O desaparecimento das sementes Feat Glenn Makuta

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"Quem controla as sementes, controla o alimento. E quem controla o alimento, controla a vida". As sementes são para os agricultores muito mais do que uma ferramenta de produção: assim como uma língua ou um conjunto de ritos, elas são a expressão de uma cultura alimentar que se estruturou ao longo do tempo e de um conhecimento profundamente enraizado no território. O agronegócio, porém, padronizou a produção agrícola. O modelo "moderno" tem como base o uso de poucas variedades de sementes produzidas em larga escala por poderosas multinacionais. Essas mesmas empresas criaram as sementes geneticamente modificadas - que por serem patenteadas, precisam ser compradas todos os anos pelos agricultores; conglomerados como Bayer e Syngenta, hoje são proprietários de algo que, na história humana, sempre foi de acesso gratuito - e os insumos agrotóxicos necessários para que vinguem. Segundo estudo divulgado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), esse círculo vicioso já fez a humanidade perder, durante o século 20, 75% da biodiversidade alimentar desenvolvida ao longo de 10 mil anos. O empobrecimento da agrobiodiversidade corresponde, inevitavelmente, a um empobrecimento dietético que resulta em um sistema alimentar altamente concentrado e pouco resiliente, afetando não apenas a qualidade da alimentação das pessoas como também comprometendo a própria viabilidade do modelo agronegocial no médio prazo. Dependemos cada vez mais de menos variedades - e com o aquecimento global, isso é um tremendo problema. Para entender porquê o "sumiço" das sementes é tão grave, conversamos com Glenn Makuta. Biólogo, ativista alimentar e articulador de rede pela Associação Slow Food do Brasil, Glenn também é um dos idealizadores da campanha 'Festa junina livre de transgênicos', promovido pela rede Slow Food Brasil.

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