a fé no-Lo ensina, sabemos que a nossa alma existe; mas quantos bens pode haver nesta alma, qual seu grande valor, e quem nela habita - eis o que raras vezes consideramos. O resultado é que procuramos conservar muito pouco a sua beleza; todas as atenções se nos consomem no grosseiro engaste ou murada deste castelo, que são estes nossos corpos".

"...o Senhor muito se agrada de que não se ponha limitações às suas obras".

"Mas ficai sabendo que pode haver grande diferença entre estar e estar: há muitas almas que andam rondando o castelo, nos arredores onde montam a guarda as sentinelas, e nada se lhes dá de penetrar nele. Não sabem o que existe em tão preciosa mansão, nem quem mora nela, nem mesmo as salas que contém. Não tendes ouvido dizer que alguns livros de oração aconselhamento a alma a entrar dentro de si mesma? Pois este é o meu pensamento."

"Dizia-me, há pouco tempo, um grande letrado, que as almas que não praticam oração são semelhantes a um corpo entrevado ou paralítico, o qual, embora tenha pés e mãos, não os pode mover. É bem verdade. Encontram-se algumas tão enfermas e habituadas a engolfar-se nas coisas exteriores, que parece não haver remédio nem possibilidade de as fazer entrar dentro de si. É tal a força do costume, que, por continuamente tratarem as bestas e vermes que estão à roda do castelo, já se tornaram quase semelhantes a eles, e, embora de tão rica natureza - capazes de ter sua conversação não menos que com Deus - não há remédio que lhes valha. Tais almas, se não procurarem entender e remediar sua extrema miséria, tornar-se-ão como estátuas de sal, em razão de não olharem para seu interior. Assim aconteceu à mulher de Ló por ter voltado aos olhos para trás."

"Mas ter o costume de falar à Majestade de Deus com quem fala a uma escravo, dizendo o que vem à boca por havê-lo decorado ou repetido muitas vezes, sem mesmo reparar se está certo - a isto não tenho em conta de oração. Não permita Deus que algum cristão reze deste modo! Entre vós, irmãs, espero em Sua Majestade, não haverá tal pois o costume que temos de tratar de coisas interiores é muito bom para não cair em semelhante bruteza."

"Dirijamo-nos as outras almas, que, enfim, entram no castelo. Estão ainda muito metidas no mundo, mas tem bons desejos e de quando em quando se encomendam a Nosso Senhor e refletem sobre si mesmas, não muito demoradamente. No espaço de um mês, rezam um dia ou outro, cheias de mil negócios e quase de ordinário ocupando nestes o pensamento, porque estão muito apegadas, e o coração se lhes vai para onde têm o seu tesouro. Procuram, todavia, desocupar-se de quando em quando; e é já grande coisa o próprio conhecimento e ver que não vão bem, para atinarem por fim com a porta. Em suma, penetram nas primeiras salas debaixo, mas tantos vermes entram juntamente com elas, que nem lhes deixam ver a formosura do castelo, nem mesmo sossegar. Entretanto, já muito fazem em haver entrado. "

"Em uma palavra: se o terreno onde está plantada a arvore é o demônio - que fruto pode dar?"

"Efetivamente, as coisas da alma sempre se hão de considerar como plenitude, amplidão e grandeza. Não há perigo de exagero... não a constrajam nem a obriguem a ficar num canto. Deixem-na circular por essas moradas, em cima, embaixo, dos lados; e, como Deus a elevou a tão grande dignidade, não a forcem a estar muito tempo numa só peça, ainda que seja a do auto-conhecimento. "

"Assim a alma ocupada em conhecer-se: creia-me e voe almas vezes a considerar a grandeza e a majestade de Deus"

"Oh! Valha-me Deus, filhas, a quantas almas terá feito o demônio perder muito por este meio! Tudo isto, e muitas outras coisas que fácil me seria ajuntar, lhes parece humildade. E por quê? Por não nos conhecermos como convém. O auto conhecimento fica torcido, e, se nunca saímos de nós mesmos, não me espanto destes e de outros males que se podem temer. Por isso digo, filhas, que ponhamos os olhos em Cristo, nosso Bem, e d'Ele, e de seus santos, aprenderemos a verdadeira humildade. Com isso se enobrecerá nosso entendimento. repito, e não nos tornará rasteiros e covardes o auto conhecimento, pois embora seja esta apenas a primeira morada, é extremamente rica e de tão grande preço, que não ficará sem passar adiante quem lograr escapulir dos vermes que há nela. Terríveis são os ardis e manhas do demônio para que as almas não se conheçam, nem entendam o cominho a trilhar."

"Destas moradas primeiras posso dar por experiência boas informações, por isso digo que ninguém imagine poucos aposentos, senão milhões, porque de muitas maneiras entram aqui as almas. Todas têm boa intenção, mas é tão mal intencionado o demônio, que sempre deve guarnecer cada morada de muitas legiões de seus emissários, os quais combatem a fim de impedir a passagem de umas para as outras. Como a pobre alma não o entende, ele de mil modos a engana, o que consegue menos à medida que ela vai chegando às salas mais próximas do centro onde está o Rei. Aqui, ainda se trata de pessoas embebidas no mundo, engolfadas nos contentamentos e deslumbradas pelas honras e pretensões, seus vassalos interiores, que são os sentidos e as potências, não estão revestidos da força que Deus lhes outorgou originariamente , por isso são derrotados, embora ardam com desejo de não ofender a Deus e façam boas obras".

" Haveis de notar que a estas moradas primeiras quase nada ainda chega da luz que sai do palácio onde está o Rei, é porque, embora não estejam escuras e negras, como acontece quando está alma em pecado, se acham de algum modo obscurecidas, e quem nela vive não pode ver claramente.'

"Convém muito, para ter ingresso às segundas moradas, que procure abrir mão dos tratos e negócios dispensáveis. Isso cada um há de fazer segundo seu estado, e é coisa importante para chegar à morada principal, que, se não começar desde logo a exercitar-se, o tenho por impossível".

"Cada um olhe para si".

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