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Ep. 25| O rio e a fonte (Margareth Ogola)

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Nome do livro: O rio e a fonte - As mulheres fortes do Quênia (você encontra aqui)

Autor: Margaret Ogola

Data da leitura: julho 2021

Editora: Cultor de Livros

Total de páginas: 292

Outros livros: aqui

Outras resenhas: aqui

O autor

Margareth Ogola estudou na Thompson’s Falls High School e na Alliance Girls High School, sendo uma aluna destacada. Em 1984, obteve bacharel em Medicina e Enfermaria pela Universidade de Nairóbi, e em 1990 obteve Mestrado de Medicina e Pediatria pela mesma universidade. Também obteve um diploma de pós - graduação em Planejamento e Desenvolvimento de Projetos pela Universidade Católica da África Oriental em 2004.

Foi diretora médica do Cottolengo Hospice, um orfanato para crianças com HIV e AIDS. Também é beneficiária do Familias Award for Humanitarian Service (Serviço de Ajuda Humanitária das Famílias), do Congresso Mundial das Famílias.

Foi assessora dos bispos católicos quenianos em questões sanitárias e familiares, além de ser membro do Opus Dei.

O Opus Dei foi fundada no dia 2 de outubro de 1928 por São Josemaria Escrivá, sacerdote espanhol canonizado em 2002. O termo latino "Opus Dei" significa "Obra de Deus". No dia 28 de novembro de 1982 o papa João Paulo II através da Constituição Apostólica Ut Sit constituiu o Opus Dei como prelazia pessoal.

Sobre o livro

Este é um romance que segue quatro gerações de quenianos em uma mudança frenética da sociedade. A obra teve grande receptividade e uma acolhida muito favorável por parte dos críticos. O livro ganhou o Prêmio da Região África da Commonwealth para a Literatura. Era casada com o Dr. George Ogola e tinha seis filhos, sendo dois deles adotados.

A primeira publicação deste livro foi em 1994. Foi o ano em que começou o processo contra o ex presidente Fernando Collor e a candidatura de Fernando Henrique Cardoso, o Brasil, portanto, estava conturbado (para variar). Foi também o ano do falecimento do Airton Senna e de Tom Jobim.

Na África foi o primeiro ano de eleições sem as regras do apartheid, o dia 27 de abril ficou conhecido como o dia da liberdade, foi eleito Nelson Mandela.

Também estavam vivos durante a publicação desse livro: SJPII e Madre Teresa de Calcutá.

Considerando o contexto, é muito interessante o caminho que a autora escolheu abordar em seu romance. Como os personagens pertencem a gerações diferentes e suas histórias são contadas de forma gradual e entrelaçadas, nós podemos notar não somente o desenvolvimento dos personagens mas também do Quênia e de forma mais difusa da África através deles.

Eu confesso que não fiquei muito empolgada quando recebi esse livro, acredito que algumas partes da minha mente foi condicionada a achar que os romances que abordam questões que são sedes de pautas ideológicas são deturpados, então, acabei recebendo esse livro com essa visão. No entanto, num domingo sem vontade de ler livros de doutrina e tão pouco livros ruins, já que não os tenho, tirei esse livro da estante. E foi grande a minha surpresa... é fantástico!

A história começa com a protagonista da primeira geração, Akoko, ela é filha de um cacique e é um tanto especial, o enredo segue contando a sua estória com seu marido, um cacique, como um Mikai ( a primeira esposa do cacique - no caso ela foi a única - e uma pessoa com muita autoridade e etc).

Muitas coisas são interessantes nessa história, mas o que mais me chamou a atenção é a construção de uma imagem mais real e menos revolucionária da África. Não sei se você já teve oportunidade de conversar sobre a missão de evangelização na África com alguém, mas os temas que mais aparecem são: o povo é dócil e bom, ainda existem guerras tribais que impedem o crescimento do país e etc.

A autora, usando a sua bagagem e a de seus antepassados e conhecidos, constrói diante dos nossos olhos uma África mais real e não somente aquela dos cartazes atuais. Uma África assolada com questões politicas mas também aberta ao que existe de melhor. Nas narrativas de cada membro dessa família, começando por sua matriarca, vemos o que aconteceu na África em cada geração.

Na primeira é possível ver os costumes e como, na verdade, as guerras tribais, ao menos no Quênia, não eram tão frequentes, por conta do Chik, a regra que regia a relação entre as tribos e uma espécie de código de conduta para as pessoas. Também vemos a religião e etc. Fica muito nítido um ponto interessante da evangelização: existem brechas para o cristianismo em todas as culturas e elas podem estar na visão mais aguçada de alguns membros daquele povo. Daí parte toda a narrativa, nós vemos a questão do contato com os britânicos assim que a Inglaterra iniciou a sua colonização e tudo o que foi gerado com isso, inclusive a evangelização cristão (católica, no caso).

É interessante notar que gradativamente a autora mostra que muitos deles estavam buscando algo a mais, estavam dispostos a conhecer e aprender com os outros seres do mundo; e dessa sede surgiram conversões, vocações, além de uma mudança radical de mentalidade e de conduta mediante a abertura a modernidade que trouxe pontos positivos e negativos.

Durante a leitura me lembrei de um colega africano (mas da Angola) que lecionava na mesma escola que eu, o motivo de me lembrar é que um dia ele disse: "realmente as condições na África não são as melhores, mas eu tive aula com os melhores professores da Inglaterra." E era realmente verdade. É esse tipo de discrepância, muitas vezes na história de uma única pessoa, que eu vi neste romance.

A leitura é fluída e agradável. A escrita possuí notas de semelhança com Elizabeth Gaskell e Jane Austen, o que não é nenhuma surpresa; é divertido, ainda que reflexivo e religioso.

Indico a todos, mas principalmente para padres e missionários ou qualquer um que queira ter uma visão mais nítida da missão evangelizadora, verdadeira, da Santa Igreja nas diferentes culturas.

"A vida é um enigma e um mistério, e a mente humana percorre-a em anseio por aquilo que não compreende. Mas continua sempre em busca".

"O catequista - um homem alto e esquelético, de sobrancelhas salientes, olhos profundos, barba densa e lábios carnudos - olhou para ela gentilmente.

- Mulher, muitos vêm à procura do novo caminho, mas poucos conseguem mantê-lo, pois ele não é fácil para os fracos de formação. Ele exigirá que viva de acordo com um Chik diferente do que conhece. Porém, não quero desencorajá-la, pois Deus nos ama e nos chama a todos para escutar Seu Filho, Yeso Kristo, que enviou para viver como nós e nos dar a conhecer os caminhos de Deus. O ensino religioso acontece todas as manhãs. De vez em quando, o professor a testará para checar se você entende tudo. Quando você compreender e aceitar tudo o que aprender você receberá o batiso. "

"Repentinamente... Nybera teve a certeza de ter feito a escolha certa. Estava cheia de esperança. Tinha trinta anos e já havia se encontrado a beira do desespero. Não importava que ela não entendesse a língua: algumas coisas vão além das palavras".

"... Não era a sua mãe Akoko, filha do grande cacique Odero? Longe dela sucumbir ao medo e a covardia. Ela aprenderia tudo o que precisasse aprender, conseguiria seu batismo, e se tornaria um membro da igreja una, santa, católica e apostólica. Algum dia - e que esse dia chegasse logo! - ela tomaria parte no corpo e sangue de Kristo e se converteria num dos seus ramos: estaria, finalmente, ligada a uma árvore."

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Autor: Margaret Ogola

Data da leitura: julho 2021

Editora: Cultor de Livros

Total de páginas: 292

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O autor

Margareth Ogola estudou na Thompson’s Falls High School e na Alliance Girls High School, sendo uma aluna destacada. Em 1984, obteve bacharel em Medicina e Enfermaria pela Universidade de Nairóbi, e em 1990 obteve Mestrado de Medicina e Pediatria pela mesma universidade. Também obteve um diploma de pós - graduação em Planejamento e Desenvolvimento de Projetos pela Universidade Católica da África Oriental em 2004.

Foi diretora médica do Cottolengo Hospice, um orfanato para crianças com HIV e AIDS. Também é beneficiária do Familias Award for Humanitarian Service (Serviço de Ajuda Humanitária das Famílias), do Congresso Mundial das Famílias.

Foi assessora dos bispos católicos quenianos em questões sanitárias e familiares, além de ser membro do Opus Dei.

O Opus Dei foi fundada no dia 2 de outubro de 1928 por São Josemaria Escrivá, sacerdote espanhol canonizado em 2002. O termo latino "Opus Dei" significa "Obra de Deus". No dia 28 de novembro de 1982 o papa João Paulo II através da Constituição Apostólica Ut Sit constituiu o Opus Dei como prelazia pessoal.

Sobre o livro

Este é um romance que segue quatro gerações de quenianos em uma mudança frenética da sociedade. A obra teve grande receptividade e uma acolhida muito favorável por parte dos críticos. O livro ganhou o Prêmio da Região África da Commonwealth para a Literatura. Era casada com o Dr. George Ogola e tinha seis filhos, sendo dois deles adotados.

A primeira publicação deste livro foi em 1994. Foi o ano em que começou o processo contra o ex presidente Fernando Collor e a candidatura de Fernando Henrique Cardoso, o Brasil, portanto, estava conturbado (para variar). Foi também o ano do falecimento do Airton Senna e de Tom Jobim.

Na África foi o primeiro ano de eleições sem as regras do apartheid, o dia 27 de abril ficou conhecido como o dia da liberdade, foi eleito Nelson Mandela.

Também estavam vivos durante a publicação desse livro: SJPII e Madre Teresa de Calcutá.

Considerando o contexto, é muito interessante o caminho que a autora escolheu abordar em seu romance. Como os personagens pertencem a gerações diferentes e suas histórias são contadas de forma gradual e entrelaçadas, nós podemos notar não somente o desenvolvimento dos personagens mas também do Quênia e de forma mais difusa da África através deles.

Eu confesso que não fiquei muito empolgada quando recebi esse livro, acredito que algumas partes da minha mente foi condicionada a achar que os romances que abordam questões que são sedes de pautas ideológicas são deturpados, então, acabei recebendo esse livro com essa visão. No entanto, num domingo sem vontade de ler livros de doutrina e tão pouco livros ruins, já que não os tenho, tirei esse livro da estante. E foi grande a minha surpresa... é fantástico!

A história começa com a protagonista da primeira geração, Akoko, ela é filha de um cacique e é um tanto especial, o enredo segue contando a sua estória com seu marido, um cacique, como um Mikai ( a primeira esposa do cacique - no caso ela foi a única - e uma pessoa com muita autoridade e etc).

Muitas coisas são interessantes nessa história, mas o que mais me chamou a atenção é a construção de uma imagem mais real e menos revolucionária da África. Não sei se você já teve oportunidade de conversar sobre a missão de evangelização na África com alguém, mas os temas que mais aparecem são: o povo é dócil e bom, ainda existem guerras tribais que impedem o crescimento do país e etc.

A autora, usando a sua bagagem e a de seus antepassados e conhecidos, constrói diante dos nossos olhos uma África mais real e não somente aquela dos cartazes atuais. Uma África assolada com questões politicas mas também aberta ao que existe de melhor. Nas narrativas de cada membro dessa família, começando por sua matriarca, vemos o que aconteceu na África em cada geração.

Na primeira é possível ver os costumes e como, na verdade, as guerras tribais, ao menos no Quênia, não eram tão frequentes, por conta do Chik, a regra que regia a relação entre as tribos e uma espécie de código de conduta para as pessoas. Também vemos a religião e etc. Fica muito nítido um ponto interessante da evangelização: existem brechas para o cristianismo em todas as culturas e elas podem estar na visão mais aguçada de alguns membros daquele povo. Daí parte toda a narrativa, nós vemos a questão do contato com os britânicos assim que a Inglaterra iniciou a sua colonização e tudo o que foi gerado com isso, inclusive a evangelização cristão (católica, no caso).

É interessante notar que gradativamente a autora mostra que muitos deles estavam buscando algo a mais, estavam dispostos a conhecer e aprender com os outros seres do mundo; e dessa sede surgiram conversões, vocações, além de uma mudança radical de mentalidade e de conduta mediante a abertura a modernidade que trouxe pontos positivos e negativos.

Durante a leitura me lembrei de um colega africano (mas da Angola) que lecionava na mesma escola que eu, o motivo de me lembrar é que um dia ele disse: "realmente as condições na África não são as melhores, mas eu tive aula com os melhores professores da Inglaterra." E era realmente verdade. É esse tipo de discrepância, muitas vezes na história de uma única pessoa, que eu vi neste romance.

A leitura é fluída e agradável. A escrita possuí notas de semelhança com Elizabeth Gaskell e Jane Austen, o que não é nenhuma surpresa; é divertido, ainda que reflexivo e religioso.

Indico a todos, mas principalmente para padres e missionários ou qualquer um que queira ter uma visão mais nítida da missão evangelizadora, verdadeira, da Santa Igreja nas diferentes culturas.

"A vida é um enigma e um mistério, e a mente humana percorre-a em anseio por aquilo que não compreende. Mas continua sempre em busca".

"O catequista - um homem alto e esquelético, de sobrancelhas salientes, olhos profundos, barba densa e lábios carnudos - olhou para ela gentilmente.

- Mulher, muitos vêm à procura do novo caminho, mas poucos conseguem mantê-lo, pois ele não é fácil para os fracos de formação. Ele exigirá que viva de acordo com um Chik diferente do que conhece. Porém, não quero desencorajá-la, pois Deus nos ama e nos chama a todos para escutar Seu Filho, Yeso Kristo, que enviou para viver como nós e nos dar a conhecer os caminhos de Deus. O ensino religioso acontece todas as manhãs. De vez em quando, o professor a testará para checar se você entende tudo. Quando você compreender e aceitar tudo o que aprender você receberá o batiso. "

"Repentinamente... Nybera teve a certeza de ter feito a escolha certa. Estava cheia de esperança. Tinha trinta anos e já havia se encontrado a beira do desespero. Não importava que ela não entendesse a língua: algumas coisas vão além das palavras".

"... Não era a sua mãe Akoko, filha do grande cacique Odero? Longe dela sucumbir ao medo e a covardia. Ela aprenderia tudo o que precisasse aprender, conseguiria seu batismo, e se tornaria um membro da igreja una, santa, católica e apostólica. Algum dia - e que esse dia chegasse logo! - ela tomaria parte no corpo e sangue de Kristo e se converteria num dos seus ramos: estaria, finalmente, ligada a uma árvore."

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