Um pulo em Paris - Covid-19 torna participação no segundo turno das municipais na França uma incógnita

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Os franceses votam no domingo (28) no segundo turno das eleições municipais. Apesar das críticas feitas ao presidente Emmanuel Macron, acusado pela opinião pública e pela oposição de ter sido irresponsável ao promover o primeiro turno no dia 15 de março, apenas dois dias antes do confinamento parcial do país, os estudos realizados até agora sobre o impacto da votação no número de mortes pela Covid-19 são inconclusivos. Um grande estudo feito por epidemiologistas e matemáticos franceses indicou no final de maio que o primeiro turno das municipais não acelerou estatisticamente a circulação do coronavírus, embora seus autores não tenham negado a possibilidade de terem ocorrido novas contaminações. Segundo um dos autores do levantamento, Jérôme Fourquet, diretor da área de opinião do Instituto Francês de Opinião Pública (Ifop), o fato de alguns candidatos e assessores terem desenvolvido a doença e até morrido com a pneumonia viral não pode ser atribuído a um ato da campanha. "Os políticos são pessoas que pela natureza da atividade têm contato intenso e diário com um grande número de interlocutores", argumenta. "Seria difícil estabalecer a parte de responsabilidade da eleição em um cotidiano que é pontuado por contatos com dezenas de pessoas", afirma. Para chegar a essa conclusão, o estudo cruzou dados sobre a expansão da epidemia em todo o território francês, o número de pacientes que necessitaram de hospitalização e as mortes nas semanas anteriores e posteriores à votação. De acordo com Jean-David Zeitoun, do Centro de Epidemiologia Clínica do Hospital Hôtel-Dieu, em Paris, coordenador da pesquisa, "não foi porque um número maior de pessoas foi votar em uma determinada localidade que aumentou o número de hospitalizações causadas pelo coronavírus". Apesar dessa constatação, as autoridades tomaram uma série de precauções adicionais para o segundo turno. O período oficial de campanha foi reduzido a uma semana. Os grandes comícios foram abolidos, mas as reuniões públicas com um número limitado de dez participantes foram autorizadas. Os candidatos podem distribuir santinhos e outros impressos nas ruas e conversar com os eleitores, desde que usem máscaras e mantenham a distância física. Mas, sem dúvida, é uma campanha atípica, com forte presença dos políticos nas redes sociais, mais do que de costume, muitas lives e envio de mensagens aos eleitores pelo telefone celular. As autoridades tomaram todo o cuidado para evitar a proximidade física nas seções eleitorais. As distâncias de segurança são marcadas no solo, o uso de máscara e gel hidroalcoólico é obrigatório. O eleitor deve levar uma caneta de casa para assinar a lista de participação. No entanto, nas últimas duas semanas nota-se um relaxamento preocupante dos cuidados preventivos entre os franceses. Há cada vez mais gente sem máscara nas ruas e pouca ou nenhuma preocupação com o distanciamento físico, principalmente nos cafés e nas calçadas. Diariamente, o Ministério da Saúde insiste que o novo coronavírus continua em circulação no país: são 500 novos casos da Covid-19 por dia. É um número bem menor do que na primeira quinzena de março, quando havia milhares de contaminações diárias. As hospitalizações na UTI despencaram para 10 pacientes por dia, contra 700 no auge da epidemia. Mas isso não deveria ser motivo para tanta displicência, principalmente porque a Organização Mundial da Saúde (OMS) constata um aumento das infecções em cerca de 30 países europeus nas duas últimas semanas. Temas de preocupação mudam com a pandemia Uma pesquisa indica que a limpeza urbana e a segurança pública ganharam pontos nas prioridades dos eleitores em Paris. Com o confinamento que se prolongou por dois meses, os parisienses passaram a dar mais atenção a aspectos diretamente ligados à vida cotidiana. Três candidatas concorrem no segundo turno na capital, mas a disputa está focalizada entre a esquerda e a direita. A conservadora Rachida Dati, ex-ministra da Justiça de Nicolas Sarkozy, promete acabar com a população de 5 milhões de ratos em Paris, o dobro da população da cidade. Ela também promete melhorar a limpeza urbana, privatizando a coleta do lixo. A atual prefeita, a socialista Anne Hidalgo, que deve ser reeleita no domingo, reforçou seu programa de esquerda, em parceria com os ecologistas: ela promete ampliar sua política ambiental, com medidas adicionais para diminuir a circulação de carros e a poluição na cidade. Durante a pandemia, Hidalgo reforçou o atendimento social às famílias carentes. A terceira candidata e representante do partido de Macron, Agnès Buzyn, foi ministra da Saúde até janeiro. Mas ela caiu de paraquedas na disputa, quando o candidato designado pelo presidente teve de renunciar após um escândalo sexual. Ela praticamente não tem chances de ser eleita, o que será de toda forma um revés político para o presidente, criador de um movimento que ainda não conseguiu se estruturar como um partido sólido, com quadros que inspirem a confiança dos eleitores. A taxa de participação é a maior incógnita dessas municipais. O primeiro turno foi marcado pela abstenção histórica de 55,34% dos eleitores, quase 20 pontos a mais que em 2014. E ao contrário do que se poderia imaginar, não foram os idosos, os eleitores mais vulneráveis que boicotaram as urnas com medo do coronavírus, e sim os jovens, o que tem sido uma constante nas últimas décadas na França.

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