O Mundo Agora - Espionar aliados turva viagem de Joe Biden à Europa

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A atual viagem do presidente Joe Biden à Europa teve um contratempo prévio. O caso da espionagem de aliados no continente pela National Security Agency, dos Estados Unidos, reapareceu meteoricamente na mídia. Desapareceu logo, mas deixou no ar uma cauda também meteórica de perguntas sem respostas. Flávio Aguiar, analista político No começo de junho a rádio Danmarks Broadcast, revelou ter um relatório denunciando que o Serviço de Inteligência e Defesa da Dinamarca colaborara com a National Security Agency para espionar líderes europeus: o presidente Emanuel Macron, da França, o agora presidente Franz-Walter Steinmeier, a chanceler Angela Merkel e o político social-democrata Peer Steinbrück, da Alemanha, pelo menos. A colaboração entre a agência dinamarquesa e a norte-americana se deu entre 2012 e 2014. Junto emergiu a informação de que o governo dinamarquês iniciara uma investigação própria, em 2015, sobre a cooperação e que no ano passado a cúpula da agência foi trocada, o que mostra que ela atuava à revelia das autoridades superiores do país. A presente denúncia corrobora aquelas feitas em 2013 pelo whistleblower Edward Snowden, hoje asilado na Rússia, sobre a imensa rede montada pela espionagem norte-americana, em escala mundial, a partir de 2001, visando inimigos, adversários e aliados, atingindo também, além de Merkel, nossa ex-presidenta Dilma Rousseff. Na época, o então presidente Obama pediu desculpas a Merkel, e disse desconhecer a espionagem. O que era vasculhado? Resposta: celulares, telefones fixos, internet. Por quê a Dinamarca? Resposta: por suas águas territoriais passam cabos submarinos que interligam Suécia, Noruega, Alemanha, Holanda e Reino Unido, além dela própria, e de outras conexões na sequência. Perguntas sem respostas Mas as principais perguntas permanecem sem resposta. Qual o objetivo da espionagem? Não se sabe ao certo. Qual o grau de autonomia com que agem os serviços de inteligência e espionagem? Parece que é muito maior do que se pensava. Qual é a permeabilidade da circulação das informações obtidas, pois parte desta atividade é terceirizada para agências privadas, e ela serve também a propósitos industriais e comerciais? A julgar pela Lava-Jato brasileira ela é enorme. Qual o envolvimento do ex-vice e hoje presidente Joe Biden? Não se sabe. E logo no momento delicado em que ele realiza essa viagem por países europeus, incluindo uma cúpula do G7, com “a expectativa de unir as democracias” e uma reunião com Vladimir Putin na sequência. Ao deixar a presidência dos Estados Unidos em 1961, o conservador e republicano Dwight Eisenhower, advertiu sobre o perigo do que chamou de “complexo industrial-militar” que constituiria um “Estado Paralelo” dentro do seu país. Hoje a advertência poderia ser repetida em relação a um tentacular “Complexo de Inteligência, Espionagem e Informação”, de alcance mundial, constituindo o que nos Estados Unidos se chama de um “Deep State”, um “Estado Profundo” ou “Oculto”, com grande poder, que planeja políticas e age à revelia dos demais poderes. Seus aliados europeus estão descobrindo a validade de um ditado muito brasileiro: “protejam-me dos meus amigos; dos meus inimigos eu me encarrego”.

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