PRAGA DE SÃO VITO

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No programa de abertura do Trabuco Show, trataremos de um fenômeno bizarro que aconteceu na idade média, as epidemias de dança, sim epidemias, pessoas que misteriosamente começavam a dançar, de forma contagiosa e em vários casos até as suas mortes.

Descrição Do episódio

Quem Foi São Vito

Vito da Lucânia - Pintor Anônimo
Vito da Lucânia – Pintor Anônimo

No sul da Itália, durante o século 3, um homem começou a operar milagres, curando pessoas com membros atrofiados, mas se destacou por um tipo de milagre em específico, ele retirava os demônios que atacavam as pessoas lhe causando estranhas tremedeiras e que fazia elas se contorcer toda, um dos principais curados foi o imperador Diocleciano e seu filho que sofriam de um mau hoje conhecido como epilepsia.

O homem que operava esses milagres hoje ficou conhecido como São Vito, e justamente por operar a fé e exercer seus milagres, foi preso pelo próprio homem a quem ajudou, após ser torturado diversas vezes por não renegar a cristo, conseguiu fugir da prisão, porém foi encontrado e no dia 8 de maio de 303 foi decapitado na região de Milão, em Porta Vercelina.

São Vito hoje é considerado o padroeiro dos portadores de doenças neurológicas, justamente por seus milagres com a epilepsia, esta que era conhecida como a dança do diabo ou a dança da morte, e justamente por isso, o tema do episódio de hoje, nos leva a doença de são vito, ou então apenas a epidemia de dança.

Os Casos ABORDADOS NO PROGRAMA

KÖLBIGK, 1021

O primeiro registro histórico, aconteceu no ano de 1021 em uma véspera de natal, onde 18 pessoas se reuniram em frente a uma igreja na cidade alemã de Kölbigk e dançaram como selvagens. O padre, foi incapaz de realizar a missa por causa do barulho que vinha das pessoas do lado de fora, e ordenou que

The Wedding Dance - Pintura de Pieter Bruegel, o Velho
The Wedding Dance – Pintura de Pieter Bruegel, o Velho

parassem. Obviamente ignorando o padre, os “alucinados”, deram as mãos e dançaram uma “dança circular do pecado”, batendo palmas, pulando e cantando em uníssono.
O padre então enfurecido, mandou gravar nos registros da cidade, que amaldiçoava essas pessoas “a dançar por um ano inteiro” como punição por sua leviandade ultrajante.
Mal sabia ele que isso funcionaria. Somente no Natal seguinte os bailarinos recuperaram o controle de seus membros. Exaustos e arrependidos, caíram em um sono profundo e alguns deles nunca acordaram.

ERFURT, 1247

Ainda na Alemanha, na cidade de Erfurt, desta vez em 1247. Um surto com mais pessoas aconteceu, onde aproximadamente 200 pessoas começaram a dançar incontrolavelmente, as autoridades locais então decidiram juntar o grupo de pessoas em um lugar afastado, mais precisamente na fronteira da cidade, com o município de Maastricht, todos em cima da ponte do rio Moselle que dividia os municípios, e obviamente isso não deu certo, a ponte desabou e as quase duzentas pessoas morreram afogadas, por coincidência o nome da ponte era em homenagem a São Vito, e esse é mai s
um dos motivos que a praga, ou epidemia de dança também leva o seu nome.

AQUISGRANO, 1337

Em julho de 1337 um novo caso ocorreu, desta vez na cidade que hoje pertence a Alemanhã, Aquisgrano. Um grupo de pessoas foi visto dançando incontrolavelmente nas ruas, espumando pela boca e gritando que estavam tendo visões selvagens. Eles continuaram dançando até que caíram de exaustão, mas mesmo assim, ainda se mantinham agitados e precisavam ser contidos com força, enquanto imploravam para que padres ou monges salvarem suas almas.

TRIVÉRIS, entre 1330 e 1400

Estima Se alguma décadas depois, já que o registro não está datado, porém presume se esta pela linha temporal do ocorrido, o abade do monastério da cidade alemã de Trivéris, registrou em seus diários um surto de dança que envolveu dezenas de pessoas, que durou cerca de seis meses, e ele pode testemunhar uma orda de dançarinos requebrarem até quebrar os seus quadris ou costelas.

STRAUSSBURG, 1518

Este aqui é sem dúvidas o mais famoso, e de longe o mais documentado, sendo uma das testemunhas pessoas de renome dentro da ciência como o alquimista suíço-alemão Paracelso, um dos descobridores do elemento quimico zinco, ele em seus registros disse que a dança de São Vito ou “chorea naturalis”, trazia ao infectado a perda de estabilidade emocional e controle motor voluntário, e esse motivo as pessoas perdiam o controle e dançavam…

Os registros de Paracelso aconteceram no ano de 1518 em na cidade francesa de Straussburg, e segundo os relatos dele e diversos documentos oficiais da cidade, tudo começou quando uma mulher chamada Frau Troffea, começou a dançar freneticamente na rua. Logo, dezenas de outras pessoas se juntaram a ela. E não conseguiam parar, conforme as pessoas se aproximavam, alguma eram atraídas pela síndrome de forma involuntária, outras não, dizem que as pessoas gritavam em dor, pediam ajuda aos berros e clamavam por misericórdia.

Após três dias de dança Frau Toffea estava coberta de suor e com os seus sapatos manchados de sangue.
As autoridades locais, de forma completamente sádica, na tentativa de controlar a epidemia, instalaram um palco com músicos para acompanhar os infectados, o que só piorou as coisas, é estimado que mais de 400 pessoas participaram do surto de dança, e com o incentivo da prefeitura de tocar música, rapidamente vários cidadãos chegaram à morte por exaustão. A dança só foi parar no fim do verão, em agosto, depois do falecimento de vários dos participantes e dos pés de outros inviabilizam qualquer tipo de movimento.

TARANTO, ENTRE 1450 E 1500

Lycosa tarantula
Lycosa tarantula

No final do século XV, um surto em particular na cidade de Taranto, no sul da Itália, deu origem a uma forma real de dança. Aqui, acreditava-se que a dança maníaca era causada pela picada de uma aranha local. Novamente, a música foi empregada para tentar curar os dançarinos, e uma dança que imitava suas ações foi desenvolvida – possivelmente por empatia pelos aflitos ou por protestos sutis contra o governo local, ou possivelmente pela influência de um culto local. Dionísio que pode ter existido lá. O nome da mania local da dança ficou conhecido como tarantismo, depois da cidade de Taranto, e a aranha indígena dominou a tarântula. Como outras tarântulas, o tarantual da Apúlia não é verdadeiramente venenoso, embora possa dar uma mordida dolorosa e não possa ter sido responsável pela mania. Mas a dança desenvolvida após o surgimento da mania da dança continuou sendo a tarantela.

Links Base Para o Programa

https://super.abril.com.br/mundo-estranho/o-que-foi-a-praga-de-sao-vito/
https://medium.com/revista-subjetiva/o-que-est%C3%A1-por-tr%C3%A1s-das-epidemias-de-dan%C3%A7a-d7a1c211f155
https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/Historia/noticia/2016/11/o-que-causou-estranha-epidemia-de-danca-de-1518.html
https://en.wikipedia.org/wiki/Sydenham%27s_chorea#History
https://en.wikipedia.org/wiki/Saint_Vitus%27_dance
https://en.wikipedia.org/wiki/Dancing_mania#Outbreaks
https://jnnp.bmj.com/content/70/1/14
https://paroquiasaovito.com.br/sao-vito-martir
https://cruzterrasanta.com.br/historia-de-sao-vitor/381/102/
http://www.pbm.com/~lindahl/lod/vol3/dancing_mania.html#n2
https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(09)60386-X/fulltext

Trilha Sonora Do Podcast

The Dance of Death - Pintura de Michael Wolgemut
The Dance of Death – Pintura de Michael Wolgemut

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“Drama Intro 6 (Page Turn)” by Sascha Ende (https://www.sascha-ende.de)
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“The Dark Tile – Creepy Underscore” by Rafael Krux (https://www.orchestralis.net/)
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Participaram Deste Programa

Almir Ribeiro De Almeida

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Nova Geek

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Pensador Louco

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Petrus Davi

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