França assume presidência da União Europeia com muitas ambições, apesar dos limites do cargo

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A França assume neste 1° de janeiro a presidência transitória da União Europeia (UE). O assunto é destaque na imprensa, que lista os desafios de Paris nos próximos seis meses. Essa é a 13ª vez que a França assume a direção rotativa da União Europeia, a primeira após o Tratado de Lisboa. O país substituirá a Eslovênia e presidirá por seis meses o Conselho da União Europeia, que representa os interesses dos 27 Estados-membros perante a Comissão e o Parlamento europeus. Paris conta usar esta influência para levar adiante algumas questões e obter compromissos de seus parceiros, embora o papel de mediador imparcial impeça a França de ser juiz e parte. “A presidência da União Europeia não é um momento ‘mágico’ que permitirá à França dominar a Europa, esse eterno sonho napoleônico”, ironiza a revista Le Point. Mesmo assim, os ministros franceses presidirão as reuniões dos seus colegas europeus em suas respectivas áreas (agricultura, saúde, interior...). Em uma reportagem bastante didática, Le Point explica que tecnicamente Emmanuel Macron pode organizar encontros informais e que Paris já prevê duas reuniões para tratar de temas como a relação com o continente africano e o investimento no bloco europeu. “Mas, de um ponto de vista legal, nenhuma decisão é tomada nessas reuniões de cúpula”, resume a revista. Porém, as “conclusões” desses encontros são enviadas à Comissão Europeia que, em seguida, pode agir concretamente. Apesar desses limites, a presidência francesa já anunciou três prioridades nas quais espera obter resultados: a criação de um salário mínimo em toda a União Europeia, a regulamentação dos gigantes digitais e um imposto sobre o carbono nas fronteiras. Controle de fronteiras Emmanuel Macron, eleito em 2017 com um programa pró-europeu, estabeleceu como objetivo desta presidência temporária reforçar "uma Europa poderosa no mundo". A revista L’Express, aliás, lembra que no início deste mês, o chefe de Estado defendeu uma Europa “capaz de controlar suas fronteiras”. O líder francês mencionou as crises migratórias recentes na porta da Lituânia e da Polônia e insistiu na necessidade de se encontrar “uma organização política que defenda seus valores”, citando, inclusive, uma reforma do espaço Schengen, a zona de livre circulação de pessoas no bloco. Mas Le Point explica que a presidência transitória é um momento que exige destreza política e muita diplomacia. “Todos concordam que uma boa presidência da UE é uma presidência humilde e à serviço do coletivo”, resume a revista. “Geralmente os escandinavos são bons nesse exercício e os italianos são muito eficazes. Já os alemães não conseguiram fazer o que queriam por causa da pandemia, enquanto a lembrança deixada pela direção grega é deplorável”, lista a reportagem, deixando em suspenso a pergunta: será que a França será melhor?

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