Final da Liga dos Campeões e torneio de Roland Garros trazem milhares de turistas a Paris

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A final da Liga dos Campeões entre o Liverpool e o Real Madrid neste sábado (28), no Stade de France, em Saint-Denis, subúrbio ao norte de Paris, deve trazer 110 mil torcedores à capital francesa até domingo. As autoridades reforçaram o policiamento para enfrentar um fim de semana excepcional em eventos. Esta quinta-feira, 26 de maio, foi um feriado católico na França — a festa da Ascensão, que comemora a ascenção de Jesus ao céu —, e muitos franceses "enforcaram" a sexta-feira de trabalho, prolongando o fim de semana. O tempo bom e a programação esportiva excepcional atraem um público diversificado à capital francesa, que também comemora o fim das restrições da Covid-19. Com a primeira semana do torneio de tênis de Roland Garros em andamento, mais a final da Liga dos Campeões, no sábado, Paris foi tomada por turistas e torcedores, tanto de outras regiões do país quanto estrangeiros. Entre a sexta-feira e o sábado, a expectativa é de que 70 mil torcedores ingleses e 44 mil espanhóis cheguem à capital para assistir à terceira decisão entre os Reds e os merengues na história da Champions. Cerca de 6.800 policiais e militares foram mobilizados nos aeroportos, nas estações de trem e nos postos de pedágio das rodovias que dão acesso a Paris e Saint-Denis, onde fica o estádio, para orientar os torcedores. Os ingressos estão esgotados, e a principal preocupação das autoridades é evitar que as torcidas rivais se encontrem ao mesmo tempo no mesmo lugar. O policiamento também foi reforçado nas estações de metrô. Duas grandes fan zones foram instaladas na região, bem distantes uma da outra. Os torcedores espanhóis devem se dirigir ao Parque da Legião de Honra, em Saint-Denis, ao norte de Paris, enquanto os ingleses verão o jogo em uma fan zone no Parque de Vincennes, que fica do lado oposto da cidade, no 12° distrito da capital. Praticamente não existem mais quartos disponíveis nos hotéis, e os preços cobrados pelos estabelecimentos estão estratosféricos. Na quarta-feira (25), a diária de um hotel quatro estrelas no 15° distrito de Paris estava custando € 1.000, cerca de R$ 5.000, mas havia concorrentes mais ousados pedindo até € 4.000 por uma noite, em torno de R$ 20.000. Perto da estação ferroviária Gare du Nord, onde chega o trem rápido (Eurostar) que faz a ligação entre Londres e Paris, os hotéis mais baratos, que normalmente cobram € 100 a diária, estavam pedindo € 300-350 por noite. O Escritório de Turismo de Paris tem uma projeção de 87% de ocupação nos hotéis e flats da capital neste fim de semana. Turismo internacional cresce desde abril Desde abril, o número de turistas estrangeiros em Paris começou a aumentar: ingleses, americanos, japoneses, brasileiros, europeus de outros países do bloco e turistas do Oriente Médio retomaram as viagens internacionais. A vida voltou ao normal, com o declínio da Covid-19. Só os chineses não voltaram, porque enfrentam agora o momento mais difícil da pandemia. Além dos estrangeiros, os franceses também mudaram de comportamento e têm preferido viajar pelo país, por várias razões. Em primeiro lugar, as autoridades fizeram repetidos apelos para a população dar apoio à economia local. Com a pandemia, as pessoas também ficaram com mais receio de viajar para outros países e enfrentar, por exemplo, o aparecimento de uma nova variante da Covid-19 ou outra doença, e não encontrar as mesmas facilidades que desfrutam com o sistema de saúde gratuito oferecido no país. O estado de emergência ecológica e os chamados para um modo de vida mais sóbrio, menos poluente e nocivo para o planeta, têm sensibilizado segmentos da sociedade. Em 2021, a maioria dos franceses passou as férias de verão, em julho e agosto, dentro da França. Este ano será provavelmente igual, já que as reservas para os meses do verão estão adiantadas e em alta de 20% em relação à mesma época no ano passado. O setor de hotelaria festeja um retorno da clientela que quase não acreditava mais recuperar, devido às novas modalidades de hospedagem. Mas as locações pelo Airbnb encareceram em Paris nos últimos dois anos, por causa do aumento de impostos cobrados pela prefeitura. Além disso, muitos proprietários venderam seus imóveis durante a pandemia, o que favorece a hotelaria tradicional. No início do ano, houve uma negociação coletiva que resultou em um aumentou de 16% nos salários de recepcionistas, camareiras e outros empregos na categoria. Restaurantes enfrentam dificuldade para recrutar pessoal Por outro lado, os restaurantes buscam desesperadamente mão de obra e não conseguem recrutar pessoal. Existem atualmente 300 mil vagas abertas em todo o território francês para a temporada do verão, mas faltam candidatos. Alguns donos de restaurante têm oferecido prêmios em dinheiro para quem apresentar um chef de cozinha ou um pizzaiolo. As vagas para garçom também não suscitam interesse. As longas jornadas de trabalho, associadas a salários baixos, não atraem mais os trabalhadores. Para segurar os empregados que ficaram, depois da pandemia, alguns donos de restaurante reduziram os dias de serviço. Assim, ao invés de abrir sete dias por semana, por exemplo, eles funcionam apenas quatro dias. Pelo mesmo salário, os empregados têm mais folgas para se dedicar à família e descansar. A alta de preços da energia, dos alimentos e o retorno da inflação também preocupam o setor. Para não repercutir esses aumentos no cardápio, os chefs têm procurado adaptar seus pratos a essa nova realidade, uma vez que o dinheiro também está curto para os franceses.

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