Mirian Goldenberg: Como fugir dos vampiros emocionais

 
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Antropóloga explica como se livrar das pessoas que sugam energia vital e nada dão em troca Fonoaudióloga de formação, doutora em antropologia e caça-vampiros. Algum tempo após voltar sua pesquisa para o estudo do envelhecimento, Mirian Goldenberg descobriu que um dos caminhos para uma vida mais feliz é deletar gente sanguessuga, acabar com aqueles que pedem tudo e nada dão em troca; as chamadas pessoas-vampiro, segundo ela. "A primeira regra para lidar com eles é ter firme qual é o seu propósito na vida e o que você quer fazer com o seu tempo. É preciso entender que se você desperdiça parte do dia com vampiragem, está deixando de fazer o que realmente importa. Não dá para deletar vampiro se você não tem claro o que e quem é importante para você", comenta. Antes de se especializar no comportamento humano, Mirian pensou em estudar medicina em Santos, litoral sul paulista, cidade onde nasceu. De lá, saiu para morar em São Paulo, dos 16 aos 21 anos, antes de mudar para o Rio de Janeiro. Nessa época, década de 80, seu tempo era ocupado com a militância política, em atos que iam de passeatas em prol do Chile livre (o país viveu sob ditadura por 17 anos) a mobilizações pró-Constituinte (a nova Constituição brasileira foi aprovada em 1988), ao lado de líderes como Luís Carlos Prestes, Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Gabeira. Mirian viu amigos serem presos e leu Marx, Engels, Trotsky. Sua primeira viagem ao exterior foi para Cuba, aos 26 anos. Seu primeiro livro, "Nicarágua Nicaraguita", sobre a revolução do país onde esteve por três vezes, foi lançado em 1987. Logo depois, pesquisando mulheres revolucionárias, se deparou com Leila Diniz, que lhe rendeu o livro "Toda Mulher é Meio Leila Diniz" (1995). Hoje, divide o tempo entre o trabalho em casam consultorias e, antes da pandemia, palestras e conferências pelo Brasil e pela Europa. Foi em uma dessas, na Alemanha, em 2007, que abandonou o hábito de fazer escova no cabeleireiro antes de se apresentar em público. Hoje, leva uma vida minimalista: até mesmo a biblioteca com cinco mil livros ela doou. “Me dói ainda, mas não me arrependo. Foi um processo de mostrar a mim mesma que poderia viver com pouco", diz. Criada entre três irmãos homens numa família judia em que álcool e violência eram presenças constantes, o jeito foi se isolar. Na biblioteca do pai (com quem, já mais velha, ficou sem falar por 16 anos), descobriu o prazer de ler – e escrever. Desde a adolescência, relata os acontecimentos mais importantes da vida em cadernos (são centenas deles empilhados num armário). Ao Trip FM, ela fala ainda da decisão de não ter filhos, de como envelhecer bem e se livrar dos tais vampiros. Ouça o programa no Spotify, no play nesta reportagem ou leia um trecho da entrevista a seguir. [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2021/11/6184463a9bca0/mirian-goldenberg-antropologa-mh-2.jpg; CREDITS=Divulgação; LEGEND=Mirian Goldenberg; ALT_TEXT=Retrato de Mirian Goldenberg sorrindo vestindo blusa verde e cabelo solto] Trip. Eu queria começar com um tema que amo, dos indivíduos-vampiro, aqueles que gostam de roubar a sua energia. Da onde vem a sua observação desse tipo de gente? Mirian Goldenberg. Estudo esse assunto faz dez anos. Sou uma pesquisadora, não falo coisas da minha cabeça: comecei a perceber que, para envelhecer bem, existem algumas escolhas necessárias. A primeira delas é deletar os vampiros-emocionais da sua vida, esses que sugam a sua energia e não dão nada em troca. Existem também os vampirinhos, são muito perigosos. Esses são mortais, fazem com que você faça o que não quer e ainda se sinta culpada. São aqueles que falam, quando você está de regime, por exemplo, para comer só um pouquinho, ou quando precisa dormir cedo, para ficar mais um tempinho. São os vampiros no diminutivo. Eu aprendei, pesquisando o envelhecimento, que é preciso deletar. Um segredo meu: não tenho nenhum grupo de WhatsApp, porque todos tem vampiro. Aqueles que não dá para deletar, porque fazem parte da família ou do trabalho, é preciso se proteger, dizer não e ligar o botão do foda-se. Foda-se o que eles querem de mim. Eu preciso saber qual é a minha prioridade. O que eles mais sugam é o nosso tempo, o nosso bem mais precioso. Eu não posso gastar minha vida com vampiros. Tem muito vampiro que envelhece também. Ficar mais velho não é garantia de atingir uma existência mais iluminada. Existe um mito de que você envelhece e vira outra pessoa. Você não vai viajar e pular de paraquedas quando fizer 90 anos se hoje já não faz isso. Quem chega bem na velhice não muda a essência, apenas aprende que é preciso deixar um monte de merda de lado e ter amigos mais bacanas. Quando você é jovem, são tantos compromissos e obrigações que a sua alma fica um pouco escondida. Ao envelhecer, ela pode florescer. Existe um preconceito muito grande com quem decide não ter filhos, como se fosse uma escolha por não ser feliz. Queria que você falasse sobre isso. Nunca quis ter filhos. Fui muito cobrada pelas amigas: quando eu fiz quarenta anos foi um bombardeio. Além de não ter vontade, nunca me senti capaz de ter filhos. Sempre fui tão sem estofo afetivo, de proteção, de cuidado, que sentia não ter força e coragem de fazer alguém sobreviver e ser feliz. Eu nunca fui feliz e como eu teria um filho tendo uma vida tão triste? Não foi algo intuitivo, foi uma certeza.

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