Macron reforça liderança na corrida presidencial; Marine Le Pen endurece discurso antissistema

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A primeira semana de campanha entre os dois turnos da eleição presidencial francesa termina com uma tendência mais favorável ao presidente Emmanuel Macron do que para a rival Marine Le Pen. Três pesquisas publicadas nos últimos dias apontam vitória de Macron por 7 a 12 pontos de vantagem no segundo turno, marcado para 24 de abril. A chamada "frente republicana" contra a extrema direita dá sinais de resistir. Desde o anúncio dos resultados do primeiro turno, no domingo (10), Macron e Le Pen intensificaram as viagens pelo país atrás dos votos de eleitores dos candidatos derrotados na primeira etapa. A disputa entrou em uma nova fase, de detalhamento dos programas de governo dos dois finalistas, o que trouxe para a frente do palanque as profundas divergências ideológicas entre o presidente, que encarna o centro republicano, e a nacionalista Le Pen. Os ataques estão mais pessoais e o duelo de valores em evidência. Ausente das ruas antes do primeiro turno, Macron se expôs nos últimos dias aos questionamentos sobre seu balanço de governo, sem se esquivar de eleitores mais agressivos. Essa proximidade com os franceses deu resultado. O centrista reforça sua posição de líder do campo democrata, disposto a incorporar num segundo mandato propostas dos ecologistas, da esquerda, inclusive radical, e da direita moderada. É uma estratégia para expandir sua margem de votos, mas também uma forma de se reafirmar no centro do espectro político francês entre os extremos, agregando eleitores órfãos dos partidos tradicionais, que acabaram de desmoronar nessa eleição. Marine Le Pen segue visando áreas rurais e cidades pequenas, onde consolidou sua base nos últimos anos, mas evita as periferias dos grandes centros urbanos, onde suas propostas radicais anti-imigração são mal recebidas. Ela tenta fazer do segundo turno, no dia 24 de abril, um plebiscito contra Macron, mas não é certo que essa tática vá se converter em votos à extrema direita. Os simpatizantes do polemista Éric Zemmour, quarto colocado no primeiro turno, votarão em Le Pen, mas fora do campo da extrema direita, ela enfrenta dificuldades para captar apoio. Depois de um grupo de 50 atletas no início da semana, 500 artistas e escritores franceses, entre eles o cineasta Guillaume Canet e a atriz Charlotte Gainsbourg, declararam nesta sexta-feira (15) que votarão em Macron "sem hesitação". Em uma carta aberta, eles denunciam o programa "xenófobo" de Marine Le Pen. Le Pen radicaliza discurso antissistema Em um comício na quinta-feira (13) em Avignon, no sul da França, a líder do partido Reunião Nacional voltou a usar expressões que tinham desaparecido de seu discurso nos últimos meses. Ela citou ao menos sete vezes a palavra "sistema", dizendo ser a única candidata capaz de "mudar as coisas". Repetiu à exaustão a frase "povo que vota é povo que ganha", além de afirmar que, se eleita, irá tirar do poder "a casta que governa o país". A nove dias do segundo turno, Marine Le Pen acentua o tom populista e antissistema, o que vinha buscando disfarçar até agora. Um levantamento do instituto Ipsos mostrou na quinta-feira que há duas vezes mais eleitores do candidato da esquerda radical, Jean-Luc-Mélenchon, terceiro colocado no primeiro turno, que irão votar em Macron do quem em Le Pen. No sábado (16), sai o resultado da consulta feita entre os militantes do partido A França Insubmissa, que foram submetidos a três opções no segundo turno: abstenção, voto em branco ou em Macron. Mélenchon já enfatizou que "nenhum voto deve ir para a extrema direita". Os ex-presidentes François Hollande, socialista, e Nicolas Sarkozy, de direita, divulgaram que votarão em Macron e pedem aos franceses para barrar a extrema direita na votação do dia 24. Ocupação de universidades A semana também foi marcada pela ocupação de universidades por estudantes insatisfeitos com o resultado do primeiro turno. Centenas de estudantes se mobilizaram em várias cidades francesas, como Paris, Nancy ou Reims, para pedir mais atenção às questões ecológicas e sociais e criticar os candidatos que disputam o segundo turno. Um grupo que havia invadido a Sorbonne, em Paris, deixou os prédios da universidade na tarde de quinta-feira, mas outros estudantes preferiram continuar o protesto e só deixaram o local na tarde de hoje. A reitoria condenou "a ocupação ilegal", que acabou em depredação de parte das instalações. Macron e Le Pen reagiram à ocupação. Ela disse que os estudantes "perderam o bonde da democracia" e não deveriam se opor "à vontade do povo francês". Macron afirmou que "a democracia tem regras" e que no segundo turno de uma eleição, cada um tem a opção de escolher o candidato mais próximo de suas convicções pessoais, "senão é a anarquia". Debate será decisivo As atenções estão voltadas para o debate entre os dois candidatos, na próxima quarta-feira (20). O confronto será decisivo, principalmente para Marine Le Pen, que não pretende repetir o fiasco de 2017, quando cometeu muitos erros diante do novato Emmanuel Macron.

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