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Isabelle Nassar: Passarela, haters e sucesso na TV

 
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Atriz carioca que interpretou Sara na novela Travessia, da Globo, fala sobre maternidade, filosofia e os impactos que a exposição na TV Nascida no Rio de Janeiro e criada no interior de Minas Gerais, a atriz Isabelle Nassar descobriu, aos 15 anos, que tinha potencial para ser modelo. Ela venceu concursos prestigiados da época, como o Elite Model Look e o Ford Models, e embarcou em viagens de trabalho para Milão e China — onde experimentou uma vida pouco glamorosa, compartilhando um apartamento com vinte outras jovens e vivendo experiências que a marcariam profundamente. Com a toxidade do mundo da moda naqueles tempos, Isabelle chegou a considerar fazer procedimentos cirúrgicos no nariz e no queixo. No entanto, um médico sensato a convenceu a esperar e aceitar a si mesma, evitando gastar dinheiro que não tinha. “Fui para casa revoltada, mas hoje eu agradeço e entendo que a minha diferença é o que me faz única.” Anos depois, ao estrear na novela “Travessia”, da Rede Globo, as experiências que teve mais jovem a ajudaram a navegar melhor pelos impactos que a exposição intensa na TV traz, como questionamentos sobre sua aparência. “Ser mulher deveria bastar, nosso feminino não pode ser legitimado por uma única forma. É uma questão de estereótipo. Cada vez mais estamos conseguindo nos aceitar, existir em todos os âmbitos e de todas as formas”, conta. No papo com o Trip FM, Isabelle falou sobre maternidade, a série "Bom Dia, Verônica", dinheiro, fama e muito mais. A entrevista, que você lê a seguir, está disponível no Spotify e no play aqui no site. [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2023/10/6532da2f7cd2a/isabelle-nassar-atriz-tripfm-mh.jpg; CREDITS=Carlos Teixeira (@studiocarlosteixeira); LEGEND=Isabelle Nassar; ALT_TEXT=] Trip FM. Você acha que o universo das redes sociais piorou a nossa relação com o próximo? Isabelle Nassar. O tempo presente é fruto de nossas ações, e não o contrário. Todos estamos incluídos nesta falta de diálogo. Na verdade, não sei se temos mais dificuldade de dialogar ou de escutar. A gente esquece que o mundo é plural e que as perspectivas de vida são diferentes e as polaridades que se apresentam deveriam transformar a gente. Como você tem lidado com uma filha adolescente e o tempo de exposição às telas? Cada dia é um dia com a minha filha; não tenho fórmula nenhuma para dar a ninguém. Se eles ficam muito tempo nas telas, é também porque nossa sobrecarga de trabalho é tão profundo que a gente acaba delegando. Eu não quero perder a minha filha, então a proibição não é a minha forma de ver o mundo. Tento entender o que ela está buscando na internet e tento negociar com notas de escola, com tempo… Às vezes a gente acerta, às vezes a gente erra. Nós somos seres de matilha, gostamos de pertencer. Eu sinto que essa adolescência, que foi interceptada pela pandemia, ficou pertencendo demais a um grupo online. É um desafio: a gente só vai entender essa geração quando eles tiverem 30 anos. Ser mãe é nunca estar perfeita. O mundo da moda pode ser muito cruel para a adolescente. Como foi no seu caso? Hoje, com a internet, os homens recebem um letramento de como se lidar com mulheres no âmbito corporativo. O RH precisa ensinar como se lidar com mulheres no ambiente de trabalho. Há 15 anos, no mundo da moda, era “não, você é gorda”, “saí daqui, seu queixo é grande”… Parece muito luxuoso quando eu falo que fui para China, para Milão, mas era um apartamento com vinte meninas com dinheiro no bolso para pegar o metrô. Quando se trata de uma adolescente, isso deixa marcas profundas. Eu fico feliz quando vejo que as coisas vão se organizando para um lado mais humano. Tudo o que queremos é ser visto, é pertencer, é ser amado. É verdade que você chegou a marcar cirurgia plástica, mas foi dissuadida pelo médico? O adolescente já não cabe no corpo que é dele, mas se não pertencer em um padrão, é ainda pior. Nos feedbacks que recebi quando era modelo, fiquei achando que teria que diminuir o queixo e fazer uma plástica no nariz. Ainda bem que o cirurgião captou que aquele era um desejo externo e não meu. Ele me convenceu a esperar e a me aceitar, a não gastar um dinheiro que eu não tinha. Fui para casa revoltada, mas hoje agradeço e entendo que a minha diferença é o que me faz única. Cada vez mais as mulheres se aceitam da forma que elas são: minha filha é muito mais leve nesta questão.
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Atriz carioca que interpretou Sara na novela Travessia, da Globo, fala sobre maternidade, filosofia e os impactos que a exposição na TV Nascida no Rio de Janeiro e criada no interior de Minas Gerais, a atriz Isabelle Nassar descobriu, aos 15 anos, que tinha potencial para ser modelo. Ela venceu concursos prestigiados da época, como o Elite Model Look e o Ford Models, e embarcou em viagens de trabalho para Milão e China — onde experimentou uma vida pouco glamorosa, compartilhando um apartamento com vinte outras jovens e vivendo experiências que a marcariam profundamente. Com a toxidade do mundo da moda naqueles tempos, Isabelle chegou a considerar fazer procedimentos cirúrgicos no nariz e no queixo. No entanto, um médico sensato a convenceu a esperar e aceitar a si mesma, evitando gastar dinheiro que não tinha. “Fui para casa revoltada, mas hoje eu agradeço e entendo que a minha diferença é o que me faz única.” Anos depois, ao estrear na novela “Travessia”, da Rede Globo, as experiências que teve mais jovem a ajudaram a navegar melhor pelos impactos que a exposição intensa na TV traz, como questionamentos sobre sua aparência. “Ser mulher deveria bastar, nosso feminino não pode ser legitimado por uma única forma. É uma questão de estereótipo. Cada vez mais estamos conseguindo nos aceitar, existir em todos os âmbitos e de todas as formas”, conta. No papo com o Trip FM, Isabelle falou sobre maternidade, a série "Bom Dia, Verônica", dinheiro, fama e muito mais. A entrevista, que você lê a seguir, está disponível no Spotify e no play aqui no site. [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2023/10/6532da2f7cd2a/isabelle-nassar-atriz-tripfm-mh.jpg; CREDITS=Carlos Teixeira (@studiocarlosteixeira); LEGEND=Isabelle Nassar; ALT_TEXT=] Trip FM. Você acha que o universo das redes sociais piorou a nossa relação com o próximo? Isabelle Nassar. O tempo presente é fruto de nossas ações, e não o contrário. Todos estamos incluídos nesta falta de diálogo. Na verdade, não sei se temos mais dificuldade de dialogar ou de escutar. A gente esquece que o mundo é plural e que as perspectivas de vida são diferentes e as polaridades que se apresentam deveriam transformar a gente. Como você tem lidado com uma filha adolescente e o tempo de exposição às telas? Cada dia é um dia com a minha filha; não tenho fórmula nenhuma para dar a ninguém. Se eles ficam muito tempo nas telas, é também porque nossa sobrecarga de trabalho é tão profundo que a gente acaba delegando. Eu não quero perder a minha filha, então a proibição não é a minha forma de ver o mundo. Tento entender o que ela está buscando na internet e tento negociar com notas de escola, com tempo… Às vezes a gente acerta, às vezes a gente erra. Nós somos seres de matilha, gostamos de pertencer. Eu sinto que essa adolescência, que foi interceptada pela pandemia, ficou pertencendo demais a um grupo online. É um desafio: a gente só vai entender essa geração quando eles tiverem 30 anos. Ser mãe é nunca estar perfeita. O mundo da moda pode ser muito cruel para a adolescente. Como foi no seu caso? Hoje, com a internet, os homens recebem um letramento de como se lidar com mulheres no âmbito corporativo. O RH precisa ensinar como se lidar com mulheres no ambiente de trabalho. Há 15 anos, no mundo da moda, era “não, você é gorda”, “saí daqui, seu queixo é grande”… Parece muito luxuoso quando eu falo que fui para China, para Milão, mas era um apartamento com vinte meninas com dinheiro no bolso para pegar o metrô. Quando se trata de uma adolescente, isso deixa marcas profundas. Eu fico feliz quando vejo que as coisas vão se organizando para um lado mais humano. Tudo o que queremos é ser visto, é pertencer, é ser amado. É verdade que você chegou a marcar cirurgia plástica, mas foi dissuadida pelo médico? O adolescente já não cabe no corpo que é dele, mas se não pertencer em um padrão, é ainda pior. Nos feedbacks que recebi quando era modelo, fiquei achando que teria que diminuir o queixo e fazer uma plástica no nariz. Ainda bem que o cirurgião captou que aquele era um desejo externo e não meu. Ele me convenceu a esperar e a me aceitar, a não gastar um dinheiro que eu não tinha. Fui para casa revoltada, mas hoje agradeço e entendo que a minha diferença é o que me faz única. Cada vez mais as mulheres se aceitam da forma que elas são: minha filha é muito mais leve nesta questão.
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