Um pulo em Paris - Donos de bares e restaurantes fazem panelaço na França contra novo fechamento para evitar Covid-19

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Donos de bares, restaurantes, hotéis e discotecas fizeram um panelaço ña França às 11h45 desta sexta-feira (2), em frente aos seus estabelecimentos, para dizer que se recusam a "morrer em silêncio". O governo francês estuda fechar, a partir de segunda-feira (5), bares e restaurantes da capital e cinco cidades francesas por causa do agravamento da epidemia de coronavírus. A convocação para o panelaço foi lançada pelo chef Philippe Etchebest, dono do restaurante "Le Quatrième Mur", em Bordeaux, jurado da versão francesa do programa Top Chef. A manifestação ganhou a adesão do Sindicato das Profissões e das Indústrias da Hotelaria (Umih). Empresários e seus empregados bateram panelas, usando uma braçadeira preta no braço, "em sinal de luto" pelas perdas do setor. O ministro da Saúde, Olivier Verán, anunciou na quinta-feira (1) que Paris, Lyon, Lille, Grenoble, Toulouse e Saint-Etienne poderão ser declaradas em estado de "alerta máximo" para a Covid-19, se não houver uma inflexão do número de novas contaminações até segunda-feira. Isso significa fechar completamente esses estabelecimentos, que passaram quase três meses sem qualquer atividade no primeiro semestre. A tentativa de fechar os bares mais cedo, como o governo francês tentou fazer na última semana, não produziu o impacto esperado. A incidência de novos casos da Covid-19, em sete dias, ainda ultrapassa 250 por 100 mil habitantes no perímetro que engloba Paris e 123 municípios da periferia. A ocupação de leitos de UTI por pacientes com o coronavírus atingiu 35,3% na quinta-feira em Ile-de-France, acima do limite crítico de 30%, e a taxa de positividade dos testes continua em torno de 7%. Desde segunda-feira passada, os bares são obrigados a fechar em Paris às 22h, e os restaurantes podem continuar servindo refeições até mais tarde. O problema é que a maioria dos cafés e restaurantes da capital oferece as duas opções para o cliente no mesmo espaço. É possível ocupar uma mesa para para consumir apenas bebidas ou comandar um prato. E o que fazem as pessoas quando chega 22h? Pedem uma porção de batata frita e continuam no local. A limitação de horário não diminuiu a frequência de clientes, e com isso, surtiu pouco impacto na redução das contaminações. "Esse tipo de medida é coisa de burocrata", dizem os críticos, inútil na gestão de uma epidemia. Desemprego e falência Nos bares e restaurantes, 150 mil pessoas perderam o emprego no primeiro semestre. Chefs estrelados projetam 30% de falências até o final do ano. Os donos de bares têm pouca esperança de continuar em funcionamento. Já os restaurantes fizeram propostas ao governo para reforçar o protocolo sanitário. Além da exigência de máscaras e distribuição de álcool gel, eles se dispõem a medir a temperatura dos clientes na chegada, diminuir as mesas de dez para oito pessoas, pagar a conta sempre na mesa, nunca no caixa, para evitar os deslocamentos, e anotar as coordenadas de todos os clientes, para que eles possam ser avisados caso apareça um caso positivo da Covid-19. Os donos de casas noturnas também buscam uma solução para reabrir. Em Paris, a famosa discoteca Les Bans, que tem uma piscina ao lado da pista de dança, tinha acabado de transformar o espaço em restaurante. O governo tem acompanhado as restrições com medidas de apoio econômico, mas os empresários querem trabalhar. A adesão dos franceses às medidas de distanciamento está diminuindo com o tempo, mesmo com o aumento de casos do coronavírus. Também se observa uma politização da epidemia, que acaba tendo efeitos deletérios. O governo demorou para adotar a obrigatoriedade das máscaras, tem gerenciado mal os testes, que demoram para dar resultados, e agora falha na gestão pontual das restrições para evitar um reconfinamento nacional, um novo lockdown que seria desastroso para a economia. A oposição aproveita essa brecha para politizar a epidemia, estimulando até a desobediência civil, como aconteceu esta semana em Marselha (sul), primeira cidade a ter bares e restaurantes fechados na última segunda-feira (28). A vice-prefeita de Marselha, Samia Ghali, pediu à polícia municipal para não multar os estabelecimentos que desrespeitassem a medida, quando o Estado tem a prerrogativa de tratamento das crises sanitárias. No setor de serviços, muitos empresários se sentem estigmatizados. Hoje, além dos donos de bares e restaurantes, também houve manifestações de donos de academias de ginástica. Esses espaços, fechados pela segunda vez desde o início da epidemia, em março, dizem ter investido dinheiro para garantir a proteção dos clientes e se sentem traídos pelo governo.

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