Vida em França - Tensões com a Turquia: "A França nunca renunciará " aos seus valores

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Desde Agosto a França e a Turquia vivem uma escalada de tensão, depois da França apoiar a Grécia no contexto da crise turca-grega no Mediterrâneo. As relações agravaram-se entre Ancara e Paris depois de Emmanuel Macron ter defendido a liberdade de caricaturar o profeta Maomé, numa homenagem ao professor francês Samuel Paty decapitado por um extremista islâmico. "O boicote aos produtos franceses é uma medida meramente interna e dirigida ao seu eleitorado, bastante conservador. A Turquia vive uma situação económica catastrófica e esta questão do boicote é extremamente fácil para conquistar apoiantes. É uma forma de protestar que é facilmente acessível à população que já está a favor de Erdogan e que ele tenta mobilizar através deste boicote. Esta não é uma medida popular porque os produtos franceses são caros, acessíveis apenas a uma pequena franja do seu eleitorado", descreve Dejanirah Couto, investigadora da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais de Paris. Esta semana a revista satírica Charlie Hebdo publicou uma caricatura do presidente turco. Sob o título "Erdogan -- Em privado é muito divertido", na imagem vê-se o presidente turco sentado num sofá, de 't-shirt', roupa interior e bebida de lata na mão, enquanto levanta a saia de uma mulher com véu, que não usa roupa interior, e exclama: "Ai! O profeta". O governo turco reagiu e diz responder com medidas "judiciais e diplomáticas". Dejanirah Couto, investigadora da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais de Paris, descreve a relação entre a Turquia e a França. "Erdogan não é representativo do mundo árabe. Por um lado existe a Turquia e os turcos da emigração na Europa e por outro o mundo árabe. O que está a acontecer, com o pouco recuo que temos, é que Erdogan tem lançado os seus comentários mais para o mundo turco ou centro-turco, que compreende países da ex-União Soviética, e o mundo árabe não segue as palavras de Erdogan. Quando digo o mundo árabe é um outro sector do mundo islâmico, que vai desde o mediterrâneo até à Indonésia. Esse segundo islão tem um potencial do protesto infinitamente maior que o de Erdogan", lembra a investigadora. "A questão de Erdogan foi o primeiro acender do primeiro foco, mas os acontecimentos estão a tomar uma dinâmica muito mais forte, praticamente independente de Erdogan,. Refiro-me aos protestos no Paquistão.. protestos que se vão levantar noutros locais do mundo islâmico, além do Médio Oriente", descreve Dejanirah Couto.

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