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Episódio 105 - "Ver de Verão" - Conversa com Antonia Gaeta

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Antonia Gaeta, nascida em Lanciano, Itália, é Licenciada em Conservação dos Bens Culturais pela Universidade de Bolonha, veio para Portugal em 2003 onde completou o Mestrado em Estudos Curatoriais na Universidade de Belas-Artes de Lisboa, mais tarde doutorou-se em Arte Contemporânea no Colégio das Artes da Universidade de Coimbra. Desde 2005, trabalha como curadora independente, sendo que do seu percurso mais recente se destacam as seguintes exposições: Cangiante com obras da Colecção Caixa Geral de Depósitos, Andrómeda de Luciana Fina, Sereno Variável da Colecção Treger Saint Silvestre, no Centro de Arte Oliva, Hot Stuff com trabalhos de Adelhyd van Bender na Galeria Delmes & Zander e, ainda, Ex-Votos para o Século XXI de Miguel Carneiro no VERÃO, espaço cuja programação é da sua responsabilidade e que data de Outubro 2019 até ao presente.

“Dizem que os italianos estão imunes à síndrome de Stendhal porque acostumados desde tenra idade a estar rodeados pela beleza. Quando era “minúscula”, o meu sonho era trabalhar numa bomba de gasolina. Aos 4 anos queria ter uma loja de ferragens. Aos 5, num périplo com os meus pais e irmãos pela Umbria e Toscana, estava aberta para novas aventuras. Em Orvieto, visitamos o Pozzo di San Patrizio. Tirei uma fotografia do lugar, com uma maquina Agfamatic 2008 pocket que a minha mãe me tinha dado de presente nos meus anos. Esta foto esteve no meu quarto, em cima da secretária, durante a escola primária, o ciclo e o liceu. Logo a seguir passamos por Siena onde vi pela primeira vez a Maestá (Madonna in Trono) de Duccio di Buoninsegna. Comecei a chorar sem aparente explicação. Um ou dois anos mais tarde, numa viagem com a escola em Roma, visitei o Ara Pacis. Tive que me encostar na velha estrutura de alumínio dourado que protegia o monumento para não cair ao chão. Em 1989, a minha mãe nos levou a conhecer Paris. Eu sonhava com ver a Mona Lisa, a Gioconda, mas lembro muito bem de ter ficado decepcionada com a escala, pois imaginava algo majestosamente grande e imponente. No final da tarde deste mesmo dia, fomos arrastados para o Pompidou. A exposição apresentada no museu era Les Magiciens de la Terre. Não fazia a mais mínima ideia do que estava a ver mas alguma coisa tinha mudado. No avião comuniquei à minha mãe que não iria ser artista mas que, ainda não sabendo bem como, iria trabalhar com arte. O meu avô entretanto tinha perdido a vista e decidido que, entre todos os netos, eu seria a indicada para ser os olhos dele. Para o ajudar com as palavras cruzadas, para ler os livros quando não os conseguia encontrar em áudio cassete, para descrever as obras dos museus, partes de filmes, mas sobretudo para ir à rua e relatar os ambientes, eu passei a ser os olhos dele. Esta prática desenvolvida em tão tenra idade criou um habito que ainda hoje mantenho: olhar para depois narrar, ouvir para poder reproduzir, absorver para conseguir reformular. Após ter terminado a Licenciatura em Conservazione dei Beni Culturali na Universidade de Bologna, em 2003 mudei-me para Lisboa e desde 2005 desenvolvo projectos de investigação, edição e curadoria com instituições artísticas em Portugal e no estrangeiro e tenho textos publicados em catálogos e revistas especializadas. Com o Mestrado em Curadoria terminado (FBAUL), em 2008 comecei a trabalhar pela Direcção Geral das Artes/MC enquanto coordenadora executiva das Bienais de Arte de Veneza e São Paulo. Em 2011 inscrevi-me no Doutoramento em Arte Contemporânea (UC) que entretanto concluí e em 2015 iniciei uma colaboração regular com a Colecção Treger Saint Silvestre. Em 2019 abri em Lisboa o VERÃO, um espaço de experimentação no âmbito das artes visuais e aproveitei o desacelerar causado pela pandemia para realizar o curso profissional de Marceneira-Embutidora/Entalhadora (FRESS) para começar também a pensar com as mãos.”

Links:

https://contemporanea.pt/edicoes/07-08-09-2021/entrevista-antonia-gaeta

https://www.facebook.com/people/VER%C3%83O/100071194254555/

https://centrodearteoliva.pt/exposicao/ninguem-so-eu/

https://www.youtube.com/watch?v=YXzWuoBZLUY

Episódio gravado a 07.06.2023

http://www.appleton.pt

Mecenas Appleton:

HCI / Colecção Maria e Armando Cabral / A2P / MyStory Hotels

Apoio:

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Antonia Gaeta, nascida em Lanciano, Itália, é Licenciada em Conservação dos Bens Culturais pela Universidade de Bolonha, veio para Portugal em 2003 onde completou o Mestrado em Estudos Curatoriais na Universidade de Belas-Artes de Lisboa, mais tarde doutorou-se em Arte Contemporânea no Colégio das Artes da Universidade de Coimbra. Desde 2005, trabalha como curadora independente, sendo que do seu percurso mais recente se destacam as seguintes exposições: Cangiante com obras da Colecção Caixa Geral de Depósitos, Andrómeda de Luciana Fina, Sereno Variável da Colecção Treger Saint Silvestre, no Centro de Arte Oliva, Hot Stuff com trabalhos de Adelhyd van Bender na Galeria Delmes & Zander e, ainda, Ex-Votos para o Século XXI de Miguel Carneiro no VERÃO, espaço cuja programação é da sua responsabilidade e que data de Outubro 2019 até ao presente.

“Dizem que os italianos estão imunes à síndrome de Stendhal porque acostumados desde tenra idade a estar rodeados pela beleza. Quando era “minúscula”, o meu sonho era trabalhar numa bomba de gasolina. Aos 4 anos queria ter uma loja de ferragens. Aos 5, num périplo com os meus pais e irmãos pela Umbria e Toscana, estava aberta para novas aventuras. Em Orvieto, visitamos o Pozzo di San Patrizio. Tirei uma fotografia do lugar, com uma maquina Agfamatic 2008 pocket que a minha mãe me tinha dado de presente nos meus anos. Esta foto esteve no meu quarto, em cima da secretária, durante a escola primária, o ciclo e o liceu. Logo a seguir passamos por Siena onde vi pela primeira vez a Maestá (Madonna in Trono) de Duccio di Buoninsegna. Comecei a chorar sem aparente explicação. Um ou dois anos mais tarde, numa viagem com a escola em Roma, visitei o Ara Pacis. Tive que me encostar na velha estrutura de alumínio dourado que protegia o monumento para não cair ao chão. Em 1989, a minha mãe nos levou a conhecer Paris. Eu sonhava com ver a Mona Lisa, a Gioconda, mas lembro muito bem de ter ficado decepcionada com a escala, pois imaginava algo majestosamente grande e imponente. No final da tarde deste mesmo dia, fomos arrastados para o Pompidou. A exposição apresentada no museu era Les Magiciens de la Terre. Não fazia a mais mínima ideia do que estava a ver mas alguma coisa tinha mudado. No avião comuniquei à minha mãe que não iria ser artista mas que, ainda não sabendo bem como, iria trabalhar com arte. O meu avô entretanto tinha perdido a vista e decidido que, entre todos os netos, eu seria a indicada para ser os olhos dele. Para o ajudar com as palavras cruzadas, para ler os livros quando não os conseguia encontrar em áudio cassete, para descrever as obras dos museus, partes de filmes, mas sobretudo para ir à rua e relatar os ambientes, eu passei a ser os olhos dele. Esta prática desenvolvida em tão tenra idade criou um habito que ainda hoje mantenho: olhar para depois narrar, ouvir para poder reproduzir, absorver para conseguir reformular. Após ter terminado a Licenciatura em Conservazione dei Beni Culturali na Universidade de Bologna, em 2003 mudei-me para Lisboa e desde 2005 desenvolvo projectos de investigação, edição e curadoria com instituições artísticas em Portugal e no estrangeiro e tenho textos publicados em catálogos e revistas especializadas. Com o Mestrado em Curadoria terminado (FBAUL), em 2008 comecei a trabalhar pela Direcção Geral das Artes/MC enquanto coordenadora executiva das Bienais de Arte de Veneza e São Paulo. Em 2011 inscrevi-me no Doutoramento em Arte Contemporânea (UC) que entretanto concluí e em 2015 iniciei uma colaboração regular com a Colecção Treger Saint Silvestre. Em 2019 abri em Lisboa o VERÃO, um espaço de experimentação no âmbito das artes visuais e aproveitei o desacelerar causado pela pandemia para realizar o curso profissional de Marceneira-Embutidora/Entalhadora (FRESS) para começar também a pensar com as mãos.”

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