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#57 - O silêncio dos afogados

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Gritos no meio da serra, no meio do nada. Acionada com urgência, a viatura dos bombeiros atravessa sacolejando a velha estradinha, tentando encontrar a dita cuja pedreira abandonada. É o verão que vem chegando, trazendo consigo os inevitáveis afogamentos. Na chegada da guarnição, a perplexidade de sempre. Dois corpos em silêncio, estendidos nas margens do imenso lago artificial formado pela chuva. Dois irmãos, daqueles que não se desgrudam por nada. Um de doze outro de dez. Tragédia. Como ninguém no local soube estimar o tempo de afogamento, os bombeiros decidem seguir o protocolo, iniciando as manobras de reanimação. Isso porque não é tarefa simples diferenciar se um afogado está morto ou se está em parada cardiorrespiratória. Infelizmente, as massagens torácicas, seguidas pelas insistentes ventilações, não surtiriam qualquer efeito sobre os meninos. Imagino que você deva estar se perguntando - assim como eu - como essas desgraças ainda podem acontecer. Como pode haver tantos lugares assim, com até vinte e tantos metros de profundidade, sem qualquer restrição de acesso à água ou sinalização de perigo? Represa, cava, lago, rio, tanque... é surpreendente saber que o número de óbitos nesses locais muitas vezes é maior do que os registrados em nossas praias, nas operações de verão. Mais que isso, é uma lástima saber que muitas dessas vítimas são crianças de famílias de baixa renda que - por falta de opções de lazer - acabam atraídas para essas armadilhas a céu aberto, geralmente sem saber nadar e longe dos seus responsáveis ou de qualquer tipo de supervisão. Esse texto não tem a pretensão de mudar o comportamento de ninguém, simplesmente porque certas coisas nunca mudaram. Nem mudarão. Contudo, por se tratar de um tipo de morte brutal e desesperadora, fica aqui o meu lamento. Pelas crianças que se afogaram. E pelas que ainda se afogarão. Pense nisso, até a próxima, se cuida. “ * * *
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Gritos no meio da serra, no meio do nada. Acionada com urgência, a viatura dos bombeiros atravessa sacolejando a velha estradinha, tentando encontrar a dita cuja pedreira abandonada. É o verão que vem chegando, trazendo consigo os inevitáveis afogamentos. Na chegada da guarnição, a perplexidade de sempre. Dois corpos em silêncio, estendidos nas margens do imenso lago artificial formado pela chuva. Dois irmãos, daqueles que não se desgrudam por nada. Um de doze outro de dez. Tragédia. Como ninguém no local soube estimar o tempo de afogamento, os bombeiros decidem seguir o protocolo, iniciando as manobras de reanimação. Isso porque não é tarefa simples diferenciar se um afogado está morto ou se está em parada cardiorrespiratória. Infelizmente, as massagens torácicas, seguidas pelas insistentes ventilações, não surtiriam qualquer efeito sobre os meninos. Imagino que você deva estar se perguntando - assim como eu - como essas desgraças ainda podem acontecer. Como pode haver tantos lugares assim, com até vinte e tantos metros de profundidade, sem qualquer restrição de acesso à água ou sinalização de perigo? Represa, cava, lago, rio, tanque... é surpreendente saber que o número de óbitos nesses locais muitas vezes é maior do que os registrados em nossas praias, nas operações de verão. Mais que isso, é uma lástima saber que muitas dessas vítimas são crianças de famílias de baixa renda que - por falta de opções de lazer - acabam atraídas para essas armadilhas a céu aberto, geralmente sem saber nadar e longe dos seus responsáveis ou de qualquer tipo de supervisão. Esse texto não tem a pretensão de mudar o comportamento de ninguém, simplesmente porque certas coisas nunca mudaram. Nem mudarão. Contudo, por se tratar de um tipo de morte brutal e desesperadora, fica aqui o meu lamento. Pelas crianças que se afogaram. E pelas que ainda se afogarão. Pense nisso, até a próxima, se cuida. “ * * *
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